Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Parece que em Cristo não houve ira. Porque está escrito (Tg 1,20): «A ira do homem não obra a justiça de Deus». Ora, tudo o que em Cristo havia pertencia à justiça de Deus, pois d’Ele está escrito (1Cor 1,30): «O qual nos foi feito por Deus justiça». Logo, parece que em Cristo não houve ira. Objeção 2: Ademais, a ira opõe-se à mansidão, como é claro na Ética IV, 5. Ora, Cristo foi mansíssimo. Logo, não houve ira n’Ele. Objeção 3: Ademais, Gregório diz (Moral. V, 45) que «a ira que nasce do mal cega o olho da mente, mas a ira que nasce do zelo o perturba». Ora, o olho da mente em Cristo não estava nem cego nem perturbado. Logo, em Cristo não houve nem ira pecaminosa nem ira zelosa. Em contrário, está escrito (Jo 2,17) que as palavras do Sl 58,10: «O zelo da tua casa me devorou…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 9 · c. 1225–1274
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