Doutrina da Igreja

Catecismo Maior de São Pio X

São Pio X

Q451 – Q500

Q451

P. O que é a detração ou murmuração? R. A detração ou murmuração é um pecado que consiste em manifestar, sem justo motivo, os pecados e defeitos alheios.

Q452

P. O que é a calúnia? R. A calúnia é um pecado que consiste em atribuir maliciosamente ao próximo culpas e defeitos que ele não tem.

Q453

P. O que é a adulação? R. A adulação é um pecado que consiste em enganar alguém dizendo falsamente bem dele ou de outros, com o intuito de obter alguma vantagem.

Q454

P. O que é o juízo ou suspeita temerária? R. O juízo ou suspeita temerária é um pecado que consiste em julgar ou suspeitar mal dos outros sem fundamento justo.

Q455

P. O que é a mentira? R. A mentira é um pecado que consiste em afirmar como verdadeiro ou como falso, por palavras ou por atos, aquilo que não se crê como tal.

Q456

P. De quantas espécies é a mentira? R. A mentira é de três espécies: jocosa, oficiosa e prejudicial.

Q457

P. O que é a mentira jocosa? R. A mentira jocosa é aquela com que se mente por brincadeira e sem prejuízo de ninguém.

Q458

P. O que é a mentira oficiosa? R. A mentira oficiosa é a afirmação do falso em proveito próprio ou alheio, sem prejuízo de ninguém.

Q459

P. Qual é a mentira prejudicial? R. A mentira prejudicial é a afirmação do falso com prejuízo do próximo.

Q460

P. É alguma vez lícito dizer mentira? R. Nunca é lícito dizer mentira, nem por brincadeira, nem em proveito próprio, nem em proveito alheio, por ser coisa má em si mesma.

Q461

P. Que pecado é a mentira? R. A mentira, quando é jocosa ou oficiosa, é pecado venial; quando, porém, é prejudicial, é pecado mortal, se o dano que causa é grave.

Q462

P. É necessário dizer sempre tudo o que se pensa? R. Não é sempre necessário, especialmente quando quem interroga não tem o direito de saber o que pergunta.

Q463

P. A quem pecou contra o oitavo mandamento, basta confessar-se? R. A quem pecou contra o oitavo mandamento não basta confessar-se, mas é também obrigado a retratar o que disse caluniando o próximo, e a reparar, do melhor modo que puder, os danos que lhe causou.

Q464

P. O que nos ordena o oitavo mandamento? R. O oitavo mandamento nos ordena que digamos a verdade a tempo e lugar, e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto nos seja possível, as ações do nosso próximo.

Q465

P. O que nos proíbe o décimo mandamento: Não cobiçarás os bens alheios? R. O décimo mandamento: Não cobiçarás os bens alheios, proíbe o desejo de privar o próximo de seus bens e o desejo de adquirir bens por meios injustos.

Q466

P. Por que proíbe Deus também o desejo dos bens alheios? R. Deus nos proíbe os desejos desordenados dos bens alheios, porque quer que nós sejamos justos também interiormente e nos mantenhamos cada vez mais afastados das obras injustas.

Q467

P. O que nos ordena o décimo mandamento? R. O décimo mandamento nos ordena que nos contentemos com o estado em que Deus nos colocou e que suportemos com paciência a pobreza, quando Deus nos queira em tal estado.

Q468

P. Como pode o cristão estar contente no estado de pobreza? R. O cristão pode estar contente mesmo no estado de pobreza, considerando que o maior bem é a consciência pura e tranquila, que a nossa verdadeira pátria é o céu, e que Jesus Cristo se fez pobre por amor de nós e prometeu uma recompensa especial a todos os que suportam com paciência a pobreza.

Q469

P. Além dos mandamentos de Deus, que mais devemos nós observar? R. Além dos mandamentos de Deus, devemos observar os preceitos da Igreja.

Q470

P. Somos obrigados a obedecer à Igreja? R. Sem dúvida somos obrigados a obedecer à Igreja, porque o próprio Jesus Cristo o manda, e porque os preceitos da Igreja ajudam a observar os mandamentos de Deus.

Q471

P. Quando começa a obrigação de observar os preceitos da Igreja? R. A obrigação de observar os preceitos da Igreja começa, em geral, com o uso da razão.

Q472

P. É pecado transgredir um preceito da Igreja? R. Transgredir advertidamente um preceito da Igreja em matéria grave é pecado mortal.

Q473

P. Quem pode dispensar de um preceito da Igreja? R. De um preceito da Igreja só pode dispensar o Papa e aquele a quem ele tiver concedido tal faculdade.

Q474

P. Quantos e quais são os preceitos da Igreja? R. Os preceitos da Igreja são cinco:

Q475

P. O que nos ordena o primeiro preceito ou mandamento da Igreja: Ouvir a Missa todos os domingos e nas outras festas de guarda? R. O primeiro preceito da Igreja: Ouvir a Missa todos os domingos e nas outras festas de guarda, nos ordena que assistamos com devoção à santa Missa em todos os domingos e nas demais festas de preceito.

Q476

P. Qual é a Missa à qual a Igreja deseja que se assista nos domingos e nas outras festas de preceito? R. A Missa à qual a Igreja deseja que, na medida do possível, se assista nos domingos e nas outras festas de preceito é a Missa paroquial.

Q477

P. Por que a Igreja recomenda aos fiéis que assistam à Missa paroquial? R. A Igreja recomenda aos fiéis que assistam à Missa paroquial: 1.º para que os que pertencem à mesma paróquia se unam em oração juntamente com o pároco, que é o seu chefe; 2.º para que os paroquianos participem mais plenamente do santo sacrifício, que é aplicado principalmente em seu favor; 3.º para que ouçam as verdades do Evangelho que os párocos têm obrigação de expor na santa Missa; 4.º para que tomem conhecimento das prescrições e avisos que se publicam na dita Missa.

Q478

P. O que quer dizer: domingo? R. Domingo quer dizer dia do Senhor, isto é, dia especialmente consagrado ao culto divino.

Q479

P. Por que no primeiro mandamento da Igreja se faz menção especial do domingo? R. No primeiro mandamento da Igreja se faz menção especial do domingo porque ele é a festa principal entre os cristãos, assim como o sábado era a festa principal entre os judeus, instituída pelo próprio Deus.

Q480

P. Que outras festas instituiu a Igreja? R. A Igreja instituiu também as festas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos.

Q481

P. Por que a Igreja instituiu outras festas de Nosso Senhor? R. A Igreja instituiu outras festas de Nosso Senhor em memória dos seus divinos mistérios.

Q482

P. Por que foram instituídas as festas da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos? R. As festas da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos foram instituídas: 1.º em memória das graças que Deus lhes concedeu, e para render graças à bondade divina por elas; 2.º para que nós os honremos, imitemos os seus exemplos e sejamos assistidos pelas suas orações.

Q483

P. O que nos ordena o segundo preceito da Igreja com as palavras: Jejuar nos dias mandados? R. O segundo preceito da Igreja com as palavras: Jejuar nos dias mandados, nos ordena observar o jejum: 1.º na Quaresma; 2.º em alguns dias do Advento, onde isso é prescrito; 3.º nas quatro têmporas; 4.º em algumas vigílias.

Q484

P. Em que consiste o jejum? R. O jejum consiste em fazer uma única refeição por dia e em abster-se dos alimentos proibidos.

Q485

P. Nos dias de jejum, pode-se fazer à noite uma pequena refeição? R. Por condescendência da Igreja, pode-se, nos dias de jejum, fazer uma pequena refeição à noite.

Q486

P. Para que serve o jejum? R. O jejum serve para melhor nos dispormos à oração, para fazermos penitência dos pecados cometidos e para nos preservarmos de cometer novos.

Q487

P. Quem é obrigado ao jejum? R. Ao jejum são obrigados todos os cristãos que hajam completado vinte e um anos e que não estejam dispensados ou escusados por legítimo impedimento.

Q488

P. Os que não têm obrigação do jejum estão de todo isentos da mortificação? R. Os que não têm obrigação do jejum não estão de todo isentos da mortificação, porque todos somos obrigados a fazer penitência.

Q489

P. Para que fim foi instituída a Quaresma? R. A Quaresma foi instituída para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto, e para nos preparar, por meio da penitência, a celebrar santamente a Páscoa.

Q490

P. Com que fim foi instituído o jejum do Advento? R. O jejum do Advento foi instituído para nos dispor a celebrar santamente o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Q491

P. Para que fim foi instituído o jejum das quatro têmporas? R. O jejum das quatro têmporas foi instituído para consagrar cada estação do ano com a penitência de alguns dias; para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; para lhe agradecer pelos frutos já concedidos, e para suplicar-lhe que dê à sua Igreja bons ministros, para os quais se realiza a ordenação nos sábados das quatro têmporas.

Q492

P. Para que fim foi instituído o jejum das vésperas? R. O jejum das vésperas foi instituído para nos preparar a celebrar santamente as festas principais.

Q493

P. O que nos é proibido na sexta-feira e no sábado não dispensado? R. Na sexta-feira e no sábado não dispensado, nos é proibido comer carne, excetuado o caso de necessidade.

Q494

P. Por que a Igreja quis que nos abstivéssemos de comer carne nesses dias? R. Para que façamos penitência em cada semana, e principalmente na sexta-feira em honra da Paixão, e no sábado em memória da sepultura de Jesus Cristo e em honra de Maria Santíssima.

Q495

P. O que nos manda a Igreja com as palavras do terceiro preceito: Confessar-se ao menos uma vez por ano? R. Com as palavras do terceiro preceito: Confessar-se ao menos uma vez por ano, a Igreja obriga todos os cristãos que chegaram ao uso da razão a aproximar-se ao menos uma vez por ano do sacramento da Penitência.

Q496

P. Qual é o tempo mais oportuno para satisfazer ao preceito da Confissão anual? R. O tempo mais oportuno para satisfazer ao preceito da Confissão anual é a Quaresma, segundo o uso introduzido e aprovado por toda a Igreja.

Q497

P. Por que a Igreja diz que nos confesemos ao menos uma vez por ano? R. A Igreja diz: ao menos, para nos fazer conhecer o seu desejo de que nos aproximemos com maior frequência dos santos sacramentos.

Q498

P. É, pois, coisa útil confessar-se com frequência? R. É coisa utilíssima confessar-se com frequência, sobretudo porque dificilmente se confessa bem e se mantém afastado do pecado mortal quem raramente se confessa.

Q499

P. O que nos prescreve a Igreja com as demais palavras do terceiro preceito: Comungar ao menos na Páscoa da Ressurreição, cada um na própria paróquia? R. Com as demais palavras do terceiro preceito: Comungar ao menos na Páscoa da Ressurreição, cada um na própria paróquia, a Igreja obriga todos os cristãos que chegaram ao uso da razão a receber, cada ano, a santíssima Eucaristia na própria paróquia durante o tempo pascal.

Q500

P. Somos obrigados a comungar em outro tempo, fora da Páscoa? R. Somos obrigados a comungar também em perigo de morte.

Referência atual: Q451