Este relato dos dois cegos e do demônio mudo lê-se somente em Mateus. Os dois cegos de que os outros falam não são os mesmos que estes, ainda que algo semelhante se tenha feito com eles. De modo que, mesmo se Mateus não houvesse também registrado a sua cura, poderíamos ter visto que esta presente narrativa era de um fato diverso. E isto devemos diligentemente lembrar: que muitas ações de Nosso Senhor são muito semelhantes umas às outras, mas se provam não ser a mesma ação, por serem ambas relatadas em tempos diversos pelo mesmo Evangelista. De sorte que, quando encontrarmos casos em que um é registrado por um Evangelista, e outro por outro, e alguma diferença que não possamos conciliar entre os seus relatos, devemos supor que são acontecimentos semelhantes, mas não os mesmos.
Santo Agostinho · De Cons. Evan. ii, 29 · c. 354–430
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