Doutrina da Igreja
Catecismo Maior de São Pio X
São Pio X
Q401 – Q450
Q401
P. Sob o nome de pai e mãe, quais outras pessoas abrange este mandamento? R. Este mandamento, sob o nome de pai e mãe, abrange ainda todos os superiores, tanto eclesiásticos como seculares, aos quais, por isso, devemos obediência e respeito.
Q402
P. De onde vem aos pais a autoridade de mandar nos filhos, e aos filhos a obrigação de lhes obedecer? R. A autoridade que os pais têm de mandar nos filhos, e a obrigação dos filhos de obedecer, vem de Deus, que constituiu e ordenou a família, a fim de que nela o homem encontre os primeiros meios necessários ao seu aperfeiçoamento material e espiritual.
Q403
P. Os pais têm deveres para com os seus filhos? R. Os pais têm o dever de amar, alimentar e sustentar os seus filhos, de prover à sua educação religiosa e civil, de lhes dar bom exemplo, de afastá-los da ocasião de pecado, de corrigi-los de suas faltas e de ajudá-los a abraçar o estado ao qual são chamados por Deus.
Q404
P. Deu-nos Deus o exemplo de família perfeita? R. Deus nos deu o exemplo de família perfeita na Sagrada Família, na qual Jesus Cristo viveu sujeito a Maria Santíssima e a São José até os trinta anos, isto é, até quando começou a exercer a missão que lhe foi confiada pelo Eterno Pai de pregar o Evangelho.
Q405
P. Se as famílias vivessem sozinhas, separadas umas das outras, poderiam prover a todas as suas necessidades materiais e morais? R. Se as famílias vivessem sozinhas, separadas umas das outras, não poderiam prover às suas necessidades, sendo necessário que se unam em sociedade civil, a fim de auxiliarem-se mutuamente para o aperfeiçoamento e a felicidade comum.
Q406
P. O que é a sociedade civil? R. A sociedade civil é a união de muitas famílias dependentes da autoridade de um chefe, para se ajudarem mutuamente a alcançar o aperfeiçoamento recíproco e a felicidade temporal.
Q407
P. De onde vem à sociedade civil a autoridade que a governa? R. A autoridade que governa a sociedade civil vem de Deus, que a quer constituída para o bem comum.
Q408
P. Existe a obrigação de respeitar e obedecer à autoridade que governa a sociedade civil? R. Sim, todos os que pertencem à sociedade civil têm a obrigação de respeitar e obedecer à autoridade, porque ela vem de Deus e porque assim o exige o bem comum.
Q409
P. Devem-se respeitar todas as leis que são impostas pela autoridade civil? R. Devem-se respeitar todas as leis que a autoridade civil impõe, contanto que não sejam contrárias à lei de Deus, segundo o mandato e o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Q410
P. Além do respeito e da obediência às leis impostas pela autoridade, têm os membros da sociedade civil outros deveres? R. Os membros da sociedade civil têm, além da obrigação de respeitar e obedecer às leis, o dever de viver em concórdia e de empenhar-se cada um, com os próprios meios e forças, para que ela seja virtuosa, pacífica, ordenada e próspera, em benefício comum.
Q411
P. O que proíbe o quinto mandamento: Não matarás? R. O quinto mandamento: Não matarás, proíbe tirar a vida, espancar, ferir ou causar qualquer outro dano corporal ao próximo, seja por si mesmo, seja por meio de outrem; como também ofendê-lo com palavras injuriosas e querer-lhe mal. Neste mandamento, Deus proíbe igualmente tirar a própria vida, isto é, o suicídio.
Q412
P. Por que é pecado grave matar o próximo? R. Porque o homicida usurpa temerariamente o direito que só Deus tem sobre a vida do homem; porque destrói a segurança da convivência humana; e porque priva o próximo da vida, que é o maior bem natural que ele possui na terra.
Q413
P. Há casos em que seja lícito matar o próximo? R. É lícito matar o próximo quando se combate em uma guerra justa, quando se executa, por ordem da autoridade suprema, a pena de morte em punição de algum delito; e, finalmente, quando se trata de defesa necessária e legítima da própria vida contra um agressor injusto.
Q414
P. Deus, no quinto mandamento, proíbe também de prejudicar a vida espiritual do próximo? R. Sim, Deus no quinto mandamento proíbe também de prejudicar a vida espiritual do próximo pelo escândalo.
Q415
P. O que é o escândalo? R. O escândalo é qualquer dito, ato ou omissão que serve de ocasião a outros para cometerem pecados.
Q416
P. O escândalo é pecado grave? R. O escândalo é pecado grave, porque tende a destruir a maior obra de Deus, que é a redenção, com a perdição das almas; dá ao próximo a morte da alma, privando-o da vida da graça, que é mais preciosa do que a vida do corpo; e é causa de uma multidão de pecados. Por isso, Deus ameaça os escandalosos com os mais severos castigos.
Q417
P. Por que no quinto mandamento Deus proíbe tirar a própria vida, isto é, o suicídio? R. No quinto mandamento, Deus proíbe o suicídio porque o homem não é senhor de sua própria vida, assim como não o é da vida alheia. A Igreja, por sua vez, pune o suicida com a privação da sepultura eclesiástica.
Q418
P. É também proibido pelo quinto mandamento o duelo? R. Sim, pelo quinto mandamento é também proibido o duelo, porque o duelo participa da malícia do suicídio e do homicídio, e é excomungado todo aquele que voluntariamente nele toma parte, ainda que como simples espectador.
Q419
P. É também proibido o duelo quando esteja excluído o perigo de morte? R. É também proibido esse duelo, porque não somente não podemos matar, mas tampouco ferir voluntariamente a nós mesmos e aos outros.
Q420
P. A defesa da honra pode escusar o duelo? R. Não: porque não é verdade que no duelo se repare a ofensa; e porque não se pode reparar a honra com uma ação injusta, irracional e bárbara, qual é o duelo.
Q421
P. O que nos ordena o quinto mandamento? R. O quinto mandamento nos ordena que perdoemos os nossos inimigos e que amemos a todos.
Q422
P. O que deve fazer quem prejudicou o próximo na vida do corpo ou na da alma? R. Quem prejudicou o próximo não basta que se confesse, mas deve também reparar o mal que fez, ressarcindo ao próximo os danos causados, retratando os erros ensinados e dando bons exemplos.
Q423
P. O que nos proíbe o sexto mandamento: Não fornicarás? R. O sexto mandamento: Não fornicarás, proíbe-nos todo ato, todo olhar, todo discurso contrário à castidade, e a infidelidade no matrimônio.
Q424
P. O que proíbe o nono mandamento? R. O nono mandamento proíbe expressamente todo desejo contrário à fidelidade que os cônjuges juraram um ao outro ao contrair matrimônio; e proíbe também todo pensamento culpável ou todo desejo de ação vedada pelo sexto mandamento.
Q425
P. É grande pecado a impureza? R. É um pecado gravíssimo e abominável diante de Deus e dos homens; degrada o homem à condição dos brutos, arrasta-o a muitos outros pecados e vícios, e provoca os mais terríveis castigos nesta vida e na outra.
Q426
P. São pecados todos os pensamentos que nos ocorrem contra a pureza? R. Os pensamentos que nos ocorrem contra a pureza não são, em si mesmos, pecados, mas antes tentações e estímulos ao pecado.
Q427
P. Quando é que os maus pensamentos são pecados? R. Os maus pensamentos, ainda que ineficazes, são pecados quando culpavelmente lhes damos ocasião, ou neles consentimos, ou nos expomos ao perigo próximo de neles consentir.
Q428
P. O que nos ordenam o sexto e o nono mandamentos? R. O sexto mandamento nos ordena que sejamos castos e modestos nos atos, nos olhares, no comportamento e nas palavras. O nono mandamento nos ordena que sejamos castos e puros também interiormente, isto é, na mente e no coração.
Q429
P. O que devemos fazer para observar o sexto e o nono mandamento? R. Para bem observar o sexto e o nono mandamento, devemos orar frequentemente e de coração a Deus, ser devotos da Virgem Maria Mãe da pureza, lembrar-nos de que Deus nos vê, pensar na morte, nos castigos divinos, na Paixão de Jesus Cristo, guardar os nossos sentidos, praticar a mortificação cristã e frequentar os sacramentos com as devidas disposições.
Q430
P. O que devemos evitar para nos mantermos castos? R. Para nos mantermos castos convém evitar a ociosidade, as más companhias, a leitura de livros e jornais maus, a intemperança, o olhar imagens indecentes, os espetáculos licenciosos, as conversações perigosas e todas as demais ocasiões de pecado.
Q431
P. O que nos proíbe o sétimo mandamento: Não furtarás? R. O sétimo mandamento: Não furtarás, proíbe tomar e reter injustamente os bens alheios, bem como causar dano ao próximo em seus bens de qualquer outro modo.
Q432
P. O que significa roubar? R. Significa tomar injustamente os bens alheios contra a vontade do dono, quando este tem toda a razão e o direito de não querer ser deles privado.
Q433
P. Por que se proíbe furtar? R. Porque se peca contra a justiça e se faz injúria ao próximo, tomando e retendo, contra o seu direito e a sua vontade, aquilo que lhe pertence.
Q434
P. O que é o bem alheio? R. É tudo aquilo que pertence ao próximo, de que ele tem a propriedade ou o uso, ou que guarda em depósito.
Q435
P. De quantas maneiras se toma injustamente o bem alheio? R. De duas maneiras: pelo furto e pela rapina.
Q436
P. Como se comete o furto? R. O furto se comete tomando ocultamente os bens alheios.
Q437
P. Como se comete o roubo com violência? R. O roubo com violência comete-se tomando aberta e violentamente os bens alheios.
Q438
P. Em que casos se pode tomar os bens alheios sem cometer pecado? R. Quando o dono não fosse contrário, ou quando injustamente não o quisesse, como aconteceria com quem estivesse em extrema necessidade, contanto que tomasse somente o estritamente necessário para acudir à urgente e extrema precisão.
Q439
P. Somente pelo furto e pela rapina se prejudica o próximo em seus bens? R. Prejudica-se também pela fraude, pela usura e por qualquer outra injustiça contra os seus bens.
Q440
P. Como se comete a fraude? R. A fraude se comete enganando o próximo no comércio com pesos, medidas ou moedas falsas e com mercadorias de má qualidade; falsificando escrituras e documentos; em suma, praticando enganos nas compras, nas vendas e em qualquer outro contrato, bem como quando não se quer dar o que é justo e o que foi acordado.
Q441
P. De que modo se comete a usura? R. A usura comete-se exigindo, sem título legítimo, um juro ilícito por uma soma emprestada, abusando da necessidade e da ignorância alheias.
Q442
P. Que outras injustiças se cometem contra os bens do próximo? R. Fazendo-o perder injustamente o que possui, danificando-lhe as propriedades, não trabalhar conforme o dever, não pagar por malícia as dívidas e os salários devidos, ferir ou matar animais que lhe pertencem, arruinar as coisas recebidas em custódia, impedir alguém de obter um ganho justo, ser cúmplice de ladrões, receber, ocultar ou comprar objetos roubados.
Q443
P. É pecado grave roubar? R. É um pecado grave contra a justiça quando se trata de matéria grave, sendo coisa de suma importância que seja respeitado o direito que cada um tem sobre os seus próprios bens, e isso pelo bem dos indivíduos, das famílias e da sociedade.
Q444
P. Quando é grave a matéria do furto? R. É grave quando se subtrai coisa de valor relevante, e também quando, subtraindo-se coisa de pouco valor, o próximo sofre com isso grave dano.
Q445
P. O que nos ordena o sétimo mandamento? R. O sétimo mandamento nos ordena que respeitemos os bens alheios, que paguemos o justo salário aos trabalhadores e que observemos a justiça em tudo o que diz respeito à propriedade alheia.
Q446
P. Quem pecou contra o sétimo mandamento basta que se confesse? R. Quem pecou contra o sétimo mandamento não basta que se confesse, mas é necessário que faça o que puder para restituir os bens alheios e ressarcir os danos.
Q447
P. O que é a reparação dos danos? R. A reparação dos danos é a compensação que se deve dar ao próximo pelos frutos e ganhos perdidos em razão do furto e das outras injustiças cometidas em seu prejuízo.
Q448
P. A quem se deve restituir o bem roubado? R. A quem foi roubado; aos seus herdeiros, se ele houver falecido; e se isso for verdadeiramente impossível, deve-se destinar o seu valor em benefício dos pobres e de obras pias.
Q449
P. O que se deve fazer quando se encontra alguma coisa de grande valor? R. Deve-se empregar toda a diligência para encontrar o seu dono e restituir-lha fielmente.
Q450
P. O que nos proíbe o oitavo mandamento: Não dirás falso testemunho? R. O oitavo mandamento: Não dirás falso testemunho, proíbe-nos de atestar o falso em juízo; e proíbe ainda a detração ou murmuração, a calúnia, a adulação, o juízo e a suspeita temerários e toda espécie de mentira.