Doutrina da Igreja

Catecismo Maior de São Pio X

São Pio X

Q751 – Q800

Q751

P. Se alguém não tivesse certeza de ter cometido um pecado, deve confessá-lo? R. Se alguém não tivesse certeza de ter cometido um pecado, não é obrigado a confessá-lo; se, porém, quisesse acusá-lo, deverá acrescentar que não tem certeza de tê-lo cometido.

Q752

P. Quem não se recorda com precisão do número de seus pecados, o que deve fazer? R. Quem não se recorda com precisão do número de seus pecados deve acusar o número aproximado.

Q753

P. Quem calou por pura esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão? R. Quem calou por pura esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão, contanto que tenha usado a devida diligência para recordar-se deles.

Q754

P. Se um pecado mortal esquecido na confissão vier depois à memória, somos obrigados a acusá-lo em outra confissão? R. Se um pecado mortal esquecido na confissão vier depois à memória, somos sem dúvida obrigados a acusá-lo na primeira vez em que nos confessarmos novamente.

Q755

P. Quem, por vergonha ou por qualquer outro motivo, cala culpavelmente na confissão algum pecado mortal, que comete? R. Aquele que, por vergonha ou por qualquer outro motivo, cala culpavelmente algum pecado mortal na confissão, profana o sacramento e, por isso, torna-se réu de um gravíssimo sacrilégio.

Q756

P. Quem calou culpavelmente algum pecado mortal na confissão, como deve prover à própria consciência? R. Quem calou culpavelmente algum pecado mortal na confissão deve expor ao confessor o pecado calado, dizer em quantas confissões o calou e refazer todas as confissões a partir da última bem feita.

Q757

P. O que deve considerar quem fosse tentado a calar algum pecado na confissão? R. Quem fosse tentado a calar um pecado grave na confissão deve considerar:

Q758

P. O que significa: a acusação deve ser sincera? R. A acusação deve ser sincera quer dizer que é necessário declarar os próprios pecados tais como são, sem os desculpar, diminuir ou aumentar.

Q759

P. Que quer dizer: a confissão deve ser prudente? R. A confissão deve ser prudente quer dizer que, ao confessar os pecados, devemos servir-nos dos termos mais modestos, e que devemos guardar-nos de revelar os pecados alheios.

Q760

P. O que significa: a confissão deve ser breve? R. A confissão deve ser breve significa que não devemos dizer nada de inútil ao confessor.

Q761

P. Não é penoso ter de confessar a outrem os próprios pecados, sobretudo se são muito vergonhosos? R. Ainda que confessar a outrem os próprios pecados possa ser penoso, é necessário fazê-lo, porque é de preceito divino e de outro modo não se pode obter o perdão dos pecados cometidos; e, além disso, porque a dificuldade de confessar-se é compensada por muitas vantagens e por grandes consolações.

Q762

P. Como vos apresentareis ao confessor? R. Ajoelhar-me-ei aos pés do confessor e direi: abençoai-me, padre, porque pequei.

Q763

P. Que fareis enquanto o confessor vos der a bênção? R. Inclinar-me-ei humildemente para receber a bênção e farei o sinal da Cruz.

Q764

P. Feito o sinal da Cruz, o que se deve dizer? R. Feito o sinal da Cruz, deve-se dizer: confesso-me a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada Virgem Maria, a todos os Santos e a vós, meu pai espiritual, porque pequei.

Q765

P. E depois, o que é preciso dizer? R. Depois é preciso dizer: confessei-me em tal época; pela graça de Deus recebi a absolvição, fiz a penitência e fui à Comunhão. Em seguida, faz-se a acusação dos pecados.

Q766

P. Terminada a acusação dos pecados, que fareis? R. Terminada a acusação dos pecados, direi: acuso-me ainda de todos os pecados da vida passada, especialmente contra tal ou tal virtude — por exemplo, contra a pureza, contra o quarto mandamento, etc.

Q767

P. Após essa acusação, o que se deve dizer? R. Deve-se dizer: de todos estes pecados e daqueles de que não me recordo, peço perdão a Deus de todo o coração; e a vós, meu pai espiritual, peço a penitência e a absolvição.

Q768

P. Terminada assim a acusação dos pecados, o que resta a fazer? R. Terminada a acusação dos pecados, é preciso escutar com respeito o que disser o confessor; aceitar a penitência com sincera vontade de cumpri-la; e enquanto ele der a absolvição, renovar de coração o ato de contrição.

Q769

P. Recebida a absolvição, o que resta a fazer? R. Recebida a absolvição, é necessário dar graças ao Senhor, cumprir a penitência o mais cedo possível e pôr em prática os avisos do confessor.

Q770

P. Devem os confessores dar sempre a absolvição àqueles que se confessam? R. Os confessores devem dar a absolvição somente àqueles que julgarem bem dispostos para recebê-la.

Q771

P. Podem os confesores diferir ou negar às vezes a absolvição? R. Os confessores não somente podem, mas devem diferir ou negar a absolvição em certos casos, para não profanar o sacramento.

Q772

P. Quais são os penitentes que devem ser considerados mal dispostos, e aos quais se deve ordinariamente negar ou diferir a absolvição? R. Os penitentes que devem ser considerados mal dispostos são principalmente estes:

Q773

P. Não é demasiado rigoroso o confessor que difere a absolvição ao penitente por não o considerar ainda bem disposto? R. O confessor que difere a absolvição ao penitente por não o considerar ainda bem disposto não é demasiado rigoroso, mas antes muito caridoso, pautando-se como um bom médico que tenta todos os remédios, ainda que desagradáveis e dolorosos, para salvar a vida do enfermo.

Q774

P. O pecador a quem se difere ou se nega a absolvição deverá desesperar-se, ou afastar-se completamente da confissão? R. O pecador a quem se difere ou se nega a absolvição não deve desesperar-se nem afastar-se completamente da confissão; mas deve humilhar-se, reconhecer o seu deplorável estado, aproveitar os bons conselhos que o confessor lhe dá, e assim colocar-se o mais brevemente possível em estado de merecer a absolvição.

Q775

P. O que deve fazer o penitente quanto à escolha do confessor? R. O verdadeiro penitente deve recomendar-se muito a Deus pela escolha de um confessor piedoso, douto e prudente, e depois pôr-se em suas mãos e submeter-se a ele como a seu juiz e médico.

Q776

P. O que é a satisfação? R. A satisfação, que também se chama penitência sacramental, é um dos atos do penitente, pelo qual ele oferece alguma reparação à justiça de Deus pelos pecados cometidos, cumprindo as obras que o confessor lhe impõe.

Q777

P. O penitente é obrigado a aceitar a penitência imposta pelo confessor? R. O penitente é obrigado a aceitar a penitência imposta pelo confessor, se puder cumpri-la; e se não puder cumpri-la, deve dizê-lo humildemente ao próprio confessor e pedir-lhe outra.

Q778

P. Quando se deve fazer a penitência? R. Se o confessor não prescreveu nenhum tempo, a penitência deve ser feita o mais cedo possível, procurando-se fazê-la em estado de graça.

Q779

P. Como se deve fazer a penitência? R. A penitência deve ser feita de modo íntegro e com devoção.

Q780

P. Por que na confissão se impõe a penitência? R. A penitência se impõe porque, ordinariamente, após a absolvição sacramental que remite a culpa e a pena eterna, resta uma pena temporal a ser cumprida neste mundo ou no purgatório.

Q781

P. Por que razão quis o Senhor remitir no sacramento do Batismo toda a pena devida pelos pecados, e não no sacramento da Penitência? R. O Senhor quis remitir no sacramento do Batismo toda a pena devida pelos pecados, e não no sacramento da Penitência, porque os pecados cometidos após o Batismo são muito mais graves, sendo praticados com maior conhecimento e ingratidão para com os benefícios de Deus, e também para que a obrigação de satisfazê-los sirva de freio a não recair no pecado.

Q782

P. Podemos nós, por nós mesmos, satisfazer a Deus? R. Nós, por nós mesmos, não podemos satisfazer a Deus; mas bem o podemos fazendo-nos unidos a Jesus Cristo, que, pelo mérito de sua paixão e morte, dá valor às nossas ações.

Q783

P. A penitência que o confessor impõe basta sempre para cancelar a pena que permanece devida pelos pecados? R. A penitência que o confessor impõe ordinariamente não basta para satisfazer a pena que permanece devida pelos pecados; por isso é preciso procurar supri-la com outras penitências voluntárias.

Q784

P. Quais são as obras de penitência? R. As obras de penitência podem reduzir-se a três espécies: a oração, o jejum e a esmola.

Q785

P. O que entendeis por oração? R. Por oração entende-se toda sorte de exercícios de piedade.

Q786

P. O que se entende por jejum? R. Por jejum entende-se toda sorte de mortificação.

Q787

P. O que se entende por esmola? R. Por esmola entende-se qualquer obra de misericórdia espiritual e corporal.

Q788

P. Qual penitência é mais meritória, a que dá o confessor ou a que fazemos por nossa própria escolha? R. A penitência que nos dá o confessor é a mais meritória, porque, sendo parte do sacramento, recebe maior virtude dos méritos da paixão de Jesus Cristo.

Q789

P. Os que morrem depois de terem recebido a absolvição, mas antes de terem plenamente satisfeito à justiça de Deus, vão logo para o paraíso? R. Não; vão para o purgatório, a fim de aí satisfazerem à justiça de Deus e purificarem-se inteiramente.

Q790

P. As almas que estão no purgatório podem ser por nós aliviadas nas suas penas? R. Sim, as almas que estão no purgatório podem ser aliviadas com as orações, com as esmolas, com todas as outras boas obras e com as indulgências, mas sobretudo com o santo sacrifício da Missa.

Q791

P. Além da penitência, o que mais deve fazer o penitente após a confissão? R. O penitente, após a confissão, além da penitência, se injustamente prejudicou o próximo nos bens ou na honra, ou se lhe deu escândalo, deve, tanto quanto lhe seja possível e o mais brevemente possível, restituir-lhe os bens, reparar-lhe a honra e remediar o escândalo.

Q792

P. Como se pode remediar o escândalo que foi causado? R. Pode-se remediar o escândalo que foi causado, fazendo cessar a sua ocasião e edificando com as palavras e com o bom exemplo aqueles que escandalizamos.

Q793

P. De que maneira se deverá satisfazer ao próximo quando foi por nós ofendido? R. Dever-se-á satisfazer ao próximo, quando foi por nós ofendido, pedindo-lhe perdão ou dando-lhe alguma outra reparação conveniente.

Q794

P. Que frutos produz em nós uma boa confissão? R. Uma boa confissão: 1.º remite-nos os pecados cometidos e dá-nos a graça de Deus; 2.º restitui-nos a paz e a tranquilidade da consciência; 3.º reabre-nos as portas do paraíso e transforma a pena eterna do inferno em pena temporal; 4.º preserva-nos das recaídas e torna-nos capazes de aproveitar o tesouro das indulgências.

Q795

P. O que é a indulgência? R. A indulgência é a remissão da pena temporal devida pelos nossos pecados, já remidos quanto à culpa; remissão que a Igreja concede fora do sacramento da Penitência.

Q796

P. De quem recebeu a Igreja a faculdade de conceder as indulgências? R. A Igreja recebeu a faculdade de conceder as indulgências de Jesus Cristo.

Q797

P. De que modo a Igreja nos remite a pena temporal por meio das indulgências? R. A Igreja nos remite a pena temporal por meio das indulgências, aplicando-nos as satisfações superabundantes de Jesus Cristo, de Maria Santíssima e dos Santos, as quais formam o que se chama o tesouro da Igreja.

Q798

P. Quem tem o poder de conceder as indulgências? R. O poder de conceder as indulgências pertence somente ao Papa em toda a Igreja, e ao Bispo na sua diocese, segundo a faculdade que lhe foi concedida pelo Papa.

Q799

P. De quantas espécies são as indulgências? R. As indulgências são de duas espécies: a indulgência plenária e a indulgência parcial.

Q800

P. O que é a indulgência plenária? R. A indulgência plenária é aquela pela qual nos é remitida toda a pena temporal devida por nossos pecados. Por isso, se alguém morresse depois de ter recebido tal indulgência, iria imediatamente ao Paraíso, isento de todo e qualquer sofrimento do purgatório.

Referência atual: Q751