Obra patrística
Poema sobre Sodoma
Autor anônimo
Um Canto de Sodoma.
Já havia Deus Todo-Poderoso apagado Por dilúvio vingador (com águas todas juntas Que o céu despejou sobre a terra e a planície do mar Expeliu) os tempos da idade primeva;
5 Empenhara-Se, enquanto o ar inferior trouxesse Os invernos em seu curso, nunca decretar, Por ruína líquida, a retribuição devida;
E designara, para conter as chuvas, o arco De muitas cores, selando as nuvens com faixa 10 De púrpura e verde, Íris seu nome, O próprio cinturão das nuvens de chuva.
Mas igualmente Com a segunda raça da humanidade a impiedade Revive, e uma nova era de mal outrora Brota; destinada agora não mais a chuvas 15 Para ruína, mas a fogos: assim fez a terra De Sodoma merecer ser por orvalhos ardentes Queimada, e tipicamente assim pressagiar O fim futuro. Ali a volúpia selvagem (Inimiga da modéstia) estava em lugar da lei;
20 A qual o hóspede previdente evitaria, e antes escolheria Aos pés do altar cita ou busiriano, Entre ritos sacros, morrer, e, morto, derramar Seu sangue a Bebrix, ou saciar Palestras líbias, ou assumir novas formas;
25 Por virtude de taças circéias, do que perder Seu sexo ultrajado em Sodoma. Às portas do céu Bateram por vingança as núpcias cometidas Com igual incesto comum entre uma raça Por natureza rebelde contra si mesma; e danos 30 Feitos ao nome e à pessoa do homem igualmente.
Mas Deus, que tudo prevê, no tempo fixado Julga os injustos; com paciência aguardando A hora em que a idade madura do crime — não qualquer força De ira impetuosa — houver circunscrito 35 O espaço para esperar.
Agora por fim o dia Da vingança estava próximo. Enviado do exército Angélico, dois, em forma de jovens, que ambos Eram espíritos ministradores, portando As comissões divinas do Senhor, vêm sob 40 Os muros de Sodoma. Ali habitava Ló, Um trasplante de uma estirpe piedosa;
Sábio e praticante da justiça, Era o único que pensava em Deus:
Como muitas vezes uma árvore frutífera costuma esconder-se, 45 Qual hóspede, em florestas bravias.