Seis encontros com o testemunho eucarístico dos Padres, de Inácio de Antioquia (início do séc. II) à mistagogia de Cirilo de Jerusalém e Ambrósio (séc. IV).
Sobre esta trilha
Muito antes de qualquer definição conciliar, os cristãos já falavam da Eucaristia como carne e sangue de Cristo. Esta trilha percorre esse testemunho na ordem em que ele aparece na história.
Visão geral da trilha
Para quem é
Para quem quer conhecer as fontes antigas da fé eucarística: estudo pessoal, grupos e catequese de adultos.
estudo pessoal · grupo pequeno · catequese
Ao final, você será capaz de
Situar no tempo o testemunho eucarístico dos Padres, do séc. II ao séc. IV.
Explicar por que Inácio e Irineu ligam Eucaristia, encarnação e ressurreição da carne.
Reconhecer a distinção entre alimento comum e Eucaristia como ela foi formulada por Justino.
Apresentar a catequese mistagógica de Cirilo e Ambrósio a quem se prepara para os sacramentos.
Distinguir testemunho patrístico de definição conciliar ao citar estes Padres.
Ritmo sugerido
Um encontro por semana, cerca de 100 minutos no total. Cada sessão fica em um único Padre.
Pré-requisitos
Nenhum pré-requisito. Ajuda ter lido o dossiê sobre a Eucaristia.
Inácio de Antioquia: uma só Eucaristia, a carne do Salvador
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Abertura em oração
Senhor Jesus, que Vos destes por nós em vossa carne, dai-nos reconhecer-Vos na Eucaristia e permanecer na unidade da vossa Igreja.
Objetivo da etapa
Reconhecer, no testemunho mais antigo depois dos apóstolos, a fé na presença real e o vínculo entre Eucaristia e unidade da Igreja.
Síntese
A caminho do martírio, por volta do ano 107, Inácio adverte contra os que "se abstêm da Eucaristia e da oração, porque não confessam ser a Eucaristia a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados". A recusa da Eucaristia é, para ele, sinal de uma recusa mais funda: a de que Deus tenha realmente assumido a carne. Na mesma linha, exorta a "ter uma só Eucaristia, porque há uma só carne do nosso Senhor Jesus Cristo, e um só cálice... um só altar; como há um só bispo".
Pergunta de reflexão
Inácio não separa doutrina e comunhão: quem se afasta da carne de Cristo acaba por afastar-se do corpo eclesial reunido em torno do bispo. O que hoje chamaríamos de "questão teológica" era, para ele, questão de vida.
· Por que Inácio liga a recusa da Eucaristia à recusa da encarnação?
· O que significa, na prática, "uma só Eucaristia... um só altar"?
· Que peso tem este testemunho ser do início do século II?
Fontes para ler
Santo Inácio de Antioquia
Patrístico
Santo Inácio de Antioquia · Seven Epistles of Ignatius — Short Recension · Chapter VII.—Let us stand aloof from such heretics. · c. 35–108
Eles se abstêm da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados, e a qual o Pai, por sua bondade, ressuscitou. Aqueles, portanto, que falam contra este dom de Deus, incorrem em morte no meio das suas contendas. Mas melhor lhes fora tratá-lo com reverência, para que também eles ressuscitassem. Convém, portanto, que vos afasteis de tais pessoas, e não faleis delas nem em particular nem em público, mas que deis atenção aos profetas e, acima de tudo, ao Evangelho, no qual a Paixão [de Cristo] nos foi revelada e a ressurreição foi plenamente comprovada. Mas evitai todas as divisões, como princípio de males.
Inácio adverte contra os que "se abstêm da Eucaristia... porque não confessam ser a Eucaristia a carne de nosso Salvador Jesus Cristo".
Santo Inácio de Antioquia
Patrístico
Santo Inácio de Antioquia · Seven Epistles of Ignatius — Short Recension · Chapter IV.—Have but one Eucharist, etc. · c. 35–108
Cuidai, pois, de ter uma só Eucaristia. Porque uma só é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, e um só cálice para [manifestar] a unidade do Seu sangue; um só altar; assim como um só é o bispo, juntamente com o presbitério e os diáconos, meus companheiros de serviço; para que, tudo quanto fizerdes, o façais segundo [a vontade de] Deus.
"Cuidai, pois, em ter uma só Eucaristia. Porque há uma só carne do nosso Senhor Jesus Cristo, e um só cálice... um só altar; como há um só bispo."
Atividade
Ler em voz alta os dois trechos de Inácio e sublinhar as palavras que indicam realidade (carne, sangue, cálice, altar).
Resumo para memorizar
Já por volta de 107, a Eucaristia é confessada como a carne do Salvador e como sinal da unidade da Igreja.
Durante a semana, ao participar da Missa, rezar pela unidade da Igreja antes da comunhão.
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A próxima etapa aprofunda este caminho de formação.
Esta primeira etapa permanece inteira como amostra. A trilha completa faz parte do Premium e continua com leitura acompanhada, fontes comentadas e progresso salvo para você estudar sem perder a sequência.
· Leituras e fontes completas por etapa
· Perguntas de reflexão e sínteses progressivas
· Continuidade do percurso e progresso salvo
· Roteiros e recursos para catequese quando disponíveis
Ver como um cristão do séc. II explicava a Eucaristia a quem estava de fora, distinguindo-a do alimento comum.
Esta etapa inclui: oração · fontes · perguntas para grupo · atividade · guia de encontro
Na Primeira Apologia, dirigida ao imperador, Justino descreve o que os cristãos fazem: chamam esse alimento de "Eucaristia", e dele só participa quem crê nas verdades ensinadas e foi lavado no batismo. Ele explica que não se recebe aquilo "como pão comum e bebida comum", e liga o rito à instituição por Cristo.
A próxima etapa faz parte do Premium e continua este caminho com síntese, fontes e exercícios de estudo.
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Compreender o argumento de Irineu que une Eucaristia, verdade da encarnação e ressurreição da carne.
Esta etapa inclui: oração · fontes · perguntas para grupo · atividade · guia de encontro
Contra os que desprezavam a matéria, Irineu argumenta que Cristo, ao exibir-nos a sua verdadeira carne e derramar o seu verdadeiro sangue, conferiu à nossa carne a capacidade de salvação. E apresenta a oblação da Igreja como o sacrifício puro e aceitável anunciado por Malaquias — sem que Deus necessite dos dons oferecidos.
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Cipriano de Cartago: o cálice misturado e o pão de cada dia
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Acompanhar a reflexão de um bispo do séc. III sobre a matéria do sacramento e sobre a Eucaristia como alimento diário.
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Escrevendo a Cecílio, Cipriano insiste que "o cálice do Senhor não é somente água, ou somente vinho, mas ambos são misturados; assim o Corpo do Senhor não pode ser somente farinha, ou somente água, mas ambos são combinados". Em outro lugar, comentando o Pai-Nosso, ensina que "Cristo é o pão da vida" e que os que estão em Cristo recebem diariamente a Eucaristia "como alimento de salvação".
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Entrar na catequese mistagógica dirigida aos recém-batizados sobre o Corpo e o Sangue de Cristo.
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Na Palestra Mistagógica IV, Cirilo instrui os neófitos: "com plena certeza participemos como do Corpo e do Sangue de Cristo: pois na figura do Pão é-te dado o seu Corpo, e na figura do Vinho o seu Sangue". E adverte: "considera, pois, o Pão e o Vinho não como elementos simples, pois são, segundo a declaração do Senhor, o Corpo e o Sangue de Cristo... julga a matéria não pelo paladar, mas pela fé".
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Ambrósio de Milão: mais antigo que os ritos, melhor que o maná
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Ver a mistagogia latina reunir figura bíblica, mudança e efeito do sacramento.
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Em De Mysteriis, Ambrósio mostra que a mesa do Senhor é de mais alta antiguidade que os ritos judaicos, pois foi prefigurada no sacrifício de Melquisedeque, e é melhor que o maná, "por ser o Corpo de Cristo". E, para que ninguém "vacile na fé por observar a parte exterior", aduz exemplos em que a natureza exterior foi mudada, concluindo que o pão se faz o verdadeiro corpo de Cristo.
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