Não diz: um galardão da parte de um profeta ou de um justo, mas o galardão de um profeta ou de um justo. Pois o profeta é talvez um homem justo, e quanto menos possui neste mundo, tanto maior confiança tem em falar em favor da justiça. Aquele que possui dos bens deste mundo, ao sustentar tal homem, faz-se livre participante da sua justiça, e há de receber o galardão da justiça juntamente com aquele a quem auxiliou sustentando-o. Está cheio do espírito de profecia, mas falta-lhe o sustento corporal, e, se o corpo não for sustentado, é certo que a voz há de faltar. Quem, pois, dá ao profeta alimento, dá-lhe força para falar; portanto, juntamente com o profeta há de receber o galardão do profeta, quando mostrar diante da face de Deus que liberalidade lhe demonstrou.
São Gregório Magno · Hom. in Ev., xx, 12 · c. 540–604
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