Referência

Sb 11, 25

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Matos Soares

25Tu amas tudo o que existe, e não aborreces nada do que fizeste; porque, se aborrecesses alguma coisa, não a terias nem criado.

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Deus não ama todas as coisas. Pois, segundo Dionísio (Div. Nom. iv, 1), o amor coloca o amante fora de si mesmo e fá-lo passar, por assim dizer, para o objeto do seu amor. Ora, não é admissível dizer que Deus é colocado fora de Si mesmo e passa para outras coisas. Logo, é inadmissível dizer que Deus ama coisas diversas de Si mesmo. **Objeção 2:** Além disso, o amor de Deus é eterno. Mas as coisas fora de Deus não são desde a eternidade, a não ser em Deus. Portanto, Deus não ama coisa alguma, senão enquanto existe em Si mesmo. Ora, enquanto existente n’Ele, não é outra coisa senão Ele mesmo. Logo, Deus não ama as coisas diversas de Si mesmo. **Objeção 3:** Ademais, o amor é duplo: o amor de desejo e o amor de amizade. Ora, Deus não ama as criaturas irracionais co…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que também as criaturas irracionais devem ser amadas por caridade. Com efeito, é principalmente pela caridade que nos conformamos a Deus. Ora, Deus ama as criaturas irracionais por caridade, porque Ele ama "todas as coisas que existem" (Sab. 11,25), e tudo quanto ama, ama por Si mesmo, que é a caridade. Logo, também nós devemos amar as criaturas irracionais por caridade. **Objeção 2:** Além disso, a caridade se refere principalmente a Deus e se estende às outras coisas enquanto referíveis a Deus. Ora, assim como a criatura racional é referível a Deus enquanto traz a semelhança de imagem, também as criaturas irracionais o são enquanto trazem a semelhança de vestígio (*cf.* Iª, Q. 45, A. 7). Logo, a caridade se estende também às criaturas irracionais. **Objeção 3:** A…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Deus não reprova homem algum. Pois ninguém reprova o que ama. Mas Deus ama todo homem, segundo (Sab. 11,25): «Amai todas as coisas que são, e não aborreceis nenhuma das que fizestes.» Logo, Deus não reprova homem algum. **Objeção 2:** Além disso, se Deus reprova algum homem, seria necessário que a reprovação tivesse a mesma relação para com os réprobos que a predestinação para com os predestinados. Ora, a predestinação é a causa da salvação dos predestinados. Logo, a reprovação será igualmente a causa da perda do réprobo. Mas isto é falso. Pois está dito (Os. 13,9): «A tua perdição é de ti mesmo, ó Israel; o teu socorro está somente em mim.» Deus, portanto, não reprova homem algum. **Objeção 3:** Além disso, a ninguém deve ser imputado aquilo que não pode evitar…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que não fostes reconciliados com Deus pela Paixão de Cristo. Pois não há necessidade de reconciliação entre amigos. Mas Deus sempre nos amou, segundo Sb 11,25: "Amas todas as coisas que existem e não odeias nada do que fizeste". Logo, a Paixão de Cristo não nos reconciliou com Deus. Objeção 2: Além disso, a mesma coisa não pode ser causa e efeito; por isso a graça, que é a causa do mérito, não cai sob o mérito. Ora, o amor de Deus é a causa da Paixão de Cristo, segundo Jo 3,16: "Deus amou de tal modo o mundo, que deu o seu Filho unigênito". Não parece, então, que fomos reconciliados com Deus pela Paixão de Cristo, de modo que Ele começasse a nos amar de novo. Objeção 3: Além disso, a Paixão de Cristo foi consumada pelos homens que O mataram; e com isso ofenderam graveme…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Deus é causa do pecado. Pois o Apóstolo diz de alguns (Rm 1,28): “Deus os entregou a um sentimento réprobo, para fazerem o que não é direito”, e uma glosa comenta isto, dizendo que “Deus obra nos corações dos homens, inclinando suas vontades para o que quer, quer para o bem, quer para o mal”. Ora, o pecado consiste em fazer o que não é direito e em ter a vontade inclinada para o mal. Logo, Deus é para o homem causa do pecado. **Objeção 2:** Além disso, está escrito (Sb 14,11): “As criaturas de Deus se tornaram em abominação e uma tentação para as almas dos homens.” Mas uma tentação geralmente denota uma provocação ao pecado. Visto, portanto, que as criaturas foram feitas somente por Deus, como foi estabelecido na Primeira Parte, Questão 44, Artigo 1, parece que D…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a graça não implica nada na alma. Pois se diz que o homem tem a graça de Deus assim como a graça do homem. Donde está escrito (Gn 39,21) que o Senhor deu a José “graça [favor] diante do chefe da prisão”. Ora, quando dizemos que um homem tem o favor de outro, nada se implica naquele que tem o favor do outro, mas uma aceitação se implica naquele cujo favor ele tem. Logo, quando dizemos que um homem tem a graça de Deus, nada se implica na sua alma; mas apenas significamos a aceitação divina. Objeção 2: Ademais, assim como a alma vivifica o corpo, assim Deus vivifica a alma; donde está escrito (Dt 30,20): “Ele é a tua vida”. Ora, a alma vivifica o corpo imediatamente. Logo, nada pode vir como médio entre Deus e a alma. Portanto, a graça não implica nada de criado na alma…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeta-se que Deus é causa do pecado. Porque o Apóstolo diz de alguns (Rom. 1,28): «Deus os entregou a um sentimento réprobo, para fazerem coisas que não convêm»; e uma glosa comenta isto dizendo que «Deus opera nos corações dos homens, inclinando suas vontades para tudo o que Ele quer, seja para o bem, seja para o mal». Ora, o pecado consiste em fazer o que não é reto e em ter uma vontade inclinada para o mal. Logo, Deus é para o homem causa do pecado. Além disso, está escrito (Sab. 14,11): «As criaturas de Deus se tornaram em abominação e em tentação para as almas dos homens.» Ora, a tentação geralmente denota uma provocação ao pecado. Visto que as criaturas foram feitas somente por Deus, como foi estabelecido na Primeira Parte, Q. 44, A. 1, parece que Deus é causa do pecado, provocando…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a graça não implica nada na alma. Porque se diz que o homem tem a graça de Deus assim como a graça do homem. Donde está escrito (Gen. 39,21) que o Senhor deu a José “graça diante do carcereiro-mor”. Ora, quando dizemos que um homem tem o favor de outro, nada se implica naquele que tem o favor do outro, mas implica-se uma aceitação naquele cujo favor ele tem. Logo, quando dizemos que um homem tem a graça de Deus, nada se implica na sua alma; mas apenas significamos a aceitação divina. Objeção 2: Além disso, assim como a alma vivifica o corpo, assim Deus vivifica a alma; donde está escrito (Dt. 30,20): “Ele é a tua vida.” Ora, a alma vivifica o corpo imediatamente. Logo, nada pode vir como médio entre Deus e a alma. Portanto, a graça não implica nada de criado na alma.…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Sb 11, 25 nos Padres da Igreja | Aurea