Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Parece que a lisonja não é pecado. Pois a lisonja consiste em palavras de louvor oferecidas a outrem para lhe agradar. Ora, não é pecado louvar uma pessoa, segundo Provérbios 31,28: «Levantaram-se seus filhos, e chamaram-na bem-aventurada; seu marido, e louvou-a.» Além disso, não há mal em desejar agradar aos outros, segundo 1 Coríntios 10,33: «Eu... em tudo agrado a todos.» Logo, a lisonja não é pecado. Objeção 2: Além disso, o mal é contrário ao bem, e a censura ao louvor. Ora, não é pecado censurar o mal. Logo, também não é pecado louvar o bem, o que parece pertencer à lisonja. Portanto, a lisonja não é pecado. Objeção 3: Além disso, a detração é contrária à lisonja. Por isso Gregório diz (Moral. XXII, 5) que a detração é um remédio contra a lisonja. «Deve-se observar», diz…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274
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