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Obra patrística

Divina Liturgia de São Tiago

Autor anônimo

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A Divina Liturgia de Tiago, o Santo Apóstolo e Irmão do Senhor

O Sacerdote.

I Ó Soberano Senhor nosso Deus, não me desprezes, manchado com multidão de pecados: pois eis que cheguei a este Teu divino e celeste mistério, não como sendo digno; mas olhando somente para Tua bondade, dirijo minha voz a Ti: Deus seja misericordioso para comigo, pecador; pequei contra o Céu, e perante Ti, e sou indigno de vir à presença desta Tua santa e espiritual mesa, sobre a qual Teu Filho unigênito, e nosso Senhor Jesus Cristo, é misticamente exposto como um sacrifício por mim, pecador, e manchado com toda sorte de mácula. Por isto te apresento esta súplica e ação de graças, para que Teu Espírito o Consolador seja enviado sobre mim, fortalecendo-me e preparando-me para este serviço; e conta-me digno de fazer conhecer sem condenação a palavra, entregue de Ti por mim ao povo, em Cristo Jesus nosso Senhor, com quem Tu és bendito, juntamente com Teu santíssimo, e bom, e vivificante, e consubstancial Espírito, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

Oração do que está junto ao altar.

II Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, a tríplice luz da Divindade, que é unidade subsistindo em trindade, dividida, mas indivisível: porque a Trindade é o único Deus Todo-poderoso, cuja glória os céus declaram, e a terra Seu domínio, e o mar Seu poder, e toda criatura sensível e inteligível em todos os tempos proclama Sua majestade: porque toda glória Lhe é devida, e honra e poder, grandeza e magnificência, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

Oração do incenso no princípio.

III Ó Soberano Senhor Jesus Cristo, Ó Verbo de Deus, que voluntariamente Te ofereceste a Ti mesmo um sacrifício sem mácula a Deus, sim, ao Pai eterno, carvão de dupla natureza, que tocaste os lábios do profeta com as tenaz, e tiraste seus pecados, toca também os corações de nós pecadores, e purifica-nos de toda mácula, e apresenta-nos santos junto a Teu santo altar, para que Te ofereçamos um sacrifício de louvor: e aceita de nós, Teus servos inúteis, este incenso como odor de suavíssimo cheiro, e perfuma o mau odor de nossa alma e corpo, e purifica-nos com o poder santificador de Teu santíssimo Espírito: porque Tu só és santo, que santificas, e és comunicado aos fiéis; e glória Te é devida, com Teu eterno Pai, e Teu santíssimo, e bom, e vivificante Espírito, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

Oração do princípio.

IV Ó Rei benéfico e eterno, e Criador do universo, recebe Tua Igreja, vindo a Ti por Teu Cristo: cumpre a cada um o que lhe for proveitoso; leva todos à perfeição, e faz-nos perfeitamente dignos da graça de Tua santificação, reunindo-nos em Tua santa Igreja, que compraste com o sangue precioso de Teu Filho unigênito, e nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com quem Tu és bendito e glorificado, juntamente com Teu santíssimo, e bom, e vivificante Espírito, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

O Diácono.

V Oremos de novo ao Senhor.

O Sacerdote, oração do incenso à entrada da congregação.

Ó Deus, que recebeste os dons de Abel, o sacrifício de Noé e de Abraão, o incenso de Aarão e de Zacarias, recebe também da mão de nós pecadores este incenso por odor de suavíssimo cheiro, e pela remissão de nossos pecados, e de todos os de Teu povo; porque Tu és bendito, e glória Te é devida, ó Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, agora e sempre.

O Diácono.

Senhor, pronuncia a bênção.

O Sacerdote ora.

Nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, que pela bondade soberana e caridade infreável foste crucificado, e não recusaste ser traspassado pela lança e pelos pregos; que providenciaste este serviço misterioso e augusto como memorial eterno para nós perpetuamente: abençoa Teu ministério em Cristo o Deus, e abençoa nossa entrada, e completa plenamente a apresentação deste nosso serviço pela Tua compaixão inefável, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

A oração responsiva do Diácono.

VI. O Senhor nos abençoe, e nos faça dignos de oferecer seraficamente os dons, e de entoar o hino tão frequentemente cantado do divino Trisságio, pela plenitude e abundância sobremaxima de toda a perfeição da santidade, agora e sempre.

Então o Diácono começa a cantar na entrada.

Tu que és o Filho unigênito e Verbo de Deus, imortal; que por nossa salvação te dignaste fazer-te carne da santa Mãe de Deus, e sempre-virgem Maria; que de modo imutável te fizeste homem e foste crucificado, ó Cristo nosso Deus, e pela tua morte pisaste a morte sob os pés; que és uma das três pessoas da Santíssima Trindade, glorificado juntamente com o Pai e o Espírito Santo, salva-nos.

O Sacerdote diz esta oração desde as portas até o altar.

VII Deus onipotente, Senhor grande em glória, que nos concedeste a entrada no Santo dos Santos, por meio da permanência entre os homens de teu Filho unigênito, nosso Senhor e Deus e Salvador Jesus Cristo, suplicamos-te e invocamos tua bondade, pois trememos de medo ao aproximar-nos de teu santo altar; envia sobre nós, ó Deus, tua boa graça, e santifica nossas almas, nossos corpos e nossos espíritos, e volta nossos pensamentos à piedade, afim de que com consciência pura possamos oferecer-te dons, oferendas e frutos para remissão de nossas transgressões, e para propiciação de todo teu povo, pela graça e mercês e bondade amorosa de teu Filho unigênito, com o qual és bendito por toda a eternidade. Amém.

Depois da aproximação ao altar, o Sacerdote diz:

VIII. Paz a todos vós.

O Povo.

E ao teu espírito.

O Sacerdote.

O Senhor nos abençoe a todos, e nos santifique para a entrada e celebração dos divinos e puros mistérios, concedendo repouso às almas bem-aventuradas entre os bons e justos, por sua graça e bondade amorosa, agora e sempre, e por toda a eternidade. Amém.

Então o Diácono diz a oração de intercessão.

IX. Em paz supliquemos ao Senhor.

Pela paz que vem do alto, e pelo amor de Deus para com os homens, e pela salvação de nossas almas, supliquemos ao Senhor.

Pela paz de todo o mundo, pela unidade de todas as santas igrejas de Deus, supliquemos ao Senhor.

Pela remissão de nossos pecados, e perdão de nossas transgressões, e por nossa libertação de toda tribulação, ira, perigo e angústia, e da rebelião de nossos inimigos, supliquemos ao Senhor.

Então os Cantores entoam o Hino Trisságio.

Santo Deus, santo Forte, santo Imortal, tende misericórdia de nós.

Então o Sacerdote reza, inclinando-se.

X. Ó compassivo e misericordioso, longânimo e cheio de graça e veracidade, Deus verdadeiro, olha de tua morada preparada, e ouve-nos a nós teus suplicantes, e livra-nos de toda tentação do demônio e dos homens; não nos retires tua ajuda, nem nos imponhas castigos demasiado pesados para nossas forças: pois somos incapazes de vencer o que se nos opõe; mas tu és poderoso, Senhor, para salvar-nos de tudo quanto se nos opõe. Salva-nos, ó Deus, das dificuldades deste mundo, segundo tua bondade, a fim de que, aproximando-nos com pura consciência de teu santo altar, possamos enviar-te sem condenação o bendito hino Trisságio, juntamente com as potências celestes, e de que, tendo celebrado o serviço bem-agradável a ti e divino, sejamos contados dignos da vida eterna.

(Em voz alta.)

Porque tu és santo, Senhor nosso Deus, e habitas e permanezes em lugares santos, elevamos a ti o louvor e o hino Trisságio, a ti, Pai, e Filho, e Espírito Santo, agora e sempre, e por toda a eternidade.

O Povo.

Amém.

O Sacerdote.

XI. Paz a todos vós.

O Povo.

E ao teu espírito.

Os Cantores.

Aleluia.

Então são lidos em ordem os santos oráculos do Antigo Testamento e dos profetas; e a encarnação do Filho de Deus é apresentada, e seus sofrimentos e ressurreição dentre os mortos, sua ascensão aos céus e sua segunda vinda em glória; e isto se faz diariamente no santo e divino serviço.

Depois da leitura e instrução o Diácono diz:

XII. Digamos todos: Senhor, tem misericórdia de nós.

Senhor Todo-Poderoso, Deus de nossos pais;

Nós te suplicamos, ouve-nos.

Pela paz que vem do alto, e pela salvação de nossas almas;

Supliquemos ao Senhor.

Pela paz do mundo inteiro, e pela unidade de todas as santas igrejas de Deus;

Supliquemos ao Senhor.

Pela salvação e auxílio de todo o povo que ama a Cristo;

Nós te suplicamos, ouve-nos.

Pela nossa libertação de toda tribulação, ira, perigo, angústia, do cativeiro, da morte amarga, e de nossas iniquidades;

Nós te suplicamos, ouve-nos.

Pelo povo que está em pé diante de ti, aguardando a rica e abundante misericórdia que vem de ti;

Nós te suplicamos, sê misericordioso e piedoso.

Salva o teu povo, ó Senhor, e abençoa a tua herança.

Visita o teu mundo em misericórdia e compaixão.

Exalta o poder dos cristãos pela virtude da cruz preciosa e vivificante.

Nós te suplicamos, Senhor misericordiosíssimo, ouve-nos que oramos a ti, e tem misericórdia de nós.

O Povo (três vezes).

Senhor, tem misericórdia de nós.

O Diácono.

XIII. Pela remissão de nossos pecados, pelo perdão de nossas transgressões, e pela nossa libertação de toda tribulação, ira, perigo e angústia, supliquemos ao Senhor.

Supliquemos todos ao Senhor, para que possamos passar o dia inteiro perfeito, santo, pacífico e sem pecado.

Supliquemos ao Senhor um anjo de paz, um guia fiel, um guardião de nossas almas e corpos.

Supliquemos ao Senhor o perdão e a remissão de nossos pecados e transgressões.

Supliquemos ao Senhor as coisas que são boas e convenientes para nossas almas, e paz para o mundo.

Supliquemos ao Senhor, para que possamos passar o tempo restante de nossa vida em paz e saúde.

Supliquemos que o termo de nossas vidas seja cristão, sem dor e sem vergonha, e que tenhamos boa defesa perante o temível e augusto tribunal de Cristo.

O Sacerdote.

XIV.

Referência atual: Anônimo, Divina Liturgia de São Tiago, A Divina Liturgia de Tiago, o Santo Apóstolo e Irmão do Senhor