Obra patrística
Gênesis
Autor anônimo
Gênesis.
(De Autor Incerto.)
No princípio o Senhor criou O céu e a terra: pois informe era a terra, E oculta pela vaga, e Deus imenso Sobre os vastos plainos aquáticos planava, 5 Enquanto o caos e a negra treva tudo encobriam:
A qual treva, quando Deus mandou que do pólo Fosse apartada, diz: «Faça-se a luz»; e tudo No claro mundo resplandeceu. Então, findo o Senhor A obra do primeiro dia, formou 10 O eixo do céu, alvo de nascentes nuvens: o abismo Imenso recebe suas errantes praias, e atrai Os rios numerosos com caudalosas fileiras.
O terceiro dia, de cor parda, desvendou o rosto da terra, e logo (Atribuído o seu nome) começa a história da terra seca:
15 Juntas, sobre os campinos ventosos, surgem As sementes floridas, e simultaneamente Os ramos frutíferos estendem os braços curvos.
O quarto dia, com a lâmpada do sol gera A lua, e molda os astros com trémula luz 20 Radiante: estes elementos deu por sinais Ao mundo subjacente, para ensinar os tempos Que, pelo seu nascer e ocaso, haviam de mudar.
Então, no quinto, as ondas líquidas recebem Os seus peixes, e as aves sustêm no ar inferior 25 As suas plumas multicores. O sexto, por sua vez, Encurva as serpentes gélidas nas suas espirais, E difunde sobre todos os campos as manadas De quadrúpedes; e mandamento deu que tudo Crescesse com semente multiplicadora, e errasse 30 E se alimentasse na imensidão da terra.
Todas estas coisas, Quando o poder divino por mero mandamento ordenou, Observando que as coisas mundanas ainda careciam de um regente, Assim fala: «Com sumo cuidado, Assimilado ao nosso próprio aspecto, 35 Façamos um homem para reinar em todo o orbe.»
E a este, embora com uma só palavra Pudesse ter composto, contudo dignou-Se Moldá-lo com a Sua própria mão sagrada, Inspirando o seu peito bronco do peito divino.
40 Ao qual, quando viu formado em semelhança tal Como a Sua, considera como ele medita Sobre cuidados corrosivos.