Doutrina da Igreja
Catecismo Maior de São Pio X
São Pio X
Q201 – Q250
Q201
P. Com que fim Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade? R. Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade para que todos tenhamos certeza e segurança da verdade que a Igreja ensina.
Q202
P. Quando foi definido que o Papa é infalível? R. Que o Papa é infalível foi definido pela Igreja no Concílio Vaticano, e se alguém presumisse contradizer esta definição seria herético e excomungado.
Q203
P. Ao definir que o Papa é infalível, a Igreja estabeleceu porventura uma nova verdade de fé? R. Não; ao definir que o Papa é infalível, a Igreja não estabeleceu uma nova verdade de fé, mas somente, para se opor a novos erros, definiu que a infalibilidade do Papa, já contida na Sagrada Escritura e na Tradição, é uma verdade revelada por Deus e, portanto, a ser crida como dogma ou artigo de fé.
Q204
P. Como deve portar-se cada católico em relação ao Papa? R. Todo católico deve reconhecer o Papa como Pai, Pastor e Mestre universal, e manter-se a ele unido de mente e de coração.
Q205
P. Depois do Papa, quais são, por instituição divina, as personagens mais veneráveis na Igreja? R. Depois do Papa, por instituição divina, as personagens mais veneráveis da Igreja são os Bispos.
Q206
P. Quem são os Bispos? R. Os Bispos são os pastores dos fiéis, postos pelo Espírito Santo para reger a Igreja de Deus nas sedes a eles confiadas, sob a dependência do Romano Pontífice.
Q207
P. O que é o Bispo na própria diocese? R. O Bispo na própria diocese é o Pastor legítimo, o Pai, o Mestre e o superior de todos os fiéis, eclesiásticos e leigos, que pertencem à própria diocese.
Q208
P. Por que o Bispo é chamado Pastor legítimo? R. O Bispo é chamado Pastor legítimo porque a jurisdição, isto é, o poder que tem de governar os fiéis da própria diocese, lhe foi conferido segundo as normas e as leis da Igreja.
Q209
P. De quem são sucessores o Papa e os Bispos? R. O Papa é o sucessor de São Pedro, príncipe dos Apóstolos, e os Bispos são os sucessores dos Apóstolos, naquilo que diz respeito ao governo ordinário da Igreja.
Q210
P. Deve o fiel estar unido ao próprio Bispo? R. Sim, todo fiel, eclesiástico e leigo, deve estar unido de mente e de coração ao próprio Bispo, em graça e comunhão com a Sé Apostólica.
Q211
P. Como deve o fiel comportar-se com o próprio Bispo? R. Todo fiel, eclesiástico ou leigo, deve respeitar, amar e honrar o próprio Bispo, e prestar-lhe obediência em tudo o que se refere ao cuidado das almas e ao governo espiritual da diocese.
Q212
P. Por quem é auxiliado o Bispo no cuidado das almas? R. O Bispo no cuidado das almas é auxiliado pelos sacerdotes, e principalmente pelos párocos.
Q213
P. Quem é o Pároco? R. O Pároco é um sacerdote designado para presidir e dirigir, sob a dependência do Bispo, uma porção da diocese que se chama paróquia.
Q214
P. Quais são os deveres dos fiéis para com o seu pároco? R. Os fiéis devem manter-se unidos ao seu pároco, ouvi-lo docilmente e professar-lhe respeito e submissão em tudo o que diz respeito ao cuidado da paróquia.
Q215
P. O que nos ensina o nono artigo do Credo com aquelas palavras: a comunhão dos santos? R. Com as palavras a comunhão dos santos, o nono artigo do Credo nos ensina que na Igreja, pela íntima união que existe entre todos os seus membros, são comuns os bens espirituais, tanto internos como externos, que lhe pertencem.
Q216
P. Quais são os bens comuns internos na Igreja? R. Os bens comuns internos na Igreja são: a graça que se recebe nos sacramentos, a fé, a esperança, a caridade, os méritos infinitos de Jesus Cristo, os méritos superabundantes da Virgem e dos Santos, e o fruto de todas as boas obras que nessa mesma Igreja se praticam.
Q217
P. Quais são os bens externos comuns na Igreja? R. Os bens externos comuns na Igreja são: os sacramentos, o sacrifício da santa Missa, as orações públicas, as funções religiosas e todas as demais práticas exteriores que unem entre si os fiéis.
Q218
P. Nesta comunhão de bens entram todos os filhos da Igreja? R. Na comunhão dos bens internos entram os cristãos que estão em graça de Deus; os que, porém, estão em pecado mortal não participam desses bens.
Q219
P. Por que não participam desses bens aqueles que estão em pecado mortal? R. Porque a graça de Deus é o que une os fiéis com Deus e entre si; e por isso aqueles que estão em pecado mortal, estando sem a graça de Deus, ficam excluídos da comunhão dos bens espirituais.
Q220
P. Logo, os cristãos que estão em pecado mortal não têm nenhuma vantagem proveniente dos bens internos e espirituais da Igreja? R. Os cristãos que estão em pecado mortal têm ainda alguma vantagem proveniente dos bens internos e espirituais da Igreja, dos quais estão privados, na medida em que conservam o caráter do cristão, que é indelével, e são ajudados pelas orações e pelas boas obras dos fiéis a obter a graça de se converterem a Deus.
Q221
P. Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja? R. Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja, contanto que não estejam separados dela pela excomunhão.
Q222
P. Por que os membros desta comunhão, considerados em conjunto, se chamam santos? R. Os membros desta comunhão se chamam santos porque todos são chamados à santidade e foram santificados por meio do Batismo, e muitos deles já alcançaram a perfeita santidade.
Q223
P. A comunhão dos santos estende-se também ao céu e ao purgatório? R. Sim, a comunhão dos santos estende-se também ao céu e ao purgatório, porque a caridade une as três Igrejas: triunfante, purgante e militante; e os Santos rogam a Deus por nós e pelas almas do purgatório, e nós prestamos honra e glória aos Santos e podemos aliviar as almas do purgatório, aplicando em seu sufrágio Missas, esmolas, indulgências e outras boas obras.
Q224
P. Quem são aqueles que não pertencem à comunhão dos santos? R. Não pertencem à comunhão dos santos, na outra vida, os condenados, e nesta vida, aqueles que se encontram fora da verdadeira Igreja.
Q225
P. Quem são os que se encontram fora da verdadeira Igreja? R. Encontram-se fora da verdadeira Igreja os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.
Q226
P. Quem são os infiéis? R. Os infiéis são aqueles que não têm o Batismo e não creem em Jesus Cristo; seja porque creem e adoram falsas divindades, como os idólatras; seja porque, admitindo embora o único Deus verdadeiro, não creem em Cristo Messias, nem como já vindo na pessoa de Jesus Cristo, nem como por vir — tais são os maometanos e outros semelhantes.
Q227
P. Quem são os judeus? R. Os judeus são aqueles que professam a lei de Moisés; não receberam o batismo e não creem em Jesus Cristo.
Q228
P. Quem são os hereges? R. Os hereges são os batizados que recusam pertinazmente crer alguma verdade revelada por Deus e ensinada como de fé pela Igreja Católica, como por exemplo os arianos, os nestorianos e as várias seitas dos protestantes.
Q229
P. Quem são os apóstatas? R. Os apóstatas são aqueles que abjuram, ou seja, renegam por ato externo a fé católica que antes professavam.
Q230
P. Quem são os cismáticos? R. Os cismáticos são os cristãos que, sem negar explicitamente nenhum dogma, se separam voluntariamente da Igreja de Jesus Cristo, isto é, dos legítimos pastores.
Q231
P. Quem são os excomungados? R. Os excomungados são aqueles que, por faltas gravíssimas, são atingidos pela excomunhão pelo Papa ou pelo Bispo, e ficam assim, como indignos, separados do corpo da Igreja, a qual aguarda e deseja a sua conversão.
Q232
P. Deve-se temer a excomunhão? R. A excomunhão deve ser temida sobremaneira, pois é a pena mais grave e mais terrível que a Igreja pode infligir a seus filhos rebeldes e obstinados.
Q233
P. De quais bens ficam privados os excomungados? R. Os excomungados ficam privados das orações públicas, dos sacramentos, das indulgências e da sepultura eclesiástica.
Q234
P. Podemos nós ser de alguma utilidade aos excomungados? R. Podemos ser de alguma utilidade aos excomungados e a todos os outros que estão fora da verdadeira Igreja, com salutares conselhos, com orações e com boas obras, suplicando a Deus que, por sua misericórdia, lhes conceda a graça de se converterem à fé e de entrarem na comunhão dos Santos.
Q235
P. O que nos ensina o décimo artigo: A remissão dos pecados? R. O décimo artigo do Credo nos ensina que Jesus Cristo deixou à sua Igreja o poder de remitir os pecados.
Q236
P. A Igreja pode remitir toda sorte de pecados? R. Sim, a Igreja pode remitir todos os pecados, por mais numerosos e graves que sejam, porque Jesus Cristo lhe conferiu plena potestade de desligar e ligar.
Q237
P. Quem são os que na Igreja exercem este poder de remitir os pecados? R. Os que na Igreja exercem o poder de remitir os pecados são, em primeiro lugar, o Papa, que sozinho possui a plenitude desse poder; depois os Bispos e, sob a dependência dos Bispos, os sacerdotes.
Q238
P. Como a Igreja perdoa os pecados? R. A Igreja perdoa os pecados pelos méritos de Jesus Cristo, conferindo os sacramentos por Ele instituídos para este fim, principalmente o Batismo e a Penitência.
Q239
P. O que nos ensina o décimo primeiro artigo: A ressurreição da carne? R. O décimo primeiro artigo do Credo nos ensina que todos os homens ressuscitarão, retomando cada alma o corpo que teve nesta vida.
Q240
P. Como se dará a ressurreição dos mortos? R. A ressurreição dos mortos se dará pela virtude de Deus onipotente, para quem nada é impossível.
Q241
P. Quando ocorrerá a ressurreição dos mortos? R. A ressurreição de todos os mortos ocorrerá no fim do mundo, e então se seguirá o juízo universal.
Q242
P. Por que quer Deus a ressurreição dos corpos? R. Deus quer a ressurreição dos corpos porque, tendo a alma praticado o bem ou o mal unida ao corpo, seja ainda juntamente com ele premiada ou punida.
Q243
P. Todos os homens ressuscitarão da mesma maneira? R. Não; haverá grandíssima diferença entre os corpos dos eleitos e os corpos dos condenados, porque somente os corpos dos eleitos terão, à semelhança de Jesus Cristo ressuscitado, os dotes dos corpos gloriosos.
Q244
P. Quais são esses dotes que adornarão os corpos dos eleitos? R. Os dotes que adornarão os corpos gloriosos dos eleitos são: 1.º a impassibilidade, pela qual não poderão mais estar sujeitos a males, a dores de espécie alguma, nem à necessidade de alimento, de repouso ou de qualquer outra coisa; 2.º a claridade, pela qual resplandecerão à semelhança do sol e de outras tantas estrelas; 3.º a agilidade, pela qual poderão passar num instante e sem esforço de um lugar a outro e da terra ao céu; 4.º a subtileza, pela qual poderão penetrar sem obstáculo qualquer corpo, como fez Jesus Cristo ressuscitado.
Q245
P. Como serão os corpos dos condenados? R. Os corpos dos condenados estarão privados dos dotes dos corpos gloriosos dos Bem-aventurados e trarão a horrível marca da eterna reprovação.
Q246
P. O que nos ensina o último artigo: A vida eterna? R. O último artigo do Credo nos ensina que após a vida presente há uma outra vida, ou eternamente bem-aventurada para os eleitos no paraíso, ou eternamente infeliz para os condenados no inferno.
Q247
P. Podemos nós compreender a felicidade do paraíso? R. Não, nós não podemos compreender a felicidade do paraíso, porque ela supera o conhecimento de nossa mente limitada, e porque os bens do céu não podem ser comparados aos bens deste mundo.
Q248
P. Em que consiste a felicidade dos eleitos? R. A felicidade dos eleitos consiste em ver, amar e possuir eternamente a Deus, fonte de todo bem.
Q249
P. Em que consiste a infelicidade dos condenados? R. A infelicidade dos condenados consiste em estarem para sempre privados da visão de Deus e em serem punidos com tormentos eternos no inferno.
Q250
P. Os bens do paraíso e os males do inferno são somente para as almas? R. Os bens do paraíso e os males do inferno são agora somente para as almas, porque apenas as almas estão agora no paraíso ou no inferno; mas após a ressurreição da carne, os homens, na plenitude de sua natureza, isto é, em alma e corpo, serão para sempre ou felizes ou atormentados.