Santo Ambrósio de Milão
PatrísticoSanto Ambrósio de Milão · c. 337–397
A Escritura com razão mencionou que ela estava desposada, bem como virgem — virgem, para que parecesse isenta de todo contato com homem; desposada, para que não fosse marcada com a desonra de uma virgindade maculada, cujo ventre intumescido parecia trazer sinais evidentes de corrupção. Mas o Senhor preferiu que os homens lançassem dúvida sobre o Seu nascimento a que a lançassem sobre a pureza de Sua mãe. Ele sabia quão delicado é o pudor de uma virgem, e quão facilmente é assaltada a reputação de sua castidade, e não julgou que a credibilidade do Seu nascimento devia ser edificada sobre as injúrias feitas à Sua mãe. Segue-se, portanto, que a virgindade da santa Maria foi de pureza tão imaculada quanto foi também de reputação sem mácula. Nem convém que, por opinião errônea, reste às virgens que vivem no século sequer a sombra de um pretexto, pelo fato de que a mãe do nosso Senhor pareceu ser mal falada. Mas o que poderia ser imputado aos judeus, ou a Herodes, se parecessem ter perseguido uma prole adúltera? E como poderia Ele mesmo dizer: *Não vim destruir a Lei, mas cumpri-la*, se parecesse ter tido o Seu princípio de uma violação da Lei, visto que a prole de pessoa solteira é condenada pela Lei? Sem acrescentar que assim também maior crédito é dado às palavras de Maria, e afastada a ocasião de falsidade? Pois poderia parecer que, ficando grávida sendo solteira, ela houvesse desejado encobrir a sua culpa com uma mentira; mas uma mulher desposada não tem razão para mentir, já que para as mulheres o parto é o galardão do matrimônio, a graça do leito conjugal. Além disso, a virgindade de Maria foi destinada a iludir o príncipe deste mundo, que, ao percebê-la desposada a um homem, não podia lançar suspeita alguma sobre a sua prole.
Ambrósio lê no sim de Maria o início da nossa redenção: o consentimento da fé abre caminho à encarnação.