Comentário patrístico

Jo 3, 16-18

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

13

Autores distintos

7

Texto do Evangelho

16Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho unigênito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou seu Filho ao mundo, para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

13

Se fosse apenas uma criatura entregue por causa de uma criatura, uma perda tão pobre e insignificante não seria grande prova de amor. Devem ser coisas preciosas as que provam o nosso amor, grandes coisas devem evidenciar a sua grandeza. Deus, por amor ao mundo, deu o Seu Filho, não um Filho adotivo, mas o Seu próprio, ainda o Seu Unigênito. Eis aqui a verdadeira filiação, o nascimento, a verdade: nenhuma criação, nenhuma adoção, nenhuma mentira: eis aqui a prova do amor e da caridade: que Deus enviou o Seu próprio e unigênito Filho para salvar o mundo.

Santo Hilário de Poitiers · Hilarius de Trin · c. 310–367

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Ou assim: No último juízo, alguns perecem sem serem julgados, dos quais aqui se diz: Quem não crê já está condenado. Pois o dia do juízo não julga aqueles que, por incredulidade, já estão banidos da vista do justo juiz e sob sentença de condenação; mas aqueles que, retendo a profissão da fé, não têm obras que correspondam a essa profissão. Pois aqueles que não guardaram nem mesmo os sacramentos da fé não ouvem sequer a maldição do Juiz no último julgamento. Já receberam, nas trevas da sua incredulidade, a sua sentença, e não são considerados dignos de serem argüidos pela repreensão d'Aquele a quem desprezaram. Assim também um soberano terreno, no governo do seu estado, tem uma regra de punição diferente para o súdito desafeiçoado e para o rebelde estrangeiro. No primeiro caso, consulta a l…

São Gregório Magno · Gregorius Moralium · c. 540–604

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Verdadeiramente pelo Filho de Deus o mundo terá vida; pois por nenhuma outra causa veio Ele ao mundo, senão para salvar o mundo. Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo por Ele fosse salvo.

Beato Alcuíno de Iorque · c. 735–804

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Aquele que crê n'Ele, e se apega a Ele como membro à cabeça, não será condenado.

Beato Alcuíno de Iorque · c. 735–804

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Ele então dá a razão pela qual quem não crê é condenado, isto é, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus. Pois neste nome somente há salvação. Deus não tem muitos filhos que possam salvar; Aquele por quem Ele salva é o Unigênito.

Beato Alcuíno de Iorque · c. 735–804

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Notai aqui que o mesmo que antes dissera do Filho do homem, levantado na cruz, repete do unigênito Filho de Deus, a saber: que todo o que crê nele, &c. Porque o mesmo nosso Criador e Redentor, que era Filho de Deus antes do mundo, foi feito no fim do mundo Filho do homem; de modo que Aquele que pelo poder da sua Divindade nos criara para gozarmos a felicidade de uma vida sem fim, o mesmo nos restituiu à vida que havíamos perdido, tomando sobre si a nossa humana fragilidade.

São Beda, o Venerável · c. 672–735

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Assim como Ele disse acima, que o Filho do homem desceu do céu, não querendo dizer que a sua carne descera do céu, por causa da unidade de pessoa em Cristo, atribuindo ao homem o que pertencia a Deus: assim agora, inversamente, o que pertence ao homem, Ele atribui a Deus o Verbo. O Filho de Deus era impassível; mas sendo um só em respeito da pessoa com o homem que era passível, diz-se que o Filho foi entregue à morte, na medida em que verdadeiramente padeceu, não na sua própria natureza, mas na sua própria carne. Desta morte segue-se um benefício sobremaneira grande e incompreensível, a saber: que todo aquele que crê nEle não pereça, mas tenha a vida eterna. O Antigo Testamento prometia aos que lhe obedeciam a longura de dias; o Evangelho promete a vida eterna e incorruptível.

Teofilacto de Ócrida · c. 1055–1107

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Pois por que é Ele chamado Salvador do mundo, senão porque salva o mundo? O médico, no que diz respeito à sua vontade, cura o doente. Se o doente despreza ou não quer observar as instruções do médico, ele se destrói a si mesmo.

Santo Agostinho · Augustinus in Ioannem · c. 354–430

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Que esperáveis que Ele dissesse daquele que não crê, senão que está condenado? Contudo, atentai para as Suas palavras: Quem não crê já está condenado. O Juízo ainda não apareceu, mas já foi dado. Porque o Senhor conhece os que são Seus; quem espera a coroa e quem o fogo.

Santo Agostinho · c. 354–430

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Onde, pois, colocamos as crianças batizadas? Entre os que crêem? Isto lhes é adquirido pela virtude do Sacramento e pelas promessas dos padrinhos. E por esta mesma regra consideramos os que não são batizados entre os que não crêem.

Santo Agostinho · Augustinus de Peccat. Mer. et Remiss · c. 354–430

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Tendo dito: Assim importa que o Filho do homem seja levantado, aludindo à sua morte, para que o seu ouvinte não se abatesse com suas palavras, formando algum conceito humano dele, e pensando na sua morte como um mal, corrige isso dizendo que aquele que era entregue à morte era o Filho de Deus, e que a sua morte seria a fonte da vida eterna: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu unigênito Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna; como se dissesse: Não vos maravilheis de que eu deva ser levantado, para que sejais salvos; porque assim parece bem ao Pai, que tanto vos amou, que deu o seu Filho para padecer por servos ingratos e descuidados. O texto “Deus amou o mundo de tal maneira” mostra a intensidade do amor. Pois grande e infinita é a dis…

São João Crisóstomo · Chrysostomus in Ioannem · c. 347–407

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Contudo, porque ele diz isso, os homens preguiçosos, na multidão dos seus pecados e excesso de descuido, abusam da misericórdia de Deus e dizem: Não há inferno, nem pena; Deus nos perdoa todos os pecados. Mas lembremo-nos de que há duas vindas de Cristo; uma passada, outra futura. A primeira não foi para julgar, mas para nos perdoar; a segunda será não para perdoar, mas para nos julgar. É da primeira que ele diz: Não vim para julgar o mundo. Porque ele é misericordioso, em vez de juízo, concede uma remissão interior de todos os pecados pelo batismo; e mesmo depois do batismo nos abre a porta da penitência, a qual, se ele não fizesse, todos estariam perdidos; porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Depois, contudo, segue-se algo acerca da pena dos incrédulos, para nos ad…

São João Crisóstomo · Chrysostomus in Ioannem · c. 347–407

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Ou o sentido é que a própria incredulidade é o castigo dos impenitentes: porquanto isso é estar sem luz, e estar sem luz é de si mesmo o maior castigo. Ou Ele está anunciando o que há de ser. Embora um homicida não seja ainda sentenciado pelo Juiz, contudo o seu crime já o condenou. Do mesmo modo, quem não crê, está morto, assim como Adão, no dia em que comeu da árvore, morreu.

São João Crisóstomo · c. 347–407

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