Santo Agostinho
Mas o que não pudemos entender por meras palavras, podemos coligir da conduta dos santos em que sentido se deve entender o que facilmente se poderia torcer para o lado contrário, a menos que seja explicado pelo exemplo. O Apóstolo usou juramentos nas suas Epístolas, e com isto nos mostra como deve ser tomado aquele dito: «Eu vos digo que não jureis de modo algum», a saber, para que, permitindo-nos jurar de todo, não venhamos a ter prontidão em jurar, da prontidão ao hábito de jurar, e do hábito de jurar caiamos no perjúrio. E assim o Apóstolo não se acha ter usado juramento senão por escrito, pois o maior pensamento e cautela que isso requer não permite deslize de língua. Contudo, o mandamento do Senhor é tão universal: «Não jureis de modo algum», que pareceria ter vedado até mesmo o jurar…
Santo Agostinho · de Mendac. 15 · c. 354–430
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