Santo Tomás de Aquino
Parece que a Sagrada Escritura não deve usar metáforas. Pois aquilo que é próprio da ciência mais baixa parece não convir a esta ciência, que ocupa o lugar mais alto de todas. Mas proceder com o auxílio de várias semelhanças e figuras é próprio da poesia, a menor de todas as ciências. Logo, não convém que esta ciência se sirva de tais semelhanças. Além disso, esta doutrina parece ter por fim tornar a verdade clara. Por isso é proposto um prêmio àqueles que a manifestam: «Os que me explicam terão a vida eterna» (Eclo 24,31). Mas por tais semelhanças a verdade é obscurecida. Logo, expor as verdades divinas comparando-as a coisas corpóreas não convém a esta ciência. Além disso, quanto mais elevadas são as criaturas, tanto mais se aproximam da semelhança divina. Se, portanto, alguma criatura…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 9 · c. 1225–1274
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