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Pr 14, 22

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Matos Soares

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a ignorância não causa involuntariedade. Pois "o ato involuntário merece perdão", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Ora, algumas vezes o que se faz por ignorância não merece perdão, segundo 1 Cor 14,38: "Se alguém ignora, será ignorado". Logo, a ignorância não causa involuntariedade. **Objeção 2:** Ademais, todo pecado implica ignorância, conforme Prov 14,22: "Erram os que obram o mal". Se, portanto, a ignorância causa involuntariedade, seguir-se-ia que todo pecado é involuntário; o que se opõe ao dito de Agostinho, de que "todo pecado é voluntário" (De Vera Relig. xiv). **Objeção 3:** Além disso, "a involuntariedade não se dá sem tristeza", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Ora, algumas coisas são feitas por ignorância, mas sem tristeza: por e…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 8 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a razão não pode ser vencida por uma paixão contra o seu conhecimento. Pois o mais forte não é vencido pelo mais fraco. Ora, o conhecimento, por causa da sua certeza, é o que há de mais forte em nós. Portanto, não pode ser vencido por uma paixão, que é fraca e logo passa. **Objeção 2:** Ademais, a vontade não se dirige senão ao bem ou ao bem aparente. Ora, quando uma paixão atrai a vontade para o que é realmente bom, não influi sobre a razão contra o seu conhecimento; e quando a atrai para o que é bom apenas aparentemente, mas não realmente, atrai-a para o que aparece como bom à razão. Mas o que aparece à razão está no conhecimento da razão. Logo, uma paixão nunca influi sobre a razão contra o seu conhecimento. **Objeção 3:** Ademais, se se disser que ela desvia…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que ninguém peca de propósito, ou por malícia certa. Porque a ignorância é oposta ao propósito ou malícia certa. Ora, "todo homem mau é ignorante", segundo o Filósofo (Ética iii, 1); e está escrito (Prov. 14,22): "Erram os que obram o mal." Logo, ninguém peca por malícia certa. Objeção 2: Demais, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que "ninguém obra intencionando o mal". Ora, pecar por malícia parece denotar a intenção de fazer o mal ao pecar [Aludindo à derivação de "malitia" (malícia) de "malum" (mal)], porque um ato não se denomina daquilo que é involuntário e acidental. Logo, ninguém peca por malícia. Objeção 3: Demais, a própria malícia é um pecado. Se, portanto, a malícia é causa de pecado, segue-se que o pecado vai causando pecado infinitamente, o que é absurdo. Logo, ni…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que o intelecto pode ser falso. Com efeito, o Filósofo diz (Metaph. vi, Did. v, 4) que “a verdade e a falsidade estão na mente”. Ora, a mente e o intelecto são o mesmo, como se mostrou acima (Q. 79, A. 1). Logo, a falsidade pode estar na mente. Objeção 2: Ademais, a opinião e o raciocínio pertencem ao intelecto. Ora, a falsidade existe em ambos. Logo, a falsidade pode estar no intelecto. Objeção 3: Ademais, o pecado está na faculdade intelectual. Ora, o pecado envolve falsidade, porque “erram os que obram o mal” (Pr 14,22). Logo, a falsidade pode estar no intelecto. Em contrário, diz Agostinho (QQ. 83, qu. 32) que “todo aquele que é enganado não entende corretamente aquilo em que é enganado”. E o Filósofo diz (De Anima iii, 10) que “o intelecto é sempre verdadeiro”. R…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a ignorância não causa o involuntário. Pois "o ato involuntário merece perdão", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Mas, às vezes, o que se faz por ignorância não merece perdão, conforme 1 Cor. 14,38: "Se alguém ignora, será ignorado." Logo, a ignorância não causa o involuntário. Objeção 2: Ademais, todo pecado implica ignorância, segundo Prov. 14,22: "Erram os que obram o mal." Se, pois, a ignorância causa o involuntário, seguir-se-ia que todo pecado é involuntário — o que se opõe ao dito de Agostinho, de que "todo pecado é voluntário" (De Vera Relig. xiv). Objeção 3: Ademais, "o involuntário não se dá sem tristeza", como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 24). Ora, algumas coisas são feitas por ignorância, mas sem tristeza; por exemplo, um homem pode matar um…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 8 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que seis filhas são inconvenientemente atribuídas à gula, a saber: "alegria indecorosa, escurrilidade, impureza, loquacidade e embotamento da mente quanto ao entendimento". Porque a alegria indecorosa resulta de todo pecado, segundo Provérbios 2,14: "Que se alegram quando fazem o mal, e folgam nas coisas péssimas". Do mesmo modo, o embotamento da mente acompanha todo pecado, segundo Provérbios 14,22: "Erram os que obram o mal". Logo, são inconvenientemente consideradas filhas da gula. Objeção 2: Ademais, a impureza que particularmente resulta da gula parece estar ligada ao vômito, segundo Isaías 28,8: "Todas as mesas estavam cheias de vômito e imundície". Mas isto parece não ser pecado, e sim castigo; ou mesmo coisa útil que é matéria de conselho, segundo Eclesiástico 31…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a razão não pode ser vencida por uma paixão contra o seu conhecimento. Pois o mais forte não é vencido pelo mais fraco. Ora, o conhecimento, por causa da sua certeza, é a coisa mais forte em nós. Logo, não pode ser vencido por uma paixão, que é fraca e logo passa. **Objeção 2:** Ademais, a vontade não se dirige senão ao bem ou ao bem aparente. Ora, quando uma paixão atrai a vontade para o que é realmente bom, não influencia a razão contra o seu conhecimento; e quando a atrai para o que é bom aparentemente, mas não realmente, atrai-a para o que aparece como bom à razão. Mas o que aparece à razão está no conhecimento da razão. Logo, uma paixão nunca influencia a razão contra o seu conhecimento. **Objeção 3:** Ademais, se se disser que ela atrai a razão do seu conh…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que ninguém peca propositadamente, ou por certa malícia. Porque a ignorância se opõe ao propósito ou à certa malícia. Ora, "todo homem mau é ignorante", segundo o Filósofo (Ética iii, 1), e está escrito (Prov. 14,22): "Erram os que obram o mal." Logo, ninguém peca por certa malícia. **Objeção 2:** Ademais, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que "ninguém obra tendo em vista o mal". Ora, pecar por malícia parece significar a intenção de fazer o mal no pecado, porque um ato não se denomina daquilo que é involuntário e acidental. Logo, ninguém peca por malícia. **Objeção 3:** Ademais, a própria malícia é um pecado. Se, portanto, a malícia é causa do pecado, segue-se que o pecado causa pecado ao infinito, o que é absurdo. Logo, ninguém peca por malícia. **Em contrário,** está…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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