Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Parece que não há um último fim da vida humana, mas que se procede ao infinito. Pois o bem é essencialmente difusivo, conforme afirma Dionísio (De Divinis Nominibus, iv). Consequentemente, se aquilo que procede do bem é ele mesmo bom, este deve necessariamente difundir algum outro bem; de modo que a difusão do bem prossegue indefinidamente. Mas o bem tem natureza de fim. Logo, há uma série infinita de fins. Objeção 2: Ademais, as coisas pertencentes à razão podem multiplicar-se ao infinito; assim, as grandezas matemáticas não têm limite. Pela mesma razão, as espécies de números são infinitas, já que, dado qualquer número, a razão pode pensar em outro ainda maior. Ora, o desejo do fim é consequente à apreensão da razão. Portanto, parece que há também uma série infinita de fins.…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274
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