Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Pareceria que o bem é o objeto do temor. Com efeito, diz Agostinho (QQ. 83, qu. 83) que "não tememos senão perder o que amamos e possuímos, ou não obter o que esperamos". Mas aquilo que amamos é o bem. Logo, o temor tem o bem como seu próprio objeto. Objeção 2: Ademais, o Filósofo diz (Rhet. ii, 5) que "o poder e estar sobre outro é coisa de se temer". Ora, isso é um bem. Portanto, o bem é objeto do temor. Objeção 3: Ademais, não pode haver mal em Deus. Mas nos é mandado temer a Deus, segundo o Salmo 33,10: "Temei ao Senhor, todos os seus santos". Logo, até o bem é objeto de temor. Ao contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. ii, 12) que o temor é do mal futuro. Respondo que o temor é um movimento da potência apetitiva. Ora, pertence à potência apetitiva buscar e evitar, como…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274
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