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Rm 8, 24

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Matos Soares

24Com efeito, na esperança é que fomos salvos. Ora a esperança que se vê, não é esperança; porque, como esperar aquilo que se vê?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a beatitude pode ser alcançada nesta vida. Pois está escrito (Sl 118,1): «Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor». Ora, isso acontece nesta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 2:** Além disso, a participação imperfeita no Sumo Bem não destrói a natureza da beatitude; do contrário, um não seria mais bem-aventurado que outro. Ora, os homens podem participar do Sumo Bem nesta vida, conhecendo e amando a Deus, ainda que imperfeitamente. Logo, o homem pode ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 3:** Além disso, o que é dito por muitos não pode ser totalmente falso, pois o que está em muitos parece vir da natureza; e a natureza não falha totalmente. Ora, muitos dizem que a beatitude pode ser alcançada nesta vida…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria que em Cristo houve esperança. Pois está dito na Pessoa de Cristo (Sl 30,1): «Em Vós, Senhor, esperei». Ora, a virtude da esperança é aquela pela qual o homem espera em Deus. Logo, a virtude da esperança estava em Cristo. **Objeção 2:** Ademais, a esperança é a expectação da bem-aventurança vindoura, como foi demonstrado acima (SS, q. 17, a. 5, ad 3). Mas Cristo aguardava algo concernente à bem-aventurança, a saber, a glorificação do Seu corpo. Logo, parece que havia esperança nEle. **Objeção 3:** Além disso, todo homem pode esperar o que pertence à sua perfeição, se ainda está por vir. Ora, algo ainda estava por vir concernente à perfeição de Cristo, segundo Efésios 4,12: «Para a perfeição dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cris…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que nos bem-aventurados há esperança. Pois Cristo foi um perfeito compreensor desde o primeiro instante de sua conceição. Ora, Ele teve esperança, pois, segundo uma glosa, as palavras do Salmo 30,2: "Em Vós, Senhor, esperei", são ditas em sua pessoa. Logo, nos bem-aventurados pode haver esperança. Objeção 2: Ademais, assim como a obtenção da bem-aventurança é um bem árduo, também o é a sua continuação. Ora, antes de obterem a bem-aventurança, os homens esperam obtê-la. Logo, depois de a terem obtido, podem esperar continuar na sua posse. Objeção 3: Ademais, pela virtude da esperança, um homem pode esperar a bem-aventurança não só para si, mas também para outros, como foi dito acima (Q[17], A[3]). Ora, os bem-aventurados que estão no céu esperam a bem-aventurança dos out…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que não há esperança nos animais irracionais. Porque a esperança é de algum bem futuro, como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 12). Ora, o conhecimento do futuro não é da competência dos animais irracionais, cujo conhecimento se limita aos sentidos e não se estende ao futuro. Logo, não há esperança nos animais irracionais. Objeção 2: Além disso, o objeto da esperança é um bem futuro, possível de ser alcançado. Ora, possível e impossível são diferenças do verdadeiro e do falso, os quais somente estão na mente, como afirma o Filósofo (Metaph. vi, 4). Portanto, não há esperança nos animais irracionais, pois eles não têm mente. Objeção 3: Além disso, Agostinho diz (Gen. ad lit. ix, 14) que "os animais são movidos pelas coisas que veem". Ora, a esperança é das coisas não vist…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a esperança permanece após a morte, no estado de glória. Porque a esperança aperfeiçoa o apetite humano de um modo mais excelente do que as virtudes morais. Ora, as virtudes morais permanecem depois desta vida, como claramente afirma Agostinho (De Trin. XIV,9). Logo, muito mais permanece a esperança. Objeção 2: Demais, o temor é oposto à esperança. Ora, o temor permanece depois desta vida: nos bem-aventurados, o temor filial, que permanece para sempre; nos condenados, o temor da pena. Portanto, de modo semelhante, a esperança pode permanecer. Objeção 3: Demais, assim como a esperança é do bem futuro, assim também o desejo. Ora, nos bem-aventurados há desejo do bem futuro; tanto pela glória do corpo, que as almas dos bem-aventurados desejam, como declara Agostinho (G…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1.** Parece que as beatitudes não diferem das virtudes e dos dons. Pois Agostinho (De Serm. Dom. in Monte i, 4) atribui as beatitudes recitadas por Mateus (5,3 e ss.) aos dons do Espírito Santo; e Ambrósio, em seu comentário a Lucas 6,20 e ss., atribui as beatitudes ali mencionadas às quatro virtudes cardeais. Logo, as beatitudes não diferem das virtudes e dos dons. **Objeção 2.** Ademais, há apenas duas regras da vontade humana: a razão e a lei eterna, como se disse acima (Q. 19, a. 3; Q. 21, a. 1). Ora, as virtudes aperfeiçoam o homem em relação à razão; os dons, porém, o aperfeiçoam em relação à lei eterna do Espírito Santo, conforme é claro pelo que foi dito (Q. 68, aa. 1,3 e ss.). Portanto, não pode haver algo mais que pertença à retidão da vontade humana, além das virtudes…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a Bem-aventurança pode ser alcançada nesta vida. Porque está escrito (Sl 118,1): "Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor." Ora, isto acontece nesta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. Objeção 2: Além disso, a participação imperfeita no Sumo Bem não destrói a natureza da Bem-aventurança; doutro modo, um não seria mais bem-aventurado que outro. Ora, os homens podem participar do Sumo Bem nesta vida, conhecendo e amando a Deus, ainda que imperfeitamente. Logo, o homem pode ser bem-aventurado nesta vida. Objeção 3: Além disso, o que é dito por muitos não pode ser totalmente falso; pois o que se encontra em muitos vem, ao que parece, da natureza; e a natureza não falha totalmente. Ora, muitos dizem que a Bem-aventurança pode s…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que não há esperança nos animais brutos. Porque a esperança é de algum bem futuro, como diz Damasceno (De Fide Orth. ii, 12). Ora, o conhecimento do futuro não é da competência dos animais brutos, cujo conhecimento se limita aos sentidos e não se estende ao futuro. Logo, não há esperança nos animais brutos. **Objeção 2:** Além disso, o objeto da esperança é um bem futuro, possível de ser alcançado. Ora, o possível e o impossível são diferenças do verdadeiro e do falso, que só estão na mente, como afirma o Filósofo (Metaf. VI, 4). Logo, não há esperança nos animais brutos, pois não têm mente. **Objeção 3:** Além disso, Agostinho diz (Gen. ad lit. IX, 14) que "os animais são movidos pelas coisas que veem". Ora, a esperança é de coisas não vistas: "Porque o que vê, por…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

20. Diz o Senhor no Evangelho: «Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre» (Jo 7,38-39). Onde o Evangelista acrescenta, dizendo: «E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem». Assim, pois, «os regatos do rio» são os dons do Espírito Santo. A caridade é «um regato do rio», a fé é «um regato do rio», a esperança é «um regato do rio». Mas, porque nenhum hipócrita ama jamais a Deus ou ao próximo, quando faz da glória transitória do mundo o seu fim, não vê os regatos do rio, porquanto não é regado com a abundância da caridade. Ao passo que o hipócrita busca os ganhos presentes, despreza os bens futuros e, não tendo fé, não vê na mente «o regato do rio», visto que a fé é «o subsídio das coisas que se esperam, a demonstração das coi…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 20 · c. 540–604

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a esperança permanece depois da morte, no estado de glória. Porque a esperança aperfeiçoa o apetite humano de modo mais excelente do que as virtudes morais. Ora, as virtudes morais permanecem depois desta vida, como Agostinho claramente afirma (De Trin. xiv, 9). Muito mais, então, permanece a esperança. Objeção 2: Ademais, o temor é oposto à esperança. Ora, o temor permanece depois desta vida: nos Bem-aventurados, o temor filial, que permanece para sempre—nos condenados, o temor da pena. Logo, de modo semelhante, a esperança pode permanecer. Objeção 3: Ademais, assim como a esperança é do bem futuro, também o desejo o é. Ora, nos Bem-aventurados há desejo do bem futuro; tanto da glória do corpo, que as almas dos Bem-

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objecção 1:** Parece que as bem-aventuranças não diferem das virtudes e dons. Porquanto Agostinho (De Serm. Dom. in Monte i, 4) atribui as bem-aventuranças recitadas por Mateus (v 3, seqq.) aos dons do Espírito Santo; e Ambrósio, no seu comentário a Lucas 6:20, seqq., atribui as bem-aventuranças aí mencionadas às quatro virtudes cardeais. Logo, as bem-aventuranças não diferem das virtudes e dons. **Objecção 2:** Além disso, há apenas duas regras da vontade humana: a razão e a lei eterna, como foi dito acima (Q[19], A[3]; Q[21], A[1]). Ora, as virtudes aperfeiçoam o homem em relação à razão; enquanto os dons o aperfeiçoam em relação à lei eterna do Espírito Santo, como é claro pelo que foi dito (Q[68], AA[1],3, seqq.). Portanto, não pode haver algo mais pertencente à rectidão da vontade…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

14. Ora, convém saber que os homens santos, sempre que comunicam algo de si aos seus seguidores, imitam o costume do seu Criador. Porque Deus, que nos proíbe de jamais sermos louvados pelos nossos próprios lábios, nas Sagradas Escrituras profere os seus próprios louvores; não porque Ele deles necessite, Ele que não pode ser beneficiado por louvores; mas, ao narrar-nos a sua grandeza, eleva a nossa ignorância até Si, e, contando o seu próprio bem, ensina-nos; pois o homem jamais O conheceria, se Ele houvesse resolvido calar-Se a Si mesmo. Por isso, Ele mostra os seus louvores para que, ouvindo, possamos conhecer; conhecendo, amar; amando, seguir; seguindo, alcançar; e alcançando, gozar da sua visão. Donde o Salmista diz: *Anunciará ao povo o poder das suas obras, para lhes dar a herança dos…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 14 · c. 540–604

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São Gregório Magno

Nos ovos há uma coisa que se vê, outra que se espera; e a esperança não se vê, como testemunha Paulo, que diz: *O que o homem vê, por que o espera?* [Rm 8,24] Que é designado, pois, pelos *ovos* da avestruz, senão os Apóstolos nascidos da carne da sinagoga? Os quais, enquanto se apresentam como desprezados e humildes no mundo, nos ensinam a esperar a glória nos lugares celestes. Pois, considerados pelos soberbos como abjetos e como se não tivessem valor algum, põem, como ovos, no chão; mas o poder de viver e de se elevar aos lugares celestes, sustentados pelas asas da esperança, jazia oculto dentro deles. Estes ovos a avestruz deixa na terra; porque a sinagoga, desprezando ouvir aqueles Apóstolos, que havia gerado na carne, os entregou aos gentios que haviam de ser chamados. Mas o Senhor,…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 37 · c. 540–604

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