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Lc 17, 10

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Autores distintos

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Matos Soares

10Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que voe foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer."

Matos Soares · domínio público

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Comentário direto

9

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Santo Agostinho

Ou ainda: Para muitos que não entendem esta fé na verdade já presente, Nosso Senhor poderia parecer não ter respondido às petições de Seus discípulos. E aparece uma dificuldade na conexão aqui, a menos que suponhamos que Ele significava a mudança de fé para fé, daquela fé, a saber, pela qual servimos a Deus, para aquela pela qual O gozamos. Pois então nossa fé será aumentada quando primeiro cremos na palavra pregada, depois na realidade presente. Mas aquela contemplação gozosa possui paz perfeita, que nos é dada no reino eterno de Deus. E aquela paz perfeita é a recompensa daqueles labores justos, que são realizados na administração da Igreja. Seja então o servo no campo arando ou apascentando, isto é, nesta vida, ou seguindo seus negócios mundanos, ou servindo a homens insensatos, como qu…

Santo Agostinho · Augustinus de quaest. Evang · c. 354–430

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Santo Agostinho

Enquanto Seus servos também estão ministrando, isto é, pregando o Evangelho, Nosso Senhor come e bebe a fé e confissão dos gentios. Segue-se: E depois comereis e bebereis. Como se dissesse: Depois que Eu me deleitei com a obra de vossa pregação, e me refiz com o manjar escolhido de vossa compunção, então finalmente ireis vós e vos banquetear eternamente com o banquete eterno da sabedoria.

Santo Agostinho · Augustinus de quaest. Evang · c. 354–430

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Teofilacto de Ócrida

Porque a fé faz do seu possuidor um guarda dos mandamentos de Deus e o adorna com obras maravilhosas; dali pareceria que um homem poderia cair no pecado do orgulho. Portanto, nosso Senhor preveniu os Seus Apóstolos com um exemplo adequado, para que não se gloriassem nas suas virtudes, dizendo: 'Mas qual de vós, tendo um servo que lavra, &c.'

Teofilacto de Ócrida · c. 1055–1107

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São Cirilo de Alexandria

Nosso Senhor nos ensina que não é mais do que o justo e próprio direito de um senhor exigir, como obrigação devida, a sujeição dos servos, acrescentando: «Porventura agradece ele àquele servo porque fez o que lhe foi mandado? Cuido que não.» Eis, pois, cortada a enfermidade da soberba. Por que te glorias? Sabes tu que, se não pagares a tua dívida, o perigo está iminente; mas, se pagares, nada fazes digno de agradecimento? Como diz São Paulo: «Porque, posto que eu pregue o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois a necessidade me é imposta; sim, ai de mim se não pregar o Evangelho.» Observa, então, que os que têm domínio entre nós não agradecem aos seus súditos quando estes cumprem o serviço que lhes foi designado, mas, conquistando pela bondade as afeições do seu povo, geram neles maio…

São Cirilo de Alexandria · c. 376–444

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Santo Ambrósio de Milão

Porque sabemos que ninguém se assenta antes de ter primeiro passado além. Na verdade, Moisés também passou além para ver uma grande visão. Visto que tu não somente dizes a teu servo: Assenta-te para comer, mas exiges dele outro serviço, assim também nesta vida o Senhor não tolera a execução de uma só obra e trabalho, porque enquanto vivemos devemos sempre trabalhar. Portanto, segue-se: E não lhe dirá antes: Prepara o que hei de ceiar?

Santo Ambrósio de Milão · c. 337–397

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Santo Ambrósio de Milão

Não vos glorieis, pois, de haverdes sido bom servo. Fizestes o que devíeis fazer. O sol obedece, a lua se submete, os anjos estão sujeitos; não busquemos, pois, louvor de nós mesmos. Por isso Ele acrescenta em conclusão: Assim também vós, quando tiverdes feito todas as boas obras, dizei: Somos servos inúteis, fizemos o que nos cumpria fazer.

Santo Ambrósio de Milão · c. 337–397

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São Beda, o Venerável

Ou o servo se retira do campo quando, abandonando por um tempo a obra da pregação, o mestre se recolhe em sua própria consciência, ponderando dentro de si seus próprios ditos ou feitos. A quem nosso Senhor não diz logo: «Vai desta vida mortal e assenta-te à mesa», isto é, recria-te no eterno lugar de repouso de uma vida bem-aventurada.

São Beda, o Venerável · c. 672–735

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São Beda, o Venerável

Manda que prepare o que possa cear, isto é, depois dos trabalhos da pregação pública, manda que se humilhe no exame de si mesmo. Com tal ceia deseja o Senhor ser alimentado. Mas cingir-se é recolher o espírito que estava enlaçado no vil novelo dos pensamentos flutuantes, pelos quais seus passos na causa das boas obras costumam embaraçar-se. Pois quem cinge as vestes fá-lo para que, ao andar, não tropece. Mas ministrar a Deus é reconhecer que não temos força sem o auxílio da sua graça.

São Beda, o Venerável · c. 672–735

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São Beda, o Venerável

Servos, digo, porque comprados por preço; inúteis, porque o Senhor não necessita de nossos bens, ou porque os sofrimentos do tempo presente não são dignos de ser comparados com a glória que se há de revelar em nós. Nisto, pois, consiste a fé perfeita dos homens: quando, tendo feito todas as coisas que lhes foram mandadas, se reconhecem imperfeitos.

São Beda, o Venerável · c. 672–735

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a justiça não é uma virtude. Pois está escrito (Lc 17,10): "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer." Ora, não é inútil fazer uma ação virtuosa; pois Ambrósio diz (De Officiis II, 6): "Olhamos para um lucro que não se mede pelo ganho pecuniário, mas pela aquisição da piedade." Portanto, fazer o que se deve fazer não é uma ação virtuosa. E, contudo, é um ato de justiça. Logo, a justiça não é uma virtude. Objeção 2: Ademais, o que é feito por necessidade não é meritório. Ora, restituir a cada um o que lhe pertence, como exige a justiça, é necessário. Logo, não é meritório. Contudo, é pelas ações virtuosas que ganhamos mérito. Portanto, a justiça não é uma virtude. Objeção 3: Ademais, toda…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que se pode ter caridade sem as virtudes morais. Pois, quando uma coisa basta para um certo fim, é supérfluo empregar outras. Ora, a caridade por si só basta para o cumprimento de todas as obras de virtude, como se vê em 1 Cor 13,4 ss.: «A caridade é paciente, é benigna», etc. Logo, parece que, se alguém tem caridade, as outras virtudes são supérfluas. Objeção 2: Ademais, aquele que possui o hábito de uma virtude realiza facilmente as obras dessa virtude, e essas obras lhe são agradáveis por si mesmas; por isso, «o prazer que se tem numa obra é sinal de hábito» (Ética ii, 3). Ora, muitos têm caridade, estando livres de pecado mortal, e contudo acham difícil fazer obras de virtude; nem essas obras lhes são agradáveis por si mesmas, mas somente por amor da caridade. Logo,…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que o homem nada pode merecer de Deus. Porque ninguém, ao que parece, merece dando a outro o que lhe é devido. Ora, por todo o bem que fazemos, não podemos retribuir suficientemente a Deus, pois ainda mais Lhe é devido, como também diz o Filósofo (Ética viii, 14). Donde está escrito (Lc 17,10): «Assim também vós, depois de haverdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.» Logo, o homem nada pode merecer de Deus. Objeção 2: Ademais, parece que o homem nada merece de Deus por aquilo que aproveita somente a si mesmo, e nada aproveita a Deus. Ora, agindo bem, o homem aproveita a si mesmo ou a outro homem, mas não a Deus, pois está escrito (Jó 35,7): «Se tu procederes justamente, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mã…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria possível ter caridade sem as virtudes morais. Pois, quando uma coisa basta para um certo fim, é supérfluo empregar outras. Ora, a caridade por si só basta para o cumprimento de todas as obras de virtude, como é claro em 1 Coríntios 13,4 e seguintes: "A caridade é paciente, é benigna", etc. Portanto, parece que, se alguém tem caridade, as outras virtudes são supérfluas. **Objeção 2:** Ademais, aquele que tem o hábito de uma virtude facilmente realiza as obras dessa virtude, e essas obras lhe são aprazíveis por si mesmas; daí que "o prazer tomado na obra é sinal de hábito" (Ética a Nicômaco II, 3). Ora, muitos têm caridade, estando livres de pecado mortal, e contudo acham difícil fazer obras de virtude; nem essas obras lhes são aprazíveis por si mesmas, mas somente…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

Mas nisto é necessário saber que até mesmo a Deus, que certamente não é ‘impotente’, ajudamos agindo com humildade. E por isso é dito por Paulo: Porque somos cooperadores de Deus. (1 Cor 3, 9) Pois quando àquele a quem Ele mesmo penetra interiormente pela graça, nós contribuímos pela voz da exortação, isto que Ele por meio do Espírito realiza interiormente, nós exteriormente pelo ofício da voz assistimos, e então somente nossa exortação é levada a termo, quando Deus estava no coração para ser ajudado. Por isso diz em outro lugar: Portanto, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento. (ib. 7) Pois ‘plantar’ e ‘rega’ é ‘ajudar’; ambos serão vã ministração se no coração Deus ‘não der o crescimento’. Mas aqueles que têm altos pensamentos de seu próprio poder…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 27 · c. 540–604

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que o homem não pode merecer nada de Deus. Pois ninguém, ao que parece, merece dando a outro o que lhe é devido. Ora, com todo o bem que fazemos, não podemos retribuir suficientemente a Deus, pois ainda mais lhe é devido, como também diz o Filósofo (Ética, VIII, 14). Donde está escrito (Lc 17,10): «Assim vós também, depois de terdes feito todas estas coisas que vos foram mandadas, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.» Logo, o homem nada pode merecer de Deus. Objeção 2: Ademais, parece que o homem nada merece de Deus pelo que só a si aproveita e a Deus em nada aproveita. Ora, agindo bem, o homem aproveita a si ou a outro homem, mas não a Deus, pois está escrito (Jó 35,7): «Se procedes com justiça, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?» Logo,…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

62. Porque é, de fato, perfeita sabedoria que um homem faça todas estas coisas com cuidado ansioso, e saiba que nada é pelos seus próprios méritos. Donde até as próprias nuvens são instruídas nesta perfeita sabedoria, quando lhes é dito pela voz da Verdade: «Quando houverdes feito todas estas coisas que vos foram mandadas, dizei: Somos servos inúteis» (Luc. 17, 10). É perfeita sabedoria saber todas as coisas, e contudo, de certo modo, ignorar o próprio saber; pela qual, embora já conheçamos os preceitos de Deus, embora pesemos agora com atenção ansiosa a força das Suas palavras, embora façamos aquelas coisas que cremos ter entendido; contudo ainda não sabemos com que rigor de exame estas obras serão depois inquiridas, nem ainda vemos a face de Deus, nem contemplamos os Seus conselhos ocult…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 62 · c. 540–604

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