Padres e clássicosTertuliano, Sobre a Monogamia, Different Views in Regard to Marriage Held by Heretics, Psychic, and Spiritualists.

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Obra patrística

Sobre a Monogamia

Tertuliano · c. 160–225

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Different Views in Regard to Marriage Held by Heretics, Psychic, and Spiritualists.–Even If the Permission Had Been Given by St. Paul in the Sense Which the Psychics Allege, It Was Merely Like the Mosaic Permission of Divorce--A Condescension to Human Hard-Heartedness.

Diferentes opiniões a respeito do casamento sustentadas por hereges, psíquicos e espiritualistas.

VI. Sobre a Monogamia.

Capítulo I.—Diferentes Opiniões a Respeito do Matrimônio Sustentadas pelos Hereges, Pelos Psíquicos e Pelos Espirituais.

Os hereges desfazem os matrimônios; os Psíquicos os acumulam. Aqueles não se casam nem uma vez; estes não apenas uma vez. Que fazes tu, Lei do Criador? Entre os eunucos estranhos e os teus próprios servos, tu te queixas tanto da obediência excessiva da tua própria casa como do desprezo dos estranhos. Os que te abusam, igual dano te fazem que os que não te usam. Com efeito, nem tal continência é louvável por ser herética, nem tal licença é defensável por ser psíquica. Aquela é blasfema, esta é lasciva; aquela destrói o Deus dos matrimônios, esta O envergonha. Entre nós, porém, a quem o reconhecimento dos dons espirituais autoriza a ser dignamente chamados Espirituais, a continência é tão religiosa quanto a licença é modesta; visto que tanto uma como a outra estão em harmonia com o Criador. A continência honra a lei do matrimônio, a licença a tempera; aquela não é forçada, esta é regulada; aquela reconhece o poder do livre arbítrio, esta reconhece um limite. Admitimos um só matrimônio, assim como um só Deus. A lei do matrimônio ceifa um acréscimo de honra onde está associada ao pudor. Mas para os Psíquicos, visto que não recebem o Espírito, as coisas que são do Espírito não lhes são agradáveis. Assim, enquanto as coisas que são do Espírito não lhes agradam, as coisas que são da carne lhes agradarão, por serem contrárias ao Espírito. «A carne», diz o Apóstolo, «milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne». Mas que desejará a carne, senão o que é mais da carne? Pelo que também, desde o princípio, se alienou do Espírito. «O meu Espírito», diz Deus, «não permanecerá continuamente nestes homens para sempre, porque são carne.»

Os espiritualistas vindicados da acusação de novidade.

E assim lançam em rosto à disciplina da monogamia o ser heresia; nem há outra causa pela qual se vejam compelidos a negar o Paráclito senão o facto de O considerarem como instituidor de uma disciplina nova, e disciplina que julgam mui dura: de modo que este é já o primeiro fundamento sobre o qual devemos travar questão num tratamento geral (da matéria), a saber, se há lugar para sustentar que o Paráclito tenha ensinado algo que possa ser acusado ou de novidade, em oposição à tradição católica, ou de pesadume, em oposição ao “fardo leve” do Senhor.

Ora, acerca de ambos os pontos o próprio Senhor Se pronunciou. Porquanto, ao dizer: “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora; quando vier o Espírito Santo, Ele vos conduzirá a toda a verdade”, suficientemente nos apresenta, sem dúvida, que Ele trará tais (ensinamentos) que possam ser tidos igualmente por novos, como nunca antes publicados, e finalmente por pesados, como se essa fosse a razão por que não foram publicados.

“Segue-se”, dizeis, “que, por esta linha de argumentação, tudo quanto quiserdes, que seja novo e pesado, pode ser atribuído ao Paráclito, ainda que provenha do espírito adversário.” Não, certamente. Pois o espírito adversário se manifestaria pela diversidade da sua pregação, começando por adulterar a regra da fé, e assim (passando a) adulterar a ordem da disciplina; porque a corrupção daquilo que ocupa o primeiro grau (isto é, da fé, que é anterior à disciplina) vem primeiro. Cumpre necessariamente que um homem tenha primeiras opiniões heréticas acerca de Deus, e depois acerca da Sua instituição.

Mas o Paráclito, tendo muitas coisas a ensinar plenamente que o Senhor diferiu até que Ele viesse, (segundo a pré-definição), começará por dar testemunho enfático de Cristo, (como sendo) tal qual O cremos (ser), juntamente com toda a ordem de Deus Criador, e O glorificará, e “trará à memória” a Seu respeito. E, quando assim tiver sido reconhecido (como o Prometido Consolador), com base na regra cardinal, revelará aquelas “muitas coisas” que pertencem às disciplinas; enquanto a integridade da Sua pregação granjeia crédito para estas (revelações), ainda que sejam “novas”, porquanto estão agora em curso de revelação, ainda que sejam “pesadas”, porquanto nem agora são achadas suportáveis: (revelações), contudo, de nenhum outro Cristo senão (Aquele) que disse que tinha também “outras muitas coisas” que haviam de ser plenamente ensinadas pelo Paráclito, não menos pesadas aos homens dos nossos dias do que àqueles por quem elas então “ainda não podiam ser suportadas”.

A questão da novidade, considerada ainda em conexão com as palavras do Senhor e de Seus apóstolos.

Mas, quanto à questão de saber se a monogamia é "onusosa", cuide disso a "infirmidade da carne", ainda desavergonhada; entretanto, cheguemos a um acordo se ela é "nova". Esta afirmação, ainda mais ampla, fazemos: que, ainda que o Paráclito houvesse, em nossos dias, prescrito definitivamente uma virgindade ou continência total e absoluta, de modo a não permitir que o ardor da carne se espumeje nem mesmo no matrimônio único, nem assim Ele pareceria introduzir coisa alguma de "novidade", visto que o próprio Senhor abre "os reinos dos céus" aos "eunucos", sendo Ele mesmo, além disso, virgem; para o qual, olhando, também o Apóstolo — ele próprio, por esta razão, abstinente — dá preferência à continência.

"Sim", dizes tu, "mas salva a lei do matrimônio". Salva-a, claramente, e veremos sob que limitações; contudo, já a destrói, na medida em que dá preferência à continência. "Bom", diz ele, "(é) para o homem não ter contato com mulher." Segue-se que é mau ter contato com ela; pois nada é contrário ao bem senão o mal. E, por conseguinte, (diz ele): "Isto digo, irmãos: o tempo é breve; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se as não tivessem)", para que seja mais obrigatório para os que as não têm abster-se de as ter. Oferece, igualmente, razões para assim aconselhar: que os solteiros cuidam das coisas de Deus, mas os casados, de como, no (seu) matrimônio, cada um agrade ao (seu cônjuge). E eu poderia argumentar que o que é permitido não é absolutamente bom. Pois o que é absolutamente bom não é permitido, mas não necessita de pedido para o tornar lícito. A permissão tem a sua causa, às vezes, até na necessidade. Finalmente, neste caso, não há vontade da parte de quem permite o matrimônio. Pois a sua vontade aponta para outro lado. "Quero", diz ele, "que todos vós sejais como também eu (sou)." E quando mostra que (assim permanecer) é "melhor", que, rogo-te, demonstra ele "querer", senão o que antes apresentou como "melhor"? E assim, se ele permite algo diverso do que "quis" — permite-o não voluntariamente, mas por necessidade — mostra que o que ele concedeu como indulgência, de má vontade, não é absolutamente bom.

Finalmente, quando diz: "Melhor é casar do que abrasar-se", que espécie de bem se deve entender ser esse que é melhor do que uma pena? que não pode parecer "melhor" senão quando comparado a uma coisa muito má? "Bom" é aquilo que conserva este nome por si mesmo; sem comparação — não digo com um mal, mas até — com algum outro bem: de modo que, ainda que seja comparado e ofuscado por outro bem, permanece, contudo, na posse do nome de bem. Se, por outro lado, a comparação com o mal é o meio que o obriga a ser chamado bom; não é tanto "bom" quanto uma espécie de mal inferior, que, quando obscurecido por um mal maior, é impelido ao nome de bem. Tira, enfim, a condição, de modo a não dizer: "Melhor é casar do que abrasar-se"; e duvido que tenhas a audácia de dizer: "Melhor (é) casar", sem acrescentar do que é melhor. Feito isto, então, não se torna "melhor"; e, não sendo "melhor", também não é "bom", uma vez retirada a condição que, ao fazê-lo "melhor" do que outra coisa, nesse sentido o obriga a ser considerado "bom". Melhor é perder um olho do que dois. Se, porém, retirares a comparação de ambos os males, não será melhor ter um olho, porque nem sequer é bom.

Que, agora?, se ele, acomodando-se, concede toda a indulgência para casar com base no seu próprio (isto é, humano) senso, pela necessidade que mencionamos, porquanto "melhor é casar do que abrasar-se"? De fato, quando se volta ao segundo caso, dizendo: "Mas aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor", mostra que aquelas coisas que dissera acima não eram (ditames) da autoridade do Senhor, mas do juízo humano. Quando, porém, volta as suas mentes para a continência ("Mas quero que todos vós sejais como também eu"), "Penso, além disso", diz ele, "que também tenho o Espírito de Deus"; a fim de que, se concedera alguma indulgência por necessidade, ele pudesse, pela autoridade do Espírito Santo, revogá-la. Mas também João, ao aconselhar-nos que "devemos andar como também Ele andou", certamente nos admoestou a andar tanto segundo a santidade da carne (como segundo o Seu exemplo nas demais coisas). Por conseguinte, diz mais manifestamente: "E qualquer que nEle tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro." Pois, ainda noutro lugar, (lemos): "Sede santos, como também Ele foi santo" — na carne, isto é. Pois do Espírito ele não o teria dito, porquanto o Espírito, sem qualquer influência externa, é reconhecido como "santo", nem espera ser admoestado para a santidade, que é a Sua própria natureza. Mas a carne é ensinada na santidade; e essa, além disso, em Cristo, era santa.

Portanto, se todas estas (considerações) obliteram a licença de casar, quer investiguemos a condição sobre a qual a licença é concedida, quer a preferência da continência que é imposta, por que, depois dos Apóstolos, não poderia o mesmo Espírito, sobrevindo para o fim de conduzir a discipulagem a "toda a verdade" através dos graus dos tempos (segundo o que diz o Pregador: "Tudo tem o seu tempo"), impor, por esta altura, um freio final à carne, não já obliquamente chamando-nos para longe do matrimônio, mas abertamente; visto que agora mais (do que nunca) "o tempo se encurtou" — tendo decorrido cerca de cento e sessenta anos desde então? Não ponderarias tu espontaneamente (assim) na tua própria mente: "Esta disciplina é antiga, mostrada de antemão, já naquele tempo primitivo, na carne e na vontade do Senhor, e, sucessivamente depois, tanto nos conselhos como nos exemplos dos Seus Apóstolos? De há muito fomos destinados a esta santidade. Nada de novo introduz o Paráclito. O que Ele premoniu, está (agora) definitivamente a prescrever; o que Ele diferiu, está (agora) a exigir." E, logo, revolvendo estes pensamentos, persuadir-te-ás facilmente de que era muito mais próprio do Paráclito pregar a unidade do matrimônio, Ele que poderia, além disso, ter pregado a sua anulação; e que é mais credível que Ele tenha temperado aquilo que Lhe conviria até ter abolido, se entendes o que é a "vontade" de Cristo. Nisto também deves reconhecer o Paráclito no Seu caráter de Consolador, na medida em que Ele desculpa a tua enfermidade do rigor de uma continência absoluta.

Referência atual: Tertuliano, Sobre a Monogamia, Different Views in Regard to Marriage Held by Heretics, Psychic, and Spiritualists.