Doutrina da Igreja

Catecismo Maior de São Pio X

São Pio X

Q651 – Q700

Q651

P. A Eucaristia deve ser considerada somente como sacramento? R. A Eucaristia, além de ser sacramento, é também o sacrifício permanente da nova lei, que Jesus Cristo deixou à sua Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos de seus sacerdotes.

Q652

P. Em que consiste, em geral, o sacrifício? R. O sacrifício, em geral, consiste em oferecer a Deus uma coisa sensível e destruí-la de algum modo para reconhecer o seu supremo domínio sobre nós e sobre todas as coisas.

Q653

P. Como se chama este sacrifício da nova lei? R. Este sacrifício da nova lei chama-se a santa Missa.

Q654

P. O que é, portanto, a santa Missa? R. A santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo oferecido em nossos altares sob as espécies do pão e do vinho, em memória do sacrifício da Cruz.

Q655

P. O sacrifício da Missa é o mesmo que o da Cruz? R. O sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porquanto o mesmo Jesus Cristo, que Se ofereceu sobre a Cruz, é Aquele que Se oferece pelas mãos dos sacerdotes, seus ministros, sobre os nossos altares; mas quanto ao modo pelo qual é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando, contudo, com este a mais íntima e essencial relação.

Q656

P. Qual é, portanto, a diferença e a relação entre o sacrifício da Missa e o do Calvário? R. Entre o sacrifício da Missa e o do Calvário há esta diferença e relação: que Jesus Cristo na Cruz Se ofereceu derramando o Seu sangue e merecendo por nós; ao passo que nos altares Ele Se sacrifica sem derramamento de sangue e nos aplica os frutos da Sua Paixão e Morte.

Q657

P. Que outra relação tem o sacrifício da Missa com o do Calvário? R. Uma outra relação do sacrifício da Missa com o do Calvário é que o sacrifício da Missa representa de modo sensível o derramamento do sangue de Jesus Cristo na Cruz; porque, em virtude das palavras da consagração, torna-se presente sob as espécies do pão somente o Corpo, e sob as espécies do vinho somente o Sangue do nosso Salvador; ainda que, por concomitância natural e pela união hipostática, esteja presente sob cada uma das espécies Jesus Cristo vivo e verdadeiro.

Q658

P. Não é porventura o sacrifício da Cruz o único sacrifício da nova lei? R. O sacrifício da Cruz é o único sacrifício da nova lei, porquanto por ele o Senhor aplacou a Divina Justiça, adquiriu todos os méritos necessários para nos salvar e assim consumou da sua parte a nossa redenção. Esses méritos, porém, Ele nos aplica pelos meios por Ele instituídos em sua Igreja, entre os quais se encontra o santo sacrifício da Missa.

Q659

P. Para quais fins se oferece, portanto, o sacrifício da santa Missa? R. O sacrifício da santa Missa é oferecido a Deus para quatro fins: 1.º para honrá-lo como convém, e por isso se chama latreútico; 2.º para agradecer-lhe os seus benefícios, e por isso se chama eucarístico; 3.º para aplacá-lo, para dar-lhe a devida satisfação pelos nossos pecados e para sufragação das almas do purgatório, e por isso se chama propiciatório; 4.º para obter todas as graças que nos são necessárias, e por isso se chama impetratório.

Q660

P. Quem é que oferece a Deus o sacrifício da santa Missa? R. O primeiro e principal oferente do sacrifício da santa Missa é Jesus Cristo, e o sacerdote é o ministro que, em nome de Jesus Cristo, oferece o mesmo sacrifício ao Eterno Pai.

Q661

P. Quem instituiu o sacrifício da santa Missa? R. O sacrifício da santa Missa foi instituído pelo próprio Jesus Cristo quando instituiu o sacramento da Eucaristia; e ordenou que se fizesse em memória de sua Paixão.

Q662

P. A quem se oferece a santa Missa? R. A santa Missa se oferece a Deus somente.

Q663

P. Se a santa Missa se oferece a Deus somente, por que se celebram tantas Missas em honra da Santíssima Virgem e dos Santos? R. A Missa celebrada em honra da Virgem e dos Santos é sempre um sacrifício oferecido a Deus somente: diz-se, porém, celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos para agradecer a Deus os dons que lhes concedeu e para obter d'Ele, pela intercessão deles, mais abundantemente as graças de que necessitamos.

Q664

P. Quem participa dos frutos da Missa? R. Toda a Igreja participa dos frutos da Missa, mas particularmente: 1.º o sacerdote e aqueles que assistem à Missa, os quais se consideram unidos ao sacerdote; 2.º aqueles por quem se aplica a Missa, que podem ser tanto vivos como defuntos.

Q665

P. Que coisas são necessárias para ouvir bem e com fruto a santa Missa? R. Para ouvir bem e com fruto a santa Missa são necessárias duas coisas: 1.º a modéstia da pessoa; 2.º a devoção do coração.

Q666

P. Em que consiste a modéstia da pessoa? R. A modéstia da pessoa consiste de modo especial em trajar-se modestamente; em observar silêncio e recolhimento; e em ficar, tanto quanto possível, de joelhos, excetuado o tempo dos dois evangelhos, que se ouvem de pé.

Q667

P. Ao ouvir a santa Missa, qual é o melhor modo de praticar a devoção do coração? R. O melhor modo de praticar a devoção do coração ao ouvir a santa Missa é o seguinte:

Q668

P. O que é a Comunhão espiritual? R. A Comunhão espiritual é um grande desejo de unir-se sacramentalmente a Jesus Cristo, dizendo, por exemplo: Senhor meu Jesus Cristo, desejo com todo o meu coração unir-me a Vós agora e por toda a eternidade; e fazendo os mesmos atos que se fazem antes e depois da Comunhão sacramental.

Q669

P. A recitação do Rosário ou de outras orações durante a Missa impede de ouvi-la com fruto? R. A recitação dessas orações não impede de ouvir a Missa com fruto, contanto que se procure, tanto quanto possível, acompanhar a ação do santo sacrifício.

Q670

P. É boa coisa rezar também pelos outros ao assistir à santa Missa? R. É boa coisa rezar também pelos outros ao assistir à santa Missa: antes, o tempo da santa Missa é o mais oportuno para rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Q671

P. Terminada a Missa, o que se deveria fazer? R. Terminada a Missa, dever-se-ia agradecer a Deus a graça de nos haver feito assistir a este grande sacrifício, e pedir-Lhe perdão das faltas que cometemos ao assistir a ele.

Q672

P. O que é o sacramento da Penitência? R. A Penitência, chamada também Confissão, é o sacramento instituído por Jesus Cristo para remitir os pecados cometidos após o Batismo.

Q673

P. Por que se dá a este sacramento o nome de Penitência? R. A este sacramento se dá o nome de Penitência, porque, para se obter o perdão dos pecados, é necessário detestá-los com arrependimento, e porque quem cometeu uma culpa deve sujeitar-se à pena que o sacerdote impõe.

Q674

P. Por que este sacramento se chama também Confissão? R. Este sacramento se chama também Confissão porque, para obter o perdão dos pecados, não basta detestá-los, mas é necessário acusá-los ao sacerdote, isto é, fazer a sua confissão.

Q675

P. Quando Jesus Cristo instituiu o sacramento da Penitência? R. Jesus Cristo instituiu o sacramento da Penitência no dia da sua ressurreição, quando, tendo entrado no cenáculo, conferiu solenemente aos seus Apóstolos a faculdade de remitir os pecados.

Q676

P. Como Jesus Cristo conferiu aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados? R. Jesus Cristo conferiu aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados, soprando sobre eles e dizendo: Recebei o Espírito Santo: os pecados daqueles a quem vós os perdoardes serão perdoados; e os pecados daqueles a quem vós os retiverdes serão retidos.

Q677

P. Qual é a matéria do sacramento da Penitência? R. A matéria do sacramento da Penitência distingue-se em remota e próxima. A matéria remota é constituída pelos pecados cometidos pelo penitente após o Batismo, e a matéria próxima são os atos do próprio penitente, a saber: a contrição, a acusação e a satisfação.

Q678

P. Qual é a forma do sacramento da Penitência? R. A forma do sacramento da Penitência é esta: Eu te absolvo dos teus pecados.

Q679

P. Quem é o ministro do sacramento da Penitência? R. O ministro do sacramento da Penitência é o sacerdote aprovado pelo Bispo para ouvir confissões.

Q680

P. Por que dissestes que o sacerdote deve ser aprovado pelo Bispo? R. O sacerdote deve ser aprovado pelo Bispo para ouvir confissões, porque para administrar validamente este sacramento não basta o poder da ordem, mas é também necessário o poder de jurisdição, isto é, a faculdade de julgar, que deve ser conferida pelo Bispo.

Q681

P. Quantas são as partes do sacramento da Penitência? R. As partes do sacramento da Penitência são: a contrição, a confissão e a satisfação do penitente, e a absolvição do sacerdote.

Q682

P. O que é a contrição, ou seja, a dor dos pecados? R. A contrição, ou seja, a dor dos pecados, é uma tristeza da alma pela qual se detestam os pecados cometidos e se propõe não cometê-los mais no futuro.

Q683

P. O que quer dizer esta palavra contrição? R. A palavra contrição quer dizer quebrantamento ou esmagamento, como quando uma pedra é pisada e reduzida a pó.

Q684

P. Por que se dá o nome de contrição à dor dos pecados? R. Dá-se o nome de contrição à dor dos pecados para significar que o coração endurecido do pecador de certo modo se quebra pela dor de ter ofendido a Deus.

Q685

P. Em que consiste a confissão dos pecados? R. A confissão consiste numa acusação distinta dos nossos pecados feita ao confessor para dele recebermos a absolvição e a penitência.

Q686

P. Por que a confissão se chama acusação? R. A confissão se chama acusação porque não deve ser um relato indiferente, mas uma manifestação verdadeira e dolorosa dos próprios pecados.

Q687

P. O que é a satisfação ou penitência? R. A satisfação ou penitência é aquela oração ou outra obra boa que o confessor impõe ao penitente em expiação dos seus pecados.

Q688

P. O que é a absolvição? R. A absolvição é a sentença que o sacerdote pronuncia em nome de Jesus Cristo para remitir os pecados ao penitente.

Q689

P. Das partes do sacramento da Penitência, qual é a mais necessária? R. Das partes do sacramento da Penitência, a mais necessária é a contrição, porque sem ela jamais se pode obter o perdão dos pecados, e com ela sozinha, quando seja perfeita, se pode obter o perdão, contanto que esteja unida ao desejo, ao menos implícito, de se confessar.

Q690

P. Quantos são os efeitos do sacramento da Penitência? R. O sacramento da Penitência confere a graça santificante pela qual são remitidos os pecados mortais e também os veniais que foram confessados e pelos quais se tem dor; comuta a pena eterna na temporal, da qual igualmente é remitida mais ou menos segundo as disposições; restitui os méritos das boas obras praticadas antes de cometer o pecado mortal; dá à alma auxílios oportunos para não recair na culpa; e restitui a paz à consciência.

Q691

P. O sacramento da Penitência é necessário a todos para se salvar? R. O sacramento da Penitência é necessário para se salvar a todos aqueles que, após o Batismo, cometeram algum pecado mortal.

Q692

P. É bom confessar-se com frequência? R. Confessar-se com frequência é ótimo, porque o sacramento da Penitência, além de cancelar os pecados, concede as graças necessárias para evitá-los no futuro.

Q693

P. O sacramento da Penitência tem virtude de perdoar todos os pecados, por muitos e graves que sejam? R. O sacramento da Penitência tem virtude de perdoar todos os pecados, por muitos e graves que sejam, contanto que seja recebido com as devidas disposições.

Q694

P. Quantas coisas se requerem para fazer uma boa confissão? R. Para fazer uma boa confissão requerem-se cinco coisas: 1.º exame de consciência; 2.º dor de ter ofendido a Deus; 3.º propósito de não mais pecar; 4.º acusação dos próprios pecados; 5.º satisfação ou penitência.

Q695

P. O que devemos fazer antes de tudo para nos confessar bem? R. Para nos confessar bem, devemos antes de tudo pedir de coração ao Senhor que nos conceda luz para conhecer todos os nossos pecados e força para deles nos arrepender.

Q696

P. O que é o exame de consciência? R. O exame de consciência é uma diligente investigação dos pecados que foram cometidos após a última confissão bem feita.

Q697

P. Como se faz o exame de consciência? R. O exame de consciência se faz recordando diligentemente à memória, diante de Deus, todos os pecados cometidos e ainda não confessados, em pensamentos, palavras, obras e omissões, contra os mandamentos de Deus e da Igreja, e as obrigações do próprio estado.

Q698

P. Sobre que outras coisas devemos examinar-nos? R. Devemos examinar-nos também sobre os maus hábitos e sobre as ocasiões de pecado.

Q699

P. No exame devemos pesquisar também o número dos pecados? R. No exame devemos pesquisar também o número dos pecados mortais.

Q700

P. O que se requer para que um pecado seja mortal? R. Para que um pecado seja mortal requerem-se três coisas: matéria grave, plena advertência e perfeito consentimento da vontade.

Referência atual: Q651