Santo Tomás de Aquino
**Objeção 1:** Parece que o amor fere o amante. Porque o langor denota uma lesão naquele que definha. Ora, o amor causa langor: pois está escrito (Cânt 2,5): «Sustentai-me com flores, cobri-me de maçãs; porque desfaleço de amor.» Logo, o amor é uma paixão que fere. **Objeção 2:** Além disso, o derretimento é uma espécie de dissolução. Ora, o amor derrete aquilo em que está: pois está escrito (Cânt 5,6): «A minha alma se derreteu quando o meu amado falou.» Logo, o amor é um dissolvente; portanto, é uma paixão corruptiva e que fere. **Objeção 3:** Ademais, o fervor denota um certo excesso de calor; tal excesso tem efeito corruptivo. Ora, o amor causa fervor: pois Dionísio (Hier. Cel. VII), enumerando as propriedades do amor dos Serafins, inclui «quente», «penetrante» e «fervíssimo». Além d…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274
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