Obra patrística
O Pastor de Hermas
Hermas
IV, 9–IV, 10
Similitude Nona. Os grandes mistérios na edificação da Igreja militante e triunfante.
Depois de eu ter escrito os mandamentos e as similitudes do Pastor, o anjo do arrependimento, ele veio a mim e disse: "Desejo explicar-te aquilo que o Espírito Santo que falou contigo sob a forma da Igreja te mostrou, pois esse Espírito é o Filho de Deus. Porque, como tu eras algo fraco na carne, não te foi explicado pelo anjo. Quando, porém, foste fortalecido pelo Espírito, e tua força foi aumentada, de sorte que pudesses também ver o anjo, então conforme isso te foi mostrada a construção da torre pela Igreja. De maneira nobre e solene viste tudo como se te fosse mostrado por uma virgem; mas agora vês por meio do mesmo Espírito como se te fosse mostrado por um anjo. Deves, todavia, aprender tudo de mim com maior exatidão. Porque fui enviado para este fim pelo anjo glorioso a habitar em tua casa, para que vejas todas as coisas com poder, sem nenhum temor, assim como era antes." E ele me levou para Arcádia, a um monte redondo; e me colocou no cume do monte, e me mostrou uma grande planície, e ao redor da planície doze montes, todos tendo formas diferentes. O primeiro era negro como fuligem; e o segundo árido, sem relva; e o terceiro cheio de espinhos e cardos; e o quarto com relva meio murcha, as partes superiores das plantas verdes, e as partes junto às raízes murchas; e algumas das relvas, quando o sol as queimava, ficavam murchas. E o quinto monte tinha relva verde e era áspero. E o sexto monte estava cheio de fendas, algumas pequenas e outras grandes; e as fendas eram relváticas, mas as plantas não eram muito vigorosas, mas antes, como que, decaídas. O sétimo monte, novamente, tinha pastagens alegres, e o monte todo estava florescente, e toda espécie de gado e pássaros se alimentavam sobre aquele monte; e quanto mais o gado e os pássaros comiam, mais a relva daquele monte florescia. E o oitavo monte estava cheio de fontes, e toda espécie de criaturas do Senhor bebiam das fontes daquele monte. Mas o nono monte não tinha água alguma, e era totalmente um deserto, e tinha dentro dele serpentes mortíferas, que destroem os homens. E o décimo monte tinha árvores muito grandes, e era completamente sombreado, e sob a sombra das árvores ovelhas repousavam e ruminavam. E o décimo primeiro monte era muito densamente arborizado, e aquelas árvores eram produtivas, sendo adornadas com várias espécies de frutos, de modo que qualquer um que as visse desejaria comer de seus frutos. O décimo segundo monte, novamente, era totalmente branco, e seu aspecto era alegre, e o monte em si era muito belo.
E no meio da planície mostrou-me uma grande pedra branca que havia surgido da planície. E a pedra era mais elevada do que as montanhas, rectangular na forma, de modo a ser capaz de conter o mundo inteiro: e aquela pedra era antiga, tendo uma porta aberta nela; e o abrir da porta pareceu-me como se recentemente feito. E a porta brilhava de tal modo sob os raios do sol, que maravilhei-me do esplendor da porta; e ao redor da porta estavam de pé doze virgens. As quatro que estavam nos ângulos pareciam-me mais distintas do que as outras—todas eram, porém, distintas—e estavam de pé nos quatro lados da porta; duas virgens entre cada lado. E estavam vestidas com túnicas de linho, e graciosamente cingidas, tendo os ombros direitos descobertos, como se estivessem para levar algum fardo. Assim estavam prontas; pois eram exceedentemente alegres e atarefadas. Depois que vi estas coisas, maravilhei-me em mim mesmo, porque estava contemplando grandes e gloriosas sights. E novamente estava perplexo acerca das virgens, porque, ainda que tão delicadas, estavam de pé corajosamente, como se estivessem para levar todos os céus. E o Pastor disse-me: "Por que estais raciocinando em vós mesmo, e perturbando vossa mente, e angustiando-vos? pois as coisas que não podeis compreender, não tenteis compreender, como se fôsseis sábios; mas pedí ao Senhor, para que recebais entendimento e as conheçais. Não podeis ver o que está atrás de vós, mas vedes o que está diante. Qualquer coisa, pois, que não possais ver, deixai estar, e não vos atormenteis acerca dela: mas o que vedes, tornai-vos senhor dele, e não desperdiceis vosso trabalho acerca de outras coisas; e eu vos explicarei tudo quanto vos mostro. Olhai, portanto, as coisas que permanecem."
Vi vir seis homens, altos, e distintos, e similares na aparência, e chamaram uma multidão de homens. E os que vieram eram também homens altos, e formosos, e poderosos; e os seis homens lhes mandaram edificar uma torre acima da pedra. E grande era o ruído daqueles homens que vieram para edificar a torre, conforme corriam para lá e para cá ao redor da porta. E as virgens que estavam ao redor da porta disseram aos homens que se apressassem a edificar a torre. Ora, as virgens tinham estendido as mãos, como se para receber algo dos homens. E os seis homens mandaram às pedras que subissem de uma certa cova, e que fossem para a edificação da torre. E subiram dez pedras rectangulares brilhantes, não lavradas em pedreiras. E os seis homens chamaram as virgens, e mandaram-lhes que levassem todas as pedras que eram destinadas para a edificação, e que passassem pela porta, e as dessem aos homens que estavam para edificar a torre. E as virgens colocaram umas sobre as outras as dez primeiras pedras que tinham subido da cova, e as levaram juntamente, cada pedra por si.
E enquanto estavam juntos ao redor da porta, aqueles que pareciam ser fortes os levantavam, e se inclinavam sob os ângulos da pedra; e os outros se inclinavam sob os lados das pedras. E deste modo levavam todas as pedras. E as levavam através da porta conforme lhes havia sido ordenado, e as davam aos homens para a torre; e eles tomavam as pedras e prosseguiam na construção. Ora, a torre era edificada sobre a grande rocha, e acima da porta. Aquelas dez pedras foram preparadas como fundamento para a edificação da torre. E a rocha e a porta eram o sustentáculo de toda a torre. E depois das dez pedras outras vinte e cinco subiram do abismo, e estas foram ajustadas na edificação da torre, sendo levadas pelas virgens como antes. E depois destas subiram trinta e cinco. E estas de semelhante modo foram ajustadas na torre. E depois destas outras quarenta pedras subiram; e todas estas foram lançadas na edificação da torre, e havia quatro fileiras no fundamento da torre. E cessaram de subir do abismo. E também os construtores cessaram por um pouco. E novamente os seis homens mandaram à multidão da multidão que levasse pedras das montanhas para a edificação da torre. Foram portanto trazidas de todas as montanhas de várias cores, e sendo lavradas pelos homens foram dadas às virgens; e as virgens as levavam através da porta, e as davam para a edificação da torre. E quando as pedras de várias cores foram postas na edificação, todas se tornaram brancas do mesmo modo, e perderam suas cores diferentes. E certas pedras foram dadas pelos homens para a edificação, e estas não se tornaram resplandecentes; mas conforme foram postas, assim também se acharam permanecer: pois não foram dadas pelas virgens, nem levadas através da porta. Estas pedras, portanto, não estavam em harmonia com as outras na edificação da torre. E os seis homens, vendo estas pedras inconvenientes na edificação, mandaram que fossem tiradas, e que fossem levadas embora para seu próprio lugar donde tinham sido tiradas; e sendo removidas uma por uma, foram postas de lado; e dizem aos homens que trouxeram as pedras, Não tragais pedra alguma para a edificação, mas deitai-as junto à torre, para que as virgens as possam levar através da porta, e as possam dar para a edificação. Pois se não forem, disseram eles, levadas através da porta pelas mãos das virgens, não podem mudar suas cores: não vos canseis, portanto, disseram eles, em vão.
E naquele dia a edificação foi terminada, mas a torre não foi completada; pois havia de ser acrescentada nova edificação, e houve uma cessação na obra. E os seis homens mandaram aos construtores que se retirassem um pouco de distância, e descansassem, mas ordenaram às virgens que não se retirassem da torre; e pareceu-me que as virgens tinham sido deixadas para guardar a torre. Ora, depois que todos se tinham retirado, e estavam descansando, eu disse ao Pastor, Qual é a razão por que a edificação da torre não foi completada? A torre, respondeu ele, ainda não pode ser completada até que venha o seu Senhor e examine a edificação, a fim de para que, se alguma das pedras for encontrada estar decaída, ele possa trocá-la; porque a torre é edificada segundo o seu agrado." "Eu gostaria de saber, senhor," disse eu, "qual é o significado da edificação dessa torre, e o que significam a rocha e a porta, e as montanhas, e as virgens, e as pedras que subiram da cova, e não foram lavradas, mas vieram como eram para a edificação. Por que, em primeiro lugar, foram colocadas dez pedras no alicerce, depois vinte e cinco, depois trinta e cinco, depois quarenta? e desejo também saber acerca das pedras que foram para a edificação, e foram novamente tiradas e restituídas ao seu próprio lugar? Em todos esses pontos acalenta meu espírito, senhor, e explica-mos." "Se não fores achado curioso acerca de futilidades," respondeu ele, "conhecerás tudo. Porque após alguns dias [viremos aqui, e verás as outras coisas que aconteçam a essa torre, e conhecerás com exatidão todas as similitudes." Após alguns dias] viemos ao lugar onde nos sentamos. E ele me disse: "Venhamos à torre; porque o mestre da torre vem para examiná-la." E viemos à torre, e não havia ninguém de maneira alguma perto dela, senão as virgens somente. E o Pastor perguntou às virgens se porventura o mestre da torre havia vindo; e responderam que ele estava para vir examinar a edificação.
E, eis que após pouco vejo um exército de muitos homens chegando, e no meio deles um homem de tão notável tamanho que ultrapassava a torre. E os seis homens que tinham trabalhado na edificação estavam com ele, e muitos outros homens honoráveis estavam ao redor dele. E as virgens que guardavam a torre correram adiante e o beijaram, e começaram a caminhar perto dele ao redor da torre. E esse homem examinou a edificação cuidadosamente, sentindo cada pedra separadamente; e, tendo uma vara em sua mão, golpeou cada pedra na edificação três vezes. E quando as golpeava, algumas delas se tornaram negras como fuligem, e algumas pareciam como que cobertas de chagas, e algumas rachadas, e algumas mutiladas, e algumas nem brancas nem negras, e algumas ásperas e não em harmonia com as outras pedras, e algumas tendo [mui muitas] manchas: tais eram as variedades de pedras decaídas que foram encontradas na edificação. Ordenou que todas essas fossem tiradas da torre, e fossem deitadas ao lado dela, e que outras pedras fossem trazidas e postas em seu lugar. [E os construtores lhe perguntaram de qual montanha ele desejava que fossem trazidas e postas no seu lugar.] E ele não lhes ordenou que fossem trazidas das montanhas, [mas lhes mandou que fossem trazidas de certa planície que estava perto.] E a planície foi cavada, e foram encontradas pedras retangulares brilhantes, e algumas também de forma redonda; e todas as pedras que estavam naquela planície foram trazidas, e carregadas pela porta pelas virgens. E as pedras retangulares foram lavradas, e postas no lugar daquelas que foram tiradas; mas as pedras redondas não foram postas na edificação, porque eram difíceis de lavrar, e pareciam ceder lentamente ao cinzel; foram depositadas, contudo, ao lado da torre, como que destinadas a serem lavradas e usadas na edificação, pois eram extraordinariamente brilhantes.
O homem glorioso, senhor de toda a torre, tendo assim concluído estas alterações, chamou para junto de si o Pastor, e lhe entregou todas as pedras que estavam deitadas ao lado da torre, que tinham sido rejeitadas da construção, e lhe disse: "Limpa cuidadosamente todas estas pedras, e separa para a construção da torre aquelas que possam harmonizar com as outras; e aquelas que não, lança bem longe da torre." Tendo dado estas ordens ao Pastor, ele partiu da torre, com todos aqueles com quem tinha vindo. Ora, as virgens estavam de pé ao redor da torre, guardando-a. Eu disse novamente ao Pastor: "Podem estas pedras voltar para a construção da torre, depois de terem sido rejeitadas?" Ele me respondeu, e disse: "Vês estas pedras?" "Vejo-as, senhor," respondi eu. "A maior parte destas pedras," disse ele, "eu as talharei, e as porei na construção, e elas harmonizarão com as outras." "Como, senhor," disse eu, "podem elas, depois de serem talhadas por todos os lados, preencherem o mesmo espaço?" Ele respondeu: "Aquelas que forem achadas pequenas serão lançadas no meio da construção, e aquelas que forem maiores serão colocadas na parte de fora, e elas as manterão unidas." Tendo proferido estas palavras, ele me disse: "Vamos, e depois de dois dias venhamos e limpemos estas pedras, e lancemo-las na construção; pois todas as coisas ao redor da torre devem ser limpas, para que o Mestre não venha de repente e ache os lugares ao redor da torre sujos, e se desagrade, e estas pedras não sejam devolvidas para a construção da torre, e eu também não pareça negligente para com o Mestre." E depois de dois dias viemos à torre, e ele me disse: "Examinemos todas as pedras, e determinemos aquelas que possam voltar para a construção." Eu lhe disse: "Senhor, examinemo-las!"
E começando, primeiro examinamos as pedras negras. E aquelas que tinham sido tiradas do edifício, foram encontradas a permanecer; e o Pastor ordenou que fossem removidas da torre e colocadas à parte. Depois examinou as que tinham feridas; e tomou e desbastou muitas destas, e mandou às virgens que as levantassem e as lançassem no edifício. E as virgens as levantaram, e as colocaram no meio do edifício da torre. E as restantes ordenou que fossem deitadas junto às negras; pois estas também foram encontradas ser negras. Examinou depois aquelas que tinham fissuras; e desbastou muitas destas, e mandou que fossem levadas pelas virgens ao edifício: e foram colocadas no exterior, porque foram encontradas ser mais sólidas do que as outras; mas as restantes, por causa da multidão das fissuras, não puderam ser desbastadas, e por esta razão, portanto, foram rejeitadas do edifício da torre. Examinou depois as pedras lascadas, e muitas dentre estas foram encontradas ser negras, e algumas ter grandes fissuras. E estas também mandou que fossem deitadas junto com aquelas que tinham sido rejeitadas. Mas o resto, depois de limpo e desbastado, mandou que fossem colocadas no edifício. E as virgens as levantaram, e as encaixaram no meio do edifício da torre, pois eram algo frágeis. Examinou depois as que eram metade brancas e metade negras, e muitas delas foram encontradas ser negras. E mandou que estas também fossem levadas junto com aquelas que tinham sido rejeitadas. E as restantes foram todas levadas pelas virgens; pois, sendo brancas, foram encaixadas pelas próprias virgens no edifício. E foram colocadas no exterior, porque foram encontradas ser sólidas, de modo a poderem sustentar aquelas que foram colocadas no meio, pois nenhuma parte delas era absolutamente lascada. Examinou depois as que eram ásperas e duras; e poucas delas foram rejeitadas porque não puderam ser desbastadas, pois foram encontradas ser excessivamente duras. Mas as restantes delas foram desbastadas, e levadas pelas virgens, e encaixadas no meio do edifício da torre; pois eram algo frágeis. Examinou depois as que tinham manchas; e destas muito poucas eram negras, e foram lançadas à parte com as outras; mas a maior parte foi encontrada ser brilhante, e estas foram encaixadas pelas virgens no edifício, mas por causa de sua solidez foram colocadas no exterior.
Depois veio para examinar as pedras brancas e redondas, e disse-me: "Que faremos nós com estas pedras?" "Como o hei de saber, senhor?" respondi eu. "Porventura não tendes intenção alguma acerca delas?" "Senhor," respondi eu, "não sou versado nesta arte, nem sou lapidador, nem posso dizer-vos." "Não vedes," disse ele, "que são excessivamente redondas? e se quero tornálas retangulares, há de ser-lhe cortada uma grande porção; pois algumas delas hão de necessariamente ser colocadas no edifício." "Se portanto," disse eu, "é necessário colocá-las, porque vos atormentais, e não escolheis logo para o edifício aquelas que preferis, e as encaixais nele?" Ele escolheu as maiores dentre elas, e as brilhantes, e as desbastou; e as virgens as carregaram e encaixaram nas partes exteriores do edifício. E as restantes que ficaram foram carregadas, e postas na planície de onde tinham sido trazidas. Porém não foram rejeitadas, "porque," disse ele, "ainda fica uma pequena adição a ser construída na torre. E o senhor desta torre deseja que todas as pedras sejam encaixadas no edifício, porque são excessivamente brilhantes." E foram chamadas doze mulheres, muito formosas na aparência, vestidas de negro, e com os cabelos despenteados. E estas mulheres me pareciam ser ferozes. Porém o Pastor as ordenou que levantassem as pedras que tinham sido rejeitadas do edifício, e as carregassem para os montes de onde tinham sido trazidas. E elas estavam alegres, e carregaram todas as pedras, e as colocaram no lugar donde tinham sido tomadas. Ora, depois que todas as pedras foram removidas, e não havia mais uma sequer deitada ao redor da torre, ele disse: "Vinde rodear a torre e vejamos, para que não haja algum defeito nela." Assim rodei a torre juntamente com ele. E o Pastor, vendo que a torre estava formosamente construída, alegrou-se excessivamente; pois a torre estava construída de tal modo que, ao vê-la, cobiçava eu a sua construção, porque estava feita como se fosse construída de uma única pedra, sem uma sequer junta. E a pedra parecia como se houvesse sido desbastada da rocha; tendo para mim a aparência de um monólito.
E conforme caminhava com ele, estava cheio de alegria, contemplando coisas tão excelentes. E o Pastor disse-me: "Ide e trazei cal não queimada e argila bem cozida, para que preencha eu as formas das pedras que foram tomadas e lançadas no edifício; pois tudo quanto se refere à torre há de estar liso." E fiz como ele me ordenou, e lha trouxe. "Ajudai-me," disse ele, "e a obra em breve será consumada." Ele portanto preencheu as formas das pedras que foram devolvidas ao edifício, e ordenou que os lugares ao redor da torre fossem varridos e limpos; e as virgens tomaram as vassouras e varreram o lugar, e carregaram toda a sujidade para fora da torre, e trouxeram água, e o terreno ao redor da torre se fez alegre e muito formoso. Diz o Pastor para mim: "Tudo foi limpado; se o senhor da torre vier inspecioná-la, não pode ter culpa alguma a notar-nos." Tendo dito estas palavras, desejava partir; mas eu o prendi pela bolsa, e comecei a adjurá-lo pelo Senhor que me explicasse aquilo que me havia mostrado. Ele disse-me: "Hei de descansar um pouco, e então vos explicarei tudo; esperai por mim aqui até que eu volte." Disse-lhe eu: "Senhor, que poderei eu fazer aqui sozinho?" "Não estais sozinho," disse ele, "pois estas virgens estão convosco." "Entregai-me então a seu cuidado," respondi eu. O Pastor as chamou para junto de si, e disse-lhes: "Entrego-o a vós até que eu volte," e partiu. E fiquei sozinho com as virgens; e elas eram antes alegres, mas eram amigáveis comigo, especialmente as quatro mais distintas dentre elas.
As virgens disseram-me: "O Pastor não vem hoje aqui." "Que farei, pois," disse eu, "eu?" Responderam-me: "Espera por ele até que venha; e se vier ele falará contigo, e se não vier permanecerás aqui conosco até que venha." Disse-lhes eu: "Esperarei por ele até tarde; e se não chegar, ir-me-ei para casa, e voltarei cedo pela manhã." E responderam-me, dizendo: "Tu nos foste entregue; não podes partir-te de nós." "Onde, pois," disse eu, "hei de permanecer?" "Dormirás conosco," responderam-me, "como um irmão, e não como um marido: porque és nosso irmão, e para o tempo futuro intentamos permanecer contigo, porque te amamos excessivamente!" Mas eu tinha vergonha de permanecer com elas. E aquela que parecia ser a primeira entre elas começou a beijar-me. E as outras, vendo-a beijar-me, começaram também a beijar-me, e a conduzir-me ao redor da torre, e a brincar comigo. E eu também me tornei como um jovem, e comecei a brincar com elas: porque algumas delas formavam um coro, e outras dançavam, e outras cantavam; e eu, guardando silêncio, caminhava com elas ao redor da torre, e estava alegre com elas. E quando anoiteceu desejei entrar na casa; mas não me permitiram, antes me detiveram. Assim permaneci com elas durante a noite, e dormi junto à torre. Ora, as virgens estenderam suas túnicas de linho no chão, e fizeram-me deitar no meio delas; e nada fizeram senão orar; e eu sem cessar orei com elas, e não menos do que elas. E as virgens se alegraram porque assim orei. E permaneci ali com as virgens até o dia seguinte à segunda hora. Então o Pastor voltou, e disse às virgens: "Lhe fizestes alguma injúria?" "Pergunta-lhe," disseram. Disse-lhe eu: "Senhor, fiquei alegre em permanecer com elas." "Com que," perguntou ele, "ceaste?" "Ceei, senhor," respondi eu, "com as palavras do Senhor toda a noite." "Elas te receberam bem?" perguntou ele. "Sim, senhor," respondi. "Agora," disse ele, "que desejas ouvir primeiro?" "Desejo ouvir na ordem," disse eu, "em que me mostraste desde o princípio. Peço-te, senhor, que assim como te perguntarei, assim também me dês a explicação." "Como tu desejas," respondeu ele, "assim também te explicarei, e nada absolutamente te ocultarei."
"Primeiramente, senhor," disse eu, "explica-me isto: Qual é o significado da rocha e da porta?" "Esta rocha," respondeu ele, "e esta porta são o Filho de Deus." "Como, senhor?" disse eu; "a rocha é antiga, e a porta é nova." "Ouve," disse ele, "e compreende, ó homem ignorante. O Filho de Deus é mais antigo do que todas as suas criaturas, de sorte que foi um conselheiro juntamente com o Pai em sua obra de criação: por esta razão é ele antigo." "E por que é nova a porta, senhor?" disse eu. "Porque," respondeu ele, "Ele se manifestou nos últimos dias da economia: por esta razão a porta foi feita nova, para que aqueles que hão de ser salvos por ela possam entrar no reino de Deus. Tu viste," disse ele, "que aquelas pedras que entraram pela porta foram usadas para a construção da torre, e que aquelas que não entraram foram novamente lançadas ao seu próprio lugar?" "Vi, senhor," respondi. "Da mesma maneira," continuou ele, "ninguém entrará no reino de Deus se não receber seu santo nome. Porque se desejas entrar numa cidade, e essa cidade está cercada de um muro, e tem apenas uma porta, podes entrar naquela cidade senão pela porta que tem?" "Por que, como poderia ser de outro modo, senhor?" disse eu. "Se, pois, não podes entrar para dentro da cidade senão pela sua porta, assim também um homem não pode de outro modo entrar no reino de Deus senão pelo nome de Seu Filho bem-amado. Viste," acrescentou, "a multidão que edificava a torre?" "Vi-a, senhor," disse eu. "Aqueles," disse ele, "são todos anjos gloriosos, e por eles é o Senhor cercado. E a porta é o Filho de Deus. Esta é a única entrada para o Senhor. De nenhuma outra maneira, portanto, entrará alguém nEle senão por Seu Filho. Viste," continuou, "os seis homens, e o homem alto e glorioso no meio deles, que andava à volta da torre, e rejeitava as pedras da edificação?" "Vi-o, senhor," respondi. "O homem glorioso," disse ele, "é o Filho de Deus, e aqueles seis anjos gloriosos são os que O sustêm à direita e à esquerda. Nenhum destes anjos gloriosos," continuou, "entrará para Deus sem Ele. Quem não receber o Seu nome, não entrará no reino de Deus."
"E a torre," perguntei, "que significa?" "Esta torre," respondeu ele, "é a Igreja." "E estas virgens, quem são elas?" "São espíritos santos, e os homens não podem de outro modo ser achados no reino de Deus se estas não tiverem posto sobre eles as suas vestes: porque se receberes somente o nome, e não receberes delas as vestes, nada te aproveitarão. Porque estas virgens são as potências do Filho de Deus. Se levares Seu nome mas não possuíres Seu poder, será em vão que levares Seu nome. Aquelas pedras," continuou, "que viste rejeitadas levavam Seu nome, mas não vestiram as vestes das virgens." "De que natureza é a sua veste, senhor?" perguntei. "Os seus nomes mesmos," disse ele, "são a sua veste. Todo aquele que leva o nome do Filho de Deus, deve levar também os nomes destas; pois o Filho mesmo leva os nomes destas virgens. Quantas pedras," continuou, "viste entrar na edificação da torre pelas mãos destas virgens, e permanecer, foram vestidas com a força delas. Por esta razão vês que a torre se fez de uma só pedra com a rocha. Assim também aqueles que creram no Senhor por Seu Filho, e são vestidos destes espíritos, se farão um espírito, um corpo, e a cor das suas vestes será uma. E a habitação dos que levam os nomes das virgens está na torre." "Aquelas pedras, senhor, que foram rejeitadas," perguntei, "por que razão foram rejeitadas? pois passaram pela porta, e foram postas pelas mãos das virgens na edificação da torre." "Visto que tomas interesse em tudo," respondeu ele, "e examinas minutiosamente, ouve acerca das pedras que foram rejeitadas. Todas estas," disse ele, "receberam o nome de Deus, e receberam também a força destas virgens. Tendo, pois, recebido estes espíritos, foram feitas fortes, e estavam com os servos de Deus; e o deles era um espírito, um corpo e uma veste. Porque eram de um mesmo sentimento, e praticavam a justiça. Depois de certo tempo, porém, foram persuadidas pelas mulheres que viste vestidas de negro, com os ombros descobertos e o cabelo despenteado, e formosas de aparência. Tendo visto estas mulheres, desejaram tê-las, e vestiram-se da força delas, e despojaram-se da força das virgens. Estas, portanto, foram rejeitadas da casa de Deus, e foram entregues a estas mulheres. Mas aqueles que não foram enganados pela beleza destas mulheres permaneceram na casa de Deus. Tens," disse ele, "a explicação dos que foram rejeitados."
"Que dirás, pois, senhor," disse eu, "se estes homens, sendo tais como são, se arrependerem e rejeitarem seus desejos após estas mulheres, e voltarem novamente para as virgens, e caminharem em sua força e em suas obras, não entrarão na casa de Deus?"
"Entrarão," disse ele, "se rejeitarem as obras destas mulheres, e revestirem-se novamente da força das virgens, e caminharem em suas obras. Porque por esta razão houve uma cessação na edificação, a fim de que, se estes se arrependerem, possam partir para a edificação da torre. Mas se não se arrependerem, então outros virão em seu lugar, e estes no fim serão lançados fora. Por todas estas coisas dei graças ao Senhor, porque teve piedade de todos os que invocam o seu nome; e enviou-nos o anjo do arrependimento, nós que pecáramos contra Ele, e renovou nosso espírito; e quando já estávamos destruídos, e não tínhamos esperança de vida, Ele nos restaurou à novidade de vida."
"Agora, senhor," continuei, "mostra-me por que a torre não foi edificada sobre a terra, mas sobre a rocha e sobre o portão."
"Ainda," disse ele, "não possuis sentido e entendimento?"
"Devo, senhor," disse eu, "interrogar-vos sobre todas as coisas, porque sou totalmente incapaz de compreendê-las; pois todas estas coisas são grandes e gloriosas, e difíceis para o homem compreender."
"Ouvi," disse ele: "o nome do Filho de Deus é grande, e não pode ser contido, e sustenta o mundo inteiro. Se, pois, toda a criação é sustentada pelo Filho de Deus, que pensais vós a respeito daqueles que são chamados por Ele, e levam o nome do Filho de Deus, e caminham em seus mandamentos? Vedes que espécie de pessoas Ele sustenta? Aqueles que levam o seu nome com todo o seu coração. Ele Mesmo, portanto, tornou-se fundamento para eles, e os sustenta com alegria, porque não se envergonham de levar o seu nome."
"Explica-me, senhor," disse eu, "os nomes destas virgens, e daquelas mulheres que estavam vestidas com roupas negras."
"Ouvi," disse ele, "os nomes das virgens mais fortes que estavam nos ângulos. A primeira é Fé, a segunda Continência, a terceira Força, a quarta Paciência. E as outras que estão no meio destas têm os seguintes nomes: Simplicidade, Inocência, Pureza, Alegria, Verdade, Entendimento, Harmonia, Amor. Aquele que leva estes nomes e o do Filho de Deus poderá entrar no reino de Deus. Ouvi, também," continuou ele, "os nomes das mulheres que tinham as vestes negras; e destas quatro são mais fortes que as outras. A primeira é Descrença, a segunda: Incontinência, a terceira Desobediência, a quarta Engano. E seus sequazes são chamados Tristeza, Maldade, Licenciosidade, Ira, Falsidade, Loucura, Murmuração, Ódio. O servo de Deus que leva estes nomes há de ver, verdadeiramente, o reino de Deus, mas não entrará nele."
"E as pedras, senhor," disse eu, "que foram tiradas da cova e encaixadas na edificação: que são elas?"
"As primeiras," disse ele, "dez, a saber, aquelas que foram postas como fundamento, são a primeira geração, e vinte e cinco a segunda geração, de homens justos; e trinta e cinco são os profetas de Deus e seus ministros; e quarenta são os apóstolos e mestres da pregação do Filho de Deus."
"Por que, pois, senhor," perguntei, "as virgens também carregaram estas pedras através do portão, e as deram para a edificação da torre?"
"Porque," respondeu ele, "estes foram os primeiros que levaram estes espíritos, e nunca se apartaram uns dos outros, nem os espíritos dos homens nem os homens dos espíritos, mas os espíritos permaneceram com eles até seu adormecer. E se não tivessem tido estes espíritos com eles, não teriam sido úteis para a edificação desta torre."
"Explica-me um pouco mais, senhor," disse eu. "Que é que desejas?" perguntou ele. "Por que, senhor," disse eu, "subiram estas pedras do abismo, e foram aplicadas à construção da torre, depois de terem suportado estes espíritos?" "Foram obrigadas," respondeu ele, "a subir pela água a fim de que pudessem ser vivificadas; pois, a menos que deixassem de lado a morte da sua vida, não poderiam de nenhuma outra forma entrar no reino de Deus. Assim também, os que adormeceram receberam o selo do Filho de Deus. Pois," continuou ele, "antes de um homem levar o nome do Filho de Deus está morto; mas quando recebe o selo deixa de lado a sua morte, e obtém a vida. O selo, pois, é a água: descem na água mortos, e levantam-se vivos. E a eles, em conseqüência, foi pregado este selo, e dele se fizeram uso a fim de que pudessem entrar no reino de Deus." "Por que, senhor," perguntei, "subiram também as quarenta pedras com eles do abismo, tendo já recebido o selo?" "Porque," disse ele, "estes apóstolos e mestres que pregaram o nome do Filho de Deus, depois de terem adormecido no poder e na fé do Filho de Deus, não o pregaram somente aos que estavam adormecidos, mas eles mesmos também lhes deram o selo da pregação. Em conseqüência desceram com eles na água, e de novo subiram. [Mas estes desceram vivos e levantaram-se de novo vivos; ao passo que aqueles que tinham adormecido precedentemente desceram mortos, mas levantaram-se de novo vivos.] Por estes, pois, foram eles vivificados e feitos conhecer o nome do Filho de Deus. Por esta razão também subiram com eles, e foram ajustados juntamente com eles na construção da torre, e, intactos pelo cinzel, foram construídos juntamente com eles. Pois dormiram na justiça e em grande pureza, mas somente eles não tinham este selo. Tens, por conseguinte, a explicação destes também."
"Compreendo, senhor," respondi. "Agora, senhor," continuei, "explica-me, com respeito às montanhas, por que as suas formas são várias e diversas."
"Ouve," disse ele: "estas montanhas são as doze tribos, que habitam o mundo inteiro. O Filho de Deus, em conseqüência, foi-lhes pregado pelos apóstolos." "Mas por que são as montanhas de várias espécies, tendo algumas uma forma, e outras outra? Explica-me isso, senhor." "Ouve," respondeu ele: "estas doze tribos que habitam o mundo inteiro são doze nações. E variam em prudência e inteligência. Quantas, pois, são as variedades das montanhas que viste, tantas também são as diversidades de mente e inteligência entre estas nações. E eu te explicarei as ações de cada uma." "Primeiro, senhor," disse eu, "explica isto: por que, sendo as montanhas tão diversas, as suas pedras, quando colocadas na construção, tornaram-se de uma cor, brilhando como também aquelas que tinham subido do abismo." "Porque," disse ele, "todas as nações que habitam debaixo do céu foram chamadas pelo ouvir e crer no nome do Filho de Deus. Tendo, pois, recebido o selo, tiveram uma inteligência e um sentimento; e a sua fé tornou-se uma, e o seu amor um, e com o nome que levavam também levavam os espíritos das virgens. Por esta razão a construção da torre tornou-se de uma cor, brilhante como o sol. Mas depois de terem entrado no mesmo lugar, e tornado-se um corpo, certos destes contaminaram-se a si mesmos, e foram expulsos da raça dos justos, e tornaram-se de novo o que eram antes, ou antes ainda pior."
"Como assim, senhor," disse eu, "pioraram eles, depois de terem conhecido a Deus?" "Aquele que não conhece a Deus," respondeu ele, "e pratica o mal, recebe certa punição pela sua maldade; mas aquele que conheceu a Deus não deve mais fazer o mal, mas fazer o bem. Se, portanto, quando deveria fazer o bem, faz o mal, não parece ele fazer maior mal do que aquele que não conhece a Deus? Por esta razão, aqueles que não conheceram a Deus e fazem o mal são condenados à morte; mas aqueles que conheceram a Deus, e viram Seus feitos poderosos, e ainda assim continuam no mal, serão castigados duplamente, e morrerão para sempre. Desta maneira, pois, será purificada a Igreja de Deus. Pois como viste as pedras rejeitadas da torre, e entregues aos espíritos malignos, e lançadas para fora dali, assim também serão lançadas para fora, e haverá um só corpo dos purificados; como também a torre se tornou, por assim dizer, de uma só pedra depois de sua purificação. Do mesmo modo também será com a Igreja de Deus, depois de ser purificada, e ter rejeitado os ímpios, e os hipócritas, e os blasfemadores, e os inconstantes, e aqueles que cometem maldade de diversos gêneros. Depois que estes forem lançados para fora, a Igreja de Deus será um só corpo, de um só pensamento, de um só entendimento, de uma só fé, de um só amor. E então o Filho de Deus se alegará sobremaneira, e se regozijará sobre eles, porque recebeu Seu povo puro." "Todas estas coisas, senhor," disse eu, "são grandes e gloriosas."
"Demais, senhor," disse eu, "explica-me o poder e as ações de cada uma das montanhas, para que toda alma, confiando no Senhor, e ouvindo-o, possa glorificar Seu grande, maravilhoso e glorioso nome." "Ouve," disse ele, "a diversidade das montanhas e das doze nações."
"Da primeira montanha, que era preta, aqueles que creram são os seguintes: os apóstatas e blasfemadores contra o Senhor, e os traidores dos servos de Deus. A estes não está aberta a penitência; mas a morte se estende diante deles, e por esta razão também são pretos, pois sua raça é sem lei. E da segunda montanha, que era árida, aqueles que creram são os seguintes: os hipócritas, e os mestres da maldade. E estes, portanto, são semelhantes aos primeiros, não tendo algum fruto de justiça; pois como sua montanha estava destituída de fruto, assim também tais homens têm um nome decerto, mas estão vazios de fé, e não há fruto de verdade neles. Eles decerto têm a penitência em seu poder, se se arrependerem depressa; mas se forem lentos nisso, morrerão juntamente com os primeiros." "Por que, senhor," disse eu, "têm estes penitência, e os primeiros não? pois suas ações são quase as mesmas." "Por esta razão," disse ele, "têm estes penitência, porque não blasfemaram contra seu Senhor, nem se tornaram traidores dos servos de Deus; mas por causa de seu desejo de posses tornaram-se hipócritas, e cada um ensinava conforme os desejos de homens que eram pecadores. Mas sofrerão certa punição; e a penitência está diante deles, porque não eram blasfemadores ou traidores."
"E da terceira montanha, que tinha espinhos e abrolhos, aqueles que creram são os seguintes. Há alguns deles ricos, e outros imersos em muito negócio. Os abrolhos são os ricos, e os espinhos são aqueles que estão imersos em muito negócio. Aqueles, portanto, que estão enredados em muitos gêneros diversos de negócio, não se apegam aos servos de Deus, mas se afastam, sendo sufocados por suas transações comerciais; e os ricos se apegam com dificuldade aos servos de Deus, temendo que estes lhes peçam algo. Tais pessoas, portanto, terão dificuldade em entrar no reino de Deus. Pois como é desagradável andar entre abrolhos com pés descalços, assim também é difícil para tais entrar no reino de Deus. Mas a todos estes, a penitência, e essa rápida, está aberta, para que façam o que não fizeram antes."
tempos, possam compensar nestes dias, e façam algum bem, e viverão para Deus. Mas se perseverarem em seus feitos, serão entregues àquelas mulheres, que os levarão à morte."
"E da quarta montanha, que tinha muito capim, cujas partes superiores das plantas eram verdes, e as partes junto às raízes murchas, e algumas também queimadas pelo sol, aqueles que creram são os seguintes: os duvidosos, e aqueles que têm o Senhor nos seus lábios, mas não o têm no seu coração. Por esta razão seus fundamentos estão murchos, e não têm força; e apenas suas palavras vivem, enquanto suas obras estão mortas. Tais pessoas não estão vivas nem mortas. Assemelham-se, portanto, aos vacilantes: pois os vacilantes não estão murchos nem verdes, não sendo vivos nem mortos. Pois assim como suas lâminas, ao verem o sol, secaram-se, assim também os vacilantes, quando ouvem de aflição, por causa do seu temor, adoram ídolos, e envergonham-se do nome do seu Senhor. Tais, pois, não estão vivos nem mortos. Mas estes também poderão ainda viver, se se arrependerem prontamente; e se não se arrependerem, já foram entregues às mulheres, que lhes tiram a vida."
"E da quinta montanha, que tinha capim verde, e era áspera, aqueles que creram são os seguintes: crentes, na verdade, mas lentos para aprender, e obstinados, e agradando-se a si mesmos, desejando conhecer tudo, e nada conhecendo absolutamente. Por causa desta obstinação sua, o entendimento apartou-se deles, e uma insensatez tola entrou neles. E gabam-se como tendo sabedoria, e desejam tornar-se mestres, ainda que destituídos de senso. Por causa, portanto, desta altivez de ânimo, muitos tornaram-se vãos, exaltando-se a si mesmos: pois a vontade própria e a confiança vazia é um grande demônio. Destes, por conseguinte, muitos foram rejeitados, mas alguns se arrependeram e creram, e sujeitaram-se àqueles que tinham entendimento, conhecendo sua própria insensatez. E ao resto desta classe está aberto o arrependimento; pois não foram maus, mas antes insensatos, e sem entendimento. Se estes, portanto, se arrependerem, viverão para Deus; mas se não se arrependerem, terão sua habitação com as mulheres que praticaram iniquidade entre eles."
"E aqueles da sexta montanha, que tinha fendas grandes e pequenas, e capim decadente nas fendas, que creram, foram os seguintes: os que ocupam as fendas pequenas são aqueles que trazem acusações uns contra os outros, e por causa de suas maledicências decaíram na fé. Muitos deles, porém, se arrependeram; e os outros também se arrependerão quando ouvirem meus mandamentos, pois suas maledicências são pequenas, e rapidamente se arrependerão. Mas aqueles que ocupam as fendas grandes são persistentes em suas maledicências, e vingativos em sua ira uns contra os outros. Estes, portanto, foram lançados fora da torre, e rejeitados de terem parte em sua edificação. Tais pessoas, por conseguinte, terão dificuldade em viver. Se nosso Deus e Senhor, que governa todas as coisas, e tem poder sobre toda sua criação, não se lembra do mal contra aqueles que confessam seus pecados, mas é misericordioso, fará o homem, que é corruptível e cheio de pecados, lembrar-se do mal contra um semelhante, como se fosse capaz de destruir ou salvar a ele? Eu, o anjo do arrependimento, vos digo: Quantos de vós sois deste modo de pensar, deixai isto de lado, e arrependei-vos, e o Senhor há de curar vossos pecados anteriores, se vos purificardes deste demônio; mas se não, sereis entregues a ele para a morte."
E aqueles que creram do sétimo monte, no qual a erva era verde e abundante, e todo o monte fértil, e toda a espécie de gado e as aves do céu se alimentavam da erva neste monte, e a erva em que pastavam se tornava mais abundante, eram os seguintes: eram sempre simples e inocentes e bem-aventurados, não levantando acusações uns contra os outros, mas sempre se regozijando muito por causa dos servos de Deus, e sendo revestidos do Espírito Santo destas virgens, e tendo sempre piedade de todo homem, e dando auxílio do seu próprio trabalho a todo homem, sem censura e sem hesitação.
O Senhor, portanto, vendo a sua simplicidade e toda a sua mansidão, os multiplicou em meio aos labores de suas mãos, e lhes concedeu graça em todos os seus feitos. E eu, o anjo da penitência, vos digo a vós que sois assim: Permanecei tal como estes, e a vossa descendência nunca será apagada; pois o Senhor vos pôs à prova, e vos inscreveu no número de nós, e toda a vossa descendência habitará com o Filho de Deus; pois recebestes do Seu Espírito.
E aqueles que creram do oitavo monte, onde havia muitas fontes, e onde todas as criaturas de Deus bebiam das fontes, eram os seguintes: apóstolos e mestres, que pregaram a todo o mundo, e que ensinaram solene e puramente a palavra do Senhor, e não caíram de modo algum em desejos malévolos, mas caminharam sempre na justiça e na verdade, segundo haviam recebido o Espírito Santo. Pessoas tais, portanto, entrarão com os anjos.
E aqueles que creram do nono monte, que era deserto, e tinha nele animais rastejantes e feras selvagens que destroem os homens, eram os seguintes: aqueles que tinham as manchas como servos, que cumpriram mal o seu dever, e que despojaram viúvas e órfãos de seu sustento, e ganharam possessões para si mesmos do ministério que haviam recebido. Se, portanto, permanecerem sob o domínio do mesmo desejo, estão mortos, e não há esperança de vida para eles; mas se se arrependerem, e terminarem o seu ministério de maneira santa, poderão viver. E aqueles que foram cobertos de chagas são aqueles que negaram seu Senhor, e não retornaram a Ele novamente; mas tornando-se áridos e desolados, e não se apegando aos servos de Deus, mas vivendo em solidão, destroem as suas próprias almas. Pois como uma vinha, quando deixada dentro de um enclosure, e encontrando abandono, é destruída, e é tornada desolada pelas ervas daninhas, e em tempo se torna selvagem, e não é mais de nenhuma utilidade para o seu senhor, assim também são tais homens que se entregaram, e se tornaram inúteis ao seu Senhor, por haverem contraído hábitos selvagens. Estes homens, portanto, têm o arrependimento em seu poder, a menos que se descubra haverem negado de coração; mas se alguém se encontra ter negado de coração, não sei se possa viver. E digo isto não para os dias presentes, para que alguém que tenha negado possa obter arrependimento, pois é impossível que seja salvo quem agora intenta negar seu Senhor; mas àqueles que O negaram há muito tempo, o arrependimento parece ser possível. Se, portanto, alguém intenta arrepender-se, que o faça depressa, antes que a torre seja completada; pois se não, será completamente destruído pelas mulheres. E as pedras rachadas são os enganosos e os caluniadores; e as feras selvagens que vistes no nono monte, são as mesmas. Pois como as feras selvagens destroem e matam um homem pelo seu veneno, assim também as palavras de tais homens destroem e arruinam um homem. Estes, por conseguinte, estão mutilados na sua fé, por causa das ações que cometeram em si mesmos; contudo alguns se arrependeram, e foram salvos. E os restantes, que são de tal caráter, podem ser salvos se se arrependerem; mas se não se arrependerem, perecerão com aquelas mulheres, cuja força assumiram.
E do décimo monte, onde havia árvores que davam sombra a certas ovelhas, aqueles que creram eram os seguintes: bispos dados à hospitalidade, que sempre de bom grado recebiam em suas casas os servos de Deus, sem dissimulação. E os bispos nunca faltaram em proteger, por seu ministério, as viúvas e aqueles que se achavam em necessidade, e sempre mantiveram uma conversação santa. Todos estes, portanto, serão protegidos pelo Senhor para sempre. Aqueles que fazem estas coisas são honrosos diante de Deus, e seu lugar já está com os anjos, se perseverarem até o fim servindo a Deus.
E do undécimo monte, onde havia árvores cheias de frutos, ornadas com frutos de diversos gêneros, aqueles que creram eram os seguintes: os que sofreram pelo nome do Filho de Deus, e que também sofreram com alegria de todo o seu coração, e entregaram suas vidas. Então, senhor, disse eu, por que todas estas árvores dão fruto, e algumas delas mais belo do que as outras? Ouve, disse ele: todos os que uma vez sofreram pelo nome do Senhor são honrosos diante de Deus; e de todos estes os pecados foram remitidos, porque sofreram pelo nome do Filho de Deus. E por que seus frutos são de diversos gêneros, e alguns deles superiores, ouve. Todos, continuou ele, que foram levados diante das autoridades e foram examinados, e não negaram, mas sofreram com alegria—estes são tidos em maior honra junto a Deus, e destes o fruto é superior; mas todos os que foram covardes, e em dúvida, e que ponderaram em seus corações se negariam ou confessariam, e contudo sofreram, destes o fruto é menor, porque aquela sugestão veio a seus corações; pois aquela sugestão—que um servo negue seu Senhor—é má. Tende cuidado, portanto, vós que planejais tais coisas, para que aquela sugestão não permaneça em vossos corações, e vós pereçais para Deus. E vós que sofreis por Seu nome deveis glorificar a Deus, porque Ele vos julgou dignos de levar Seu nome, para que todos os vossos pecados fossem curados. Portanto, reputai-vos antes felizes, e pensai que fizestes uma coisa grande, se algum de vós sofrer por causa de Deus. O Senhor vos concede a vida, e não compreendeis, pois vossos pecados eram graves; mas se não tivésseis sofrido pelo nome do Senhor, teríeis morrido para Deus por causa de vossos pecados. Estas coisas vos digo a vós que hesitais entre negar ou confessar: reconhecei que tendes o Senhor, para que, negando-O, não sejais entregues à prisão. Se os gentios castigam seus escravos, quando um deles nega seu senhor, que, pensai vós, fará vosso Senhor, que tem autoridade sobre todos os homens? Afastai estes conselhos de vossos corações, para que vivais continuamente para Deus.
E aqueles que creram do décimo segundo monte, que era branco, são os seguintes: eles são como crianças infantes, em cujos corações nenhum mal se origina; nem conheceram o que é malícia, mas permaneceram sempre como crianças. Tais, portanto, sem dúvida, habitam no reino de Deus, porque em nada mancharam os mandamentos de Deus; mas permaneceram como crianças todos os dias de sua vida no mesmo sentimento. Todos vós, então, que permanecerdes firmes, e fordes como crianças, sem fazer mal, sereis mais honrados do que todos os que foram anteriormente mencionados; pois todas as crianças infantes são honrosas diante de Deus, e são as primeiras pessoas junto a Ele. Bem-aventurados, portanto, sois vós que afastais de vós mesmos a malícia, e vos revistais de inocência. Como os primeiros de todos vivereis para Deus.
Depois que ele havia terminado as similitudes dos montes, disse-lhe eu: Senhor, explica-me agora acerca das pedras que foram tiradas da planície, e colocadas na construção em lugar das pedras que foram tiradas da torre; e acerca das pedras redondas que foram postas na construção; e aquelas que ainda permanecem redondas.
Ouve, respondeu ele, também sobre todas estas coisas. As pedras tiradas da planície e postas na construção da torre, em lugar daquelas que foram rejeitadas, são as raízes desta montanha branca. Quando, portanto, todos os que creram da montanha branca foram achados sem culpa, o Senhor da torre mandou que aqueles das raízes desta montanha fossem lançados na construção da torre; pois sabia que, se estas pedras fossem à construção da torre, permaneceriam brilhantes, e nenhuma delas se tornaria negra.
Mas, se assim houvesse resolvido a respeito das outras montanhas, teria sido necessário que visitasse novamente aquela torre e a purificasse. Ora, todos estes eram achados brancos, os que creram, e os que ainda hão de crer, pois são da mesma geração. Esta é uma geração feliz, porque é inocente. Ouve agora, além disso, sobre estas pedras redondas e brilhantes. Todas estas também são da montanha branca. Ouve, pois, por que foram achadas redondas: porque as suas riquezas as tinham obscurecido e escurecido um pouco da verdade, ainda que nunca se apartassem de Deus; nem saiu de sua boca nenhuma palavra má, mas toda justiça, virtude e verdade. Quando o Senhor, portanto, viu o pensamento destes homens, que eram nascidos bons e podiam ser bons, ordenou que as suas riquezas fossem reduzidas, não para ser tiradas para sempre, a fim de que pudessem fazer algum bem com o que lhes restava; e viverão para Deus, porque são de uma raça boa. Por isso foram eles um pouco arredondados pelo cinzel e postos na construção da torre.
Mas as outras pedras redondas, que ainda não tinham sido adaptadas à construção da torre, e que ainda não tinham recebido o selo, por esta razão foram postas novamente no seu lugar, porque são excessivamente redondas. Ora, esta idade deve ser reduzida nestas coisas e nas vaidades das suas riquezas, e então se encontrarão no reino de Deus; pois necessariamente devem entrar no reino de Deus, porque o Senhor abençoou esta raça inocente. Desta raça, portanto, ninguém perecerá; pois ainda que algum deles seja tentado pelo demónio mais perverso e cometa pecado, logo retornará a seu Senhor. Julgo-vos felizes, eu, que sou o mensageiro do arrependimento, a quantos de vós sois inocentes como crianças, porque vossa parte é boa e honrada diante de Deus. Além disso, digo a vós todos, que recebestes o selo do Filho de Deus, revesti-vos de simplicidade, e não vos lembreis das ofensas, nem permaneçais na malvadez. Lançai, portanto, longe de vós a recordação de vossas ofensas e amarguras, e sereis formados em um só espírito. E curai e afastai de vós aqueles cismas perversos, a fim de que, se o Senhor dos rebanhos vier, se alegre a vosso respeito. E Se alegrará, se achar todas as coisas sãs, e nenhum de vós perecerá. Mas se achar algum destes ovos desviado, ai dos pastores! E se os próprios pastores se desviaram, que resposta darão a Ele pelas suas ovelhas? Por ventura dirão que foram molestados pelas suas ovelhas? Não serão acreditados, pois é incrível que um pastor pudesse sofrer de seu rebanho; antes será punido por causa de sua mentira. E eu mesmo sou um pastor, e estou sob uma necessidade severíssima de vos dar contas.
Curai-vos, pois, enquanto a torre ainda está sendo edificada. O Senhor habita nos homens que amam a paz, porque Ele amou a paz; mas dos contenciosos e dos inteiramente maus Ele está longe. Restituí-Lhe, portanto, um espírito são como o recebestes. Pois quando tiverdes dado a um fulão uma veste nova, e desejardes recebê-la inteira ao fim, se então o fulão vos devolver uma veste rasgada, a recebereis dele, e não antes ficareis irados, e o injuriareis, dizendo: «Dei-te uma veste que era inteira: por que a rasgaste, e a tornaste inútil, de modo que não possa servir por causa do rasgo que nela fizeste?» Não diríeis tudo isto ao fulão acerca do rasgo que achásseis em vossa veste? Se, portanto, vos entristeceis por vossa veste, e vos queixais porque não a recebestes inteira, que pensais que fará o Senhor convosco, que vos deu um espírito são, o qual tornastes inteiramente inútil, de modo que não possa servir a quem o possui? pois seu uso começou a ser prejudicial, vendo que foi corrompido por vós. Não fará, portanto, o Senhor, por causa desta conduta vossa a respeito do Seu Espírito, do mesmo modo, e vos entregará à morte? Certamente, vos digo, fará o mesmo a todos aqueles que Ele achar retendo a recordação das ofensas. Não calceis sob os pés Sua misericórdia, diz Ele, mas antes honrai-O, porque é tão paciente com vossos pecados, e não é como vós sois. Arrependei-vos, pois vos é útil.
Todas estas coisas que estão escritas acima, eu, o Pastor, o mensageiro do arrependimento, mostrei e falei aos servos de Deus. Se, portanto, credes, e escutais minhas palavras, e caminhais nelas, e emendastes vossos caminhos, tereis em vosso poder viver: mas se permanecerdes na maldade, e na recordação das ofensas, nenhum pecador dessa classe viverá para Deus. Todas estas palavras que tive a dizer vos foram ditas.
Disse-me o Pastor: «Perguntaste-me tudo?» E eu respondi: «Sim, senhor.» «Por que não me perguntaste acerca da forma das pedras que foram postas na edificação, para que eu te explicasse por que preenchemos as formas?» E eu disse: «Esqueci-me, senhor.» «Ouve, pois, agora,» disse ele, «também acerca disto. Estes são aqueles que agora ouviram meus mandamentos, e se arrependeram com todo o seu coração. E quando o Senhor viu que seu arrependimento era bom e puro, e que eram capazes de perseverar nele, ordenou que seus pecados anteriores fossem apagados. Pois estas formas eram seus pecados, e foram niveladas, para que não parecessem.»
Símile Décima. Acerca do arrependimento e da esmola.
Depois de haver escrito completamente este livro, aquele mensageiro que me havia entregue ao Pastor veio à casa em que eu estava, e sentou-se sobre um leito, e o Pastor estava à sua direita. Então me chamou, e falou-me assim: “Eu te entreguei a ti e à tua casa ao Pastor, para que sejas protegido por ele.” “Sim, senhor”, disse eu. “Se desejas, portanto, ser protegido”, disse ele, “de todo incômodo e de todo tratamento áspero, e ter êxito em toda boa obra e palavra, e possuir todas as virtudes da justiça, anda nestes mandamentos que ele te deu, e poderás dominar toda maldade. Porque se guardares esses mandamentos, todo desejo e prazer do mundo te serão sujeitos, e o êxito te acompanhará em toda boa obra. Toma para ti a sua experiência e moderação, e dize a todos que ele é de grande honra e dignidade diante de Deus, e que é um presidente com grande poder, e poderoso em seu ofício. A ele somente em todo o mundo está atribuído o poder do arrependimento. Parece-te poderoso? Mas tu desprezas a sua experiência e a moderação que ele exerce para contigo.”
Eu lhe disse: “Pergunta-lhe tu mesmo, senhor, se desde o tempo em que ele entrou em minha casa fiz algo inconveniente, ou o ofendi em algum aspecto.” Ele respondeu: “Eu também sei que não fizeste nem farás nada inconveniente, e por isso te digo estas palavras, para que perseveres. Pois ele te deu um bom testemunho a mim, e tu dirás estas palavras a outros, para que também aqueles que já se arrependeram ou ainda se arrependerão tenham os mesmos sentimentos que tu, e ele dê bom testemunho destes a mim, e eu ao Senhor.” E eu disse: “Senhor, dou a conhecer a todo homem as grandes obras de Deus; e espero que todos os que as amam e pecaram antes, ao ouvir estas palavras, se arrependam e recebam novamente a vida.” “Continua, portanto, neste ministério, e termina-o. E todos os que seguirem seus mandamentos terão vida e grande honra junto ao Senhor. Mas os que não guardarem seus mandamentos fogem de sua vida e o desprezam. Ele, porém, tem sua própria honra junto ao Senhor. Todos, portanto, que o desprezarem e não seguirem seus mandamentos, entregam-se à morte, e cada um deles será culpado do seu próprio sangue. Mas eu te ordeno que obedeças aos seus mandamentos, e terás cura para os teus pecados anteriores.”
“Além disso, enviei-te estas virgens, para que morem contigo. Pois vi que te eram corteses. Terás, portanto, a elas como auxiliares, para que melhor possas guardar seus mandamentos: porque é impossível que estes mandamentos sejam observados sem estas virgens. Vejo, além disso, que elas permanecem contigo de boa vontade; mas também as instruirei para que não se afastem de tua casa; tu, apenas, mantém a tua casa pura, pois elas se deleitarão em morar em uma habitação pura. Porque elas são puras, castas e laboriosas, e têm toda influência junto ao Senhor. Portanto, se encontrarem a tua casa pura, permanecerão contigo; mas se alguma contaminação, ainda que pequena, a atingir, elas se retirarão imediatamente de tua casa. Pois estas virgens de modo algum gostam de contaminação.” Eu lhe disse: “Espero, senhor, que eu as agrade, de modo que estejam sempre dispostas a habitar em minha casa. E assim como aquele a quem me confiaste não tem queixa contra mim, tampouco elas terão.” Ele disse ao Pastor: “Vejo que o servo de Deus deseja viver e guardar estes mandamentos, e colocará estas virgens em uma habitação pura.” Tendo dito estas palavras, entregou-me novamente ao Pastor, e chamou aquelas virgens, e disse-lhes: “Visto que vejo que estais dispostas a morar em sua casa, a ele e à sua casa vos recomendo, pedindo que não vos afasteis dela de modo algum.” E as virgens ouviram estas palavras com prazer.
O anjo então me disse: “Porta-te varonilmente neste serviço, e dá a conhecer a todos as grandes coisas de Deus, e terás favor neste ministério. Portanto, quem quer que ande nestes mandamentos terá vida e será feliz em sua vida; mas quem os negligenciar não terá vida e será infeliz nesta vida. Ordena a todos os que podem agir retamente que não cessem de fazer o bem; porque praticar boas obras lhes é útil. E digo que todo homem deve ser salvo de inconveniências. Pois tanto aquele que está necessitado como aquele que sofre inconveniências em sua vida diária está em grande tormento e necessidade. Portanto, quem livrar uma alma deste tipo da necessidade ganhará grande alegria para si. Porque aquele que é atribulado por inconveniências deste tipo sofre igual tormento ao que está em cadeias. Além disso, muitos, por causa de calamidades deste tipo, quando não as suportam, apressam a própria morte. Portanto, quem sabe de uma calamidade deste tipo afligindo um homem e não o salva, comete grande pecado e torna-se culpado do seu sangue. Fazei, pois, boas obras, vós que recebestes o bem do Senhor; para que, enquanto tardais em fazê-las, não se complete a edificação da torre, e sejais rejeitados do edifício: não há agora outra torre em construção. Pois por vossa causa a obra da construção foi suspensa. A menos, pois, que vos apresseis a fazer o que é reto, a torre será completada, e vós sereis excluídos.”
Depois de ter falado comigo, levantou-se do leito e, tomando o Pastor e as virgens, partiu. Mas disse-me que enviaria de volta o Pastor e as virgens à minha morada. Amém.