Santo Tomás de Aquino
**Objeção 1:** Parece que a alma de Cristo não era passível. Porque nada sofre senão em razão de algo mais forte, uma vez que “o agente é maior que o paciente”, como é claro por Agostinho (Gn. ad lit. XII, 16) e pelo Filósofo (De Anima III, 5). Ora, nenhuma criatura era mais forte que a alma de Cristo. Logo, a alma de Cristo não podia padecer às mãos de nenhuma criatura; e, portanto, não era passível; pois a sua capacidade de padecer teria sido inútil se não pudesse padecer por parte de coisa alguma. **Objeção 2:** Ademais, Túlio (De Tusc. Quaes. III) diz que as paixões da alma são enfermidades [*Cf. Iª-IIª, q. 24, a. 2]. Mas a alma de Cristo não tinha enfermidade alguma; pois a enfermidade da alma provém do pecado, como é claro pelo Salmo 40,5: “Curai a minha alma, porque pequei contra V…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274
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