Doutrina da Igreja
Catecismo Maior de São Pio X
São Pio X
Q251 – Q300
Q251
P. Os bens do paraíso para os bem-aventurados e os males do inferno para os condenados serão iguais? R. Os bens do paraíso para os bem-aventurados e os males do inferno para os condenados serão iguais na substância e na duração eterna; mas na medida, isto é, nos graus, serão maiores ou menores, conforme os méritos ou deméritos de cada um.
Q252
P. O que significa a palavra Amém no final do Credo? R. A palavra Amém no final das orações significa: Assim seja; no final do Credo significa: Assim é; ou seja: creio ser verdadíssimo tudo o que nestes doze artigos se contém, e disso estou mais certo do que se o visse com os meus próprios olhos.
Q253
P. De que trata a segunda parte da Doutrina Cristã? R. Na segunda parte da Doutrina Cristã trata-se da oração em geral e do Pai-Nosso em particular.
Q254
P. O que é a oração? R. A oração é uma elevação da mente a Deus para adorá-Lo, para Lhe render graças e para Lhe pedir o que nos é necessário.
Q255
P. Como se distingue a oração? R. A oração distingue-se em mental e vocal. A oração mental é aquela que se faz somente com a mente; a oração vocal é aquela que se faz com palavras acompanhadas da atenção da mente e da devoção do coração.
Q256
P. Pode-se distinguir a oração de outro modo? R. A oração pode também distinguir-se em privada e pública.
Q257
P. O que é a oração privada? R. A oração privada é aquela que cada um faz em particular por si mesmo ou por outros.
Q258
P. O que é a oração pública? R. A oração pública é aquela que os ministros sagrados fazem em nome da Igreja e pela salvação do povo fiel. Pode também chamar-se pública a oração feita em comum e publicamente pelos fiéis, como nas procissões, nas peregrinações e no templo.
Q259
P. Temos nós esperança fundada de obter, por meio da oração, os auxílios e as graças de que necessitamos? R. A esperança de obter de Deus as graças de que necessitamos está fundada nas promessas de Deus Onipotente, misericordioso e fidelíssimo, e nos méritos de Jesus Cristo.
Q260
P. Em nome de quem devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos? R. Devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos em nome de Jesus Cristo, como Ele mesmo nos ensinou e como pratica a Igreja, a qual termina sempre as suas orações com estas palavras: per Dominum nostrum Iesum Christum, isto é: por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Q261
P. Por que devemos pedir as graças a Deus em nome de Jesus Cristo? R. Devemos pedir as graças em nome de Jesus Cristo porque, sendo Ele o nosso mediador, somente por meio d'Ele podemos aproximar-nos do trono de Deus.
Q262
P. Se a oração tem tamanha virtude, por que muitas vezes as nossas súplicas não são atendidas? R. Muitas vezes as nossas súplicas não são atendidas, ou porque pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação, ou porque não oramos como se deve.
Q263
P. Quais são as coisas que devemos principalmente pedir a Deus? R. Devemos principalmente pedir a Deus a sua glória, a nossa eterna salvação e os meios para alcançá-la.
Q264
P. É lícito pedir também os bens temporais? R. Sim, é lícito pedir a Deus também os bens temporais, mas sempre com a condição de que sejam conformes à sua santíssima vontade e não sejam obstáculo à nossa eterna salvação.
Q265
P. Se Deus sabe tudo o que nos é necessário, por que se deve orar? R. Embora Deus saiba tudo o que nos é necessário, quer contudo que lhe oremos, para que O reconheçamos como dador de todo bem, para que Lhe atestemos a nossa humilde submissão e para que mereçamos as suas graças.
Q266
P. Qual é a primeira e melhor disposição para tornar eficazes as nossas orações? R. A primeira e melhor disposição para tornar eficazes as nossas orações é estar em estado de graça, ou, não estando, ao menos desejar voltar a tal estado.
Q267
P. Que outras disposições se requerem para orar bem? R. Para orar bem requerem-se especialmente o recolhimento, a humildade, a confiança, a perseverança e a resignação.
Q268
P. O que significa orar com recolhimento? R. Significa pensar que falamos com Deus e que, por isso, devemos orar com todo o respeito e devoção, evitando, tanto quanto possível, as distrações, isto é, todo pensamento alheio à oração.
Q269
P. As distrações diminuem o mérito da oração? R. Sim, quando nós mesmos as provocamos ou não as afastamos com diligência. Se, porém, fazemos tudo quanto nos é possível para nos recolhermos em Deus, então as distrações não diminuem o mérito de nossa oração, mas antes podem aumentá-lo.
Q270
P. O que se requer para fazer a oração com recolhimento? R. Devemos, antes da oração, afastar todas as ocasiões de distração, e devemos, durante a oração, pensar que estamos na presença de Deus, o qual nos vê e nos escuta.
Q271
P. Que quer dizer orar com humildade? R. Quer dizer reconhecer sinceramente a própria indignidade, impotência e miséria, acompanhando a oração com a compostura do corpo.
Q272
P. Que significa orar com confiança? R. Significa que devemos ter firme esperança de ser atendidos, se disso deriva a glória de Deus e o nosso verdadeiro bem.
Q273
P. O que significa orar com perseverança? R. Significa que não devemos cansar-nos de orar, se Deus não nos atende imediatamente, mas que devemos ao contrário continuar a orar com maior fervor.
Q274
P. O que significa orar com resignação? R. Significa que devemos conformar-nos com a vontade de Deus, o qual conhece melhor do que nós o que é necessário para a nossa eterna salvação, mesmo no caso em que as nossas orações não fossem atendidas.
Q275
P. Deus atende sempre às orações bem feitas? R. Sim, Deus atende sempre às orações bem feitas; mas do modo que Ele sabe ser mais útil para a nossa eterna salvação, e nem sempre segundo a nossa vontade.
Q276
P. Que efeitos produz em nós a oração? R. A oração faz-nos reconhecer a nossa dependência de Deus, Senhor supremo de todas as coisas; faz-nos pensar nas coisas celestiais; faz-nos progredir na virtude; alcança-nos de Deus a misericórdia; fortifica-nos contra as tentações; conforta-nos nas tribulações; auxilia-nos nas nossas necessidades; e alcança-nos a graça da perseverança final.
Q277
P. Quando devemos orar de modo especial? R. Devemos orar de modo especial nos perigos, nas tentações e na hora da morte; além disso, devemos orar frequentemente, sendo bom que isso se faça de manhã e à tarde e no início das ações importantes do dia.
Q278
P. Por quem devemos orar? R. Devemos orar por todos: isto é, por nós mesmos, por nossos parentes, superiores, benfeitores, amigos e inimigos; pela conversão dos pobres pecadores, daqueles que estão fora da verdadeira Igreja, e pelas santas almas do purgatório.
Q279
P. Qual é a oração vocal mais excelente? R. A oração vocal mais excelente é aquela que o próprio Jesus Cristo nos ensinou, isto é, o Pai-Nosso.
Q280
P. Por que o Pai-Nosso é a oração mais excelente? R. O Pai-Nosso é a oração mais excelente porque foi composta e ensinada por Jesus Cristo mesmo; porque contém claramente em poucas palavras tudo o que podemos esperar de Deus; e é a regra e o modelo de todas as demais orações.
Q281
P. O Pai-Nosso é também a oração mais eficaz? R. O Pai-Nosso é também a oração mais eficaz, porque é a mais aceita por Deus, fazendo nós oração com as mesmas palavras que nos ditou o seu divino Filho.
Q282
P. Por que o Pai-nosso se chama oração dominical? R. O Pai-nosso se chama oração dominical, que quer dizer oração do Senhor, precisamente porque Jesus Cristo no-la ensinou da sua própria boca.
Q283
P. Quantas petições há no Pai-Nosso? R. No Pai-Nosso há sete petições, precedidas de um prólogo.
Q284
P. Recitai o Pai-Nosso. R. Pai nosso, que estais nos céus:
Q285
P. Por que, ao invocar a Deus no início da oração dominical, O chamamos de Pai nosso? R. No início da oração dominical chamamos a Deus de Pai nosso para despertar a nossa confiança em sua infinita bondade, sendo nós seus filhos.
Q286
P. Por que podemos dizer que somos filhos de Deus? R. Somos filhos de Deus: 1.º Porque Ele nos criou à Sua imagem e nos conserva e governa com a Sua providência; 2.º Porque nos adotou, por especial benevolência, no Batismo, como irmãos de Jesus Cristo e coerdeiros juntamente com Ele da glória eterna.
Q287
P. Por que chamamos a Deus Pai nosso e não Pai meu? R. Chamamos a Deus Pai nosso e não Pai meu, porque todos somos seus filhos e, portanto, devemos considerar-nos e amar-nos todos como irmãos, e orar uns pelos outros.
Q288
P. Sendo Deus em todo lugar, por que lhe dizemos: que estais nos céus? R. Deus está em todo lugar; mas dizemos: Pai nosso, que estais nos céus, para elevar os nossos corações ao céu, onde Deus se manifesta em glória a seus filhos.
Q289
P. O que pedimos na primeira petição: Santificado seja o vosso nome? R. Na primeira petição: Santificado seja o vosso nome, pedimos que Deus seja conhecido, amado, honrado e servido por todo o mundo, e por nós em particular.
Q290
P. O que entendemos ao pedir que Deus seja conhecido, amado e servido por todo o mundo? R. Entendemos pedir que os infiéis cheguem ao conhecimento do verdadeiro Deus, que os hereges reconheçam os seus erros, que os cismáticos retornem à unidade da Igreja, que os pecadores se arrependam e que os justos perseverem no bem.
Q291
P. Por que pedimos antes de tudo que seja santificado o nome de Deus? R. Pedimos antes de tudo que seja santificado o nome de Deus, porque a glória de Deus deve estar-nos mais no coração do que todos os nossos bens e interesses.
Q292
P. De que modo podemos nós promover a glória de Deus? R. Podemos promover a glória de Deus pela oração, pelo bom exemplo e ordenando a Ele todos os nossos pensamentos, afetos e obras.
Q293
P. O que entendemos por reino de Deus? R. Por reino de Deus entendemos um tríplice reino espiritual, a saber: o reino de Deus em nós, isto é, o reino da graça; o reino de Deus na terra, isto é, a santa Igreja Católica; e o reino de Deus nos céus, ou seja, o paraíso.
Q294
P. O que pedimos com as palavras: venha o teu reino, no que diz respeito à graça? R. No que diz respeito à graça, pedimos que Deus reine em nós com a Sua graça santificante, pela qual Ele Se digna habitar em nós como rei no seu palácio; e que nos mantenha unidos a Ele pelas virtudes da fé, da esperança e da caridade, pelas quais reina sobre o nosso intelecto, sobre o nosso coração e sobre a nossa vontade.
Q295
P. O que pedimos com as palavras: venha o teu reino, em relação à Igreja? R. Em relação à Igreja, pedimos que ela cada vez mais se dilate e se propague por todo o mundo para a salvação dos homens.
Q296
P. O que pedimos com as palavras: venha o vosso reino, em ordem à glória? R. Em ordem à glória, pedimos poder ser um dia admitidos no santo paraíso, para o qual fomos criados, onde seremos plenamente felizes.
Q297
P. O que pedimos na terceira petição: seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu? R. Na terceira petição: seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu, pedimos a graça de fazer em tudo a vontade de Deus, obedecendo aos seus santos mandamentos com a mesma prontidão com que os anjos e os santos Lhe obedecem no céu. Pedimos ainda a graça de corresponder às divinas inspirações e de vivermos resignados à vontade de Deus quando Ele nos envia tribulações.
Q298
P. É necessário cumprir a vontade de Deus? R. É tão necessário cumprir a vontade de Deus quanto é necessário alcançar a eterna salvação, porque Jesus Cristo disse que entrará no reino dos céus somente quem tiver feito a vontade de seu Pai.
Q299
P. De que modo podemos conhecer a vontade de Deus? R. Podemos conhecer a vontade de Deus especialmente por meio da Igreja e dos nossos superiores espirituais estabelecidos por Deus para nos guiar no caminho da salvação. Podemos também conhecer essa santíssima vontade pelas divinas inspirações e pelas próprias circunstâncias em que o Senhor nos colocou.
Q300
P. Devemos sempre reconhecer a vontade de Deus nas coisas prósperas ou adversas da vida? R. Tanto nas coisas prósperas quanto nas adversas da vida presente, devemos sempre reconhecer também a vontade de Deus, o qual tudo dispõe ou permite para o nosso bem.