Doutrina da Igreja

Catecismo Maior de São Pio X

São Pio X

Q801 – Q850

Q801

P. Qual é a indulgência parcial? R. A indulgência parcial é aquela pela qual nos é remitida somente uma parte da pena temporal devida pelos nossos pecados.

Q802

P. O que pretende a Igreja ao conceder as indulgências? R. Ao conceder as indulgências, a Igreja pretende vir em auxílio à nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal, fazendo-nos alcançar por meio de obras de piedade e de caridade cristã aquilo que nos primeiros séculos procurava obter-se pelo rigor dos cânones penitenciais.

Q803

P. O que se entende por indulgência de quarenta ou cem dias, ou de sete anos, e semelhantes? R. Por indulgência de quarenta ou cem dias, ou de sete anos e semelhantes, entende-se a remissão de tanta pena temporal quanta se cumpriria com quarenta ou cem dias, ou sete anos da penitência antigamente estabelecida pela Igreja.

Q804

P. Que consideração devemos ter pelas indulgências? R. Pelas indulgências devemos ter grandíssima consideração, porque por meio delas se satisfaz à justiça de Deus e mais pronta e mais facilmente se obtém a posse do céu.

Q805

P. O que se requer para ganhar as indulgências? R. Para ganhar as indulgências requer-se: 1.º o estado de graça (ao menos na última obra que se realiza) e a pureza também daquelas culpas veniais cuja pena se deseja cancelar; 2.º o cumprimento das obras que a Igreja prescreve para ganhar a indulgência; 3.º a intenção de ganhá-la.

Q806

P. As indulgências podem ser aplicadas também às almas do purgatório? R. Sim, as indulgências podem ser aplicadas também às almas do purgatório, quando aquele que as concede declare que podem a elas ser aplicadas.

Q807

P. O que é o Jubileu? R. O Jubileu, que ordinariamente se concede a cada vinte e cinco anos, é uma indulgência plenária à qual estão anexos muitos privilégios e concessões particulares, como o de poder obter a absolvição de alguns pecados reservados e das censuras, bem como a comutação de alguns votos.

Q808

P. O que é o sacramento da Extrema Unção, chamado também de Santo Óleo? R. A Extrema Unção, chamada também de Santo Óleo, é o sacramento instituído para alívio espiritual e também temporal dos enfermos em perigo de morte.

Q809

P. Quais são os efeitos produzidos pelo sacramento da Extrema-Unção? R. O sacramento da Extrema-Unção produz os seguintes efeitos: 1.º aumenta a graça santificante; 2.º apaga os pecados veniais e também os mortais que o enfermo arrependido não pudesse mais confessar; 3.º remove aquela fraqueza e languidez para o bem que permanece mesmo após se ter obtido o perdão dos pecados; 4.º concede a força de suportar pacientemente o mal, de resistir às tentações e de morrer santamente; 5.º auxilia a recuperar a saúde do corpo, se isso for útil à saúde da alma.

Q810

P. Em que momento se deve receber o Santo Óleo? R. O Santo Óleo deve ser recebido quando a enfermidade é perigosa, e depois que o enfermo tiver recebido, se possível, os sacramentos da Penitência e da Eucaristia; aliás, é bom recebê-lo quando ainda se está são de mente e com alguma esperança de vida.

Q811

P. Por que é bom receber o Santo Óleo quando ainda se está com a mente sã e com alguma esperança de vida? R. É bom receber o Santo Óleo quando ainda se está com a mente sã e com alguma esperança de vida, porque recebendo-o com melhor disposição se pode receber dele maior fruto; e também porque, conferindo este sacramento a saúde do corpo, se for conveniente à alma, auxiliando as forças da natureza, não se deve aguardar que a saúde esteja de todo desesperada.

Q812

P. Com que disposições se deve receber a Santa Unção? R. As principais disposições para receber a Santa Unção são: estar em estado de graça, confiar na virtude do sacramento e na divina misericórdia, e conformar-se com a vontade do Senhor.

Q813

P. Que sentimentos deve experimentar o enfermo ao ver o sacerdote? R. Ao ver o sacerdote, o enfermo deve sentir gratidão a Deus por lho ter enviado, deve receber de bom grado os confortos da religião e pedi-los, se puder fazê-lo por si mesmo.

Q814

P. O que é o sacramento da Ordem Sagrada? R. A Ordem Sagrada é o sacramento que confere o poder de exercer os sagrados ministérios relativos ao culto de Deus e à salvação das almas, e que imprime na alma de quem o recebe o caráter de ministro de Deus.

Q815

P. Por que se chama Ordem? R. Chama-se Ordem porque consiste em vários graus, uns subordinados aos outros, dos quais resulta a sagrada Hierarquia.

Q816

P. Quais são esses graus? R. O supremo entre eles é o Episcopado, que contém a plenitude do sacerdócio; em seguida, o Presbiterado ou Sacerdócio simples; depois o Diaconado, e as Ordens que se chamam menores.

Q817

P. Jesus Cristo instituiu imediatamente todos os graus da Ordem Sagrada? R. Jesus Cristo instituiu imediatamente os dois graus superiores da Ordem Sagrada, que são o Episcopado e o Sacerdócio simples; por meio dos Apóstolos, porém, instituiu o Diaconato, do qual derivam as demais Ordens inferiores.

Q818

P. Quando Jesus Cristo instituiu a Ordem Sacerdotal? R. Jesus Cristo instituiu a Ordem Sacerdotal na última Ceia, quando conferiu aos Apóstolos e a seus sucessores o poder de consagrar a Santíssima Eucaristia. No dia de sua ressurreição conferiu aos mesmos o poder de remitir e de reter os pecados, constituindo-os assim os primeiros sacerdotes da nova lei em toda a plenitude de seu poder.

Q819

P. Quem é o ministro deste sacramento? R. O ministro deste sacramento é somente o Bispo.

Q820

P. É, portanto, grande a dignidade do Sacerdócio cristão? R. A dignidade do Sacerdócio cristão é grandíssima, pelo duplo poder que Jesus Cristo lhe conferiu sobre o seu Corpo real e sobre o seu Corpo místico, que é a Igreja, e pela missão divina confiada aos sacerdotes de conduzir todos os homens à vida eterna.

Q821

P. O Sacerdócio católico é necessário na Igreja? R. O Sacerdócio católico é necessário na Igreja; porque sem ele os fiéis seriam privados do santo sacrifício da Missa e da maior parte dos sacramentos, não teriam quem os instruísse na fé, e ficariam como ovelhas sem pastor, à mercê dos lobos; em suma, a Igreja deixaria de existir tal como Jesus Cristo a instituiu.

Q822

P. Logo, o Sacerdócio católico jamais cessará sobre a terra? R. O Sacerdócio católico, não obstante a guerra que o inferno lhe move, durará até o fim dos séculos, tendo Jesus Cristo prometido que as potestades do inferno jamais prevalecerão contra a sua Igreja.

Q823

P. É pecado desprezar os sacerdotes? R. É pecado gravíssimo, porque o desprezo e as injúrias dirigidos contra os sacerdotes recaem sobre o próprio Jesus Cristo, o qual disse aos seus Apóstolos: quem vos despreza, a mim despreza.

Q824

P. Qual deve ser o fim de quem abraça o estado eclesiástico? R. O fim de quem abraça o estado eclesiástico deve ser unicamente a glória de Deus e a salvação das almas.

Q825

P. O que é necessário para entrar no estado eclesiástico? R. Para entrar no estado eclesiástico é necessária, antes de tudo, a vocação divina.

Q826

P. O que se deve fazer para conhecer se Deus chama ao estado eclesiástico? R. Para conhecer se Deus chama ao estado eclesiástico, deve-se: 1.º rogar com fervor ao Senhor que manifeste qual é a sua vontade; 2.º tomar conselho do próprio Bispo ou de um diretor sábio e prudente; 3.º examinar com diligência se se possui a habilidade necessária para os estudos, os ministérios e as obrigações desse estado.

Q827

P. Quem entrasse no estado eclesiástico sem vocação divina agiria mal? R. Quem entrasse no estado eclesiástico sem vocação divina cometeria uma falta grave e se colocaria em perigo de perdição.

Q828

P. Cometem falta os pais que, por motivos temporais, induzem os filhos a abraçar sem vocação o estado eclesiástico? R. Os pais que, por motivos temporais, induzem os filhos a abraçar sem vocação o estado eclesiástico, cometem também gravíssima culpa, porque com isso usurpam o direito que Deus reservou exclusivamente a Si de escolher os seus ministros, e expõem os filhos ao perigo da condenação eterna.

Q829

P. Quais são os deveres dos fiéis para com aqueles que são chamados às Ordens sacras? R. Os fiéis devem:

Q830

P. O que é o sacramento do Matrimônio? R. O Matrimônio é um sacramento, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estabelece uma santa e indissolúvel união entre o homem e a mulher, e lhes confere a graça de se amarem mutuamente de modo santo e de criarem os filhos segundo os princípios cristãos.

Q831

P. Por quem foi instituído o Matrimônio? R. O Matrimônio foi instituído pelo próprio Deus no paraíso terrestre, e no Novo Testamento foi elevado por Jesus Cristo à dignidade de sacramento.

Q832

P. O sacramento do Matrimônio tem algum significado especial? R. O sacramento do Matrimônio significa a indissolúvel união de Jesus Cristo com a santa Igreja, sua esposa e nossa amantíssima mãe.

Q833

P. Por que se diz que o vínculo do matrimônio é indissolúvel? R. Diz-se que o vínculo do matrimônio é indissolúvel, ou seja, que não pode ser desfeito senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim o estabeleceu Deus desde o princípio, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Q834

P. No matrimônio cristão se poderia separar o contrato do sacramento? R. Não; no matrimônio entre cristãos não se pode separar o contrato do sacramento, porque para eles o matrimônio não é senão o mesmo contrato natural elevado por Jesus Cristo à dignidade de sacramento.

Q835

P. Entre os cristãos, portanto, não pode haver verdadeiro matrimônio que não seja sacramento? R. Entre os cristãos não pode haver verdadeiro matrimônio que não seja sacramento.

Q836

P. Que efeitos produz o sacramento do Matrimônio? R. O sacramento do Matrimônio: 1.º confere o aumento da graça santificante; 2.º confere a graça especial para cumprir fielmente todos os deveres matrimoniais.

Q837

P. Quais são os ministros deste sacramento? R. Os ministros deste sacramento são os próprios esposos, que mutuamente conferem e recebem o sacramento.

Q838

P. De que modo se administra este sacramento? R. Este sacramento, conservando a natureza de contrato, é administrado pelos próprios contraentes, ao declararem, na presença de seu pároco, ou de um seu delegado, e de duas testemunhas, que se unem em matrimônio.

Q839

P. Para que serve, então, a bênção que o pároco dá aos esposos? R. A bênção que o pároco dá aos esposos não é necessária para constituir o sacramento, mas é conferida para sancionar em nome da Igreja a união deles, e para chamar cada vez mais sobre eles as bênçãos de Deus.

Q840

P. Que intenção deve ter quem contrai matrimônio? R. Quem contrai matrimônio deve ter a intenção: 1.º de fazer a vontade de Deus, que o chama a tal estado; 2.º de alcançar nele a salvação da própria alma; 3.º de educar cristãmente os filhos, se Deus conceder que os tenha.

Q841

P. De que maneira devem os esposos dispor-se para receber com fruto o sacramento do Matrimônio? R. Os esposos, para receber com fruto o sacramento do Matrimônio, devem: 1.º recomendar-se de coração a Deus para conhecer a sua vontade e para obter dele as graças necessárias nesse estado; 2.º consultar os próprios pais antes de fazerem a promessa, como o exige a obediência e o respeito que lhes é devido; 3.º preparar-se com uma boa confissão, até mesmo geral, se for necessário, de toda a vida; 4.º evitar toda perigosa familiaridade de trato e de palavra no convívio entre si.

Q842

P. Quais são as principais obrigações das pessoas unidas em matrimônio? R. As pessoas unidas em matrimônio devem: 1.º guardar inviolada a fidelidade conjugal e comportar-se sempre cristãmente em tudo; 2.º amar-se mutuamente, suportando-se com paciência uns aos outros, e viver em paz e concórdia; 3.º se têm filhos, pensar seriamente em provê-los segundo a necessidade; dar-lhes uma educação cristã; e deixar-lhes a liberdade de escolher o estado ao qual por Deus são chamados.

Q843

P. O que é necessário para contrair validamente o matrimônio cristão? R. Para contrair validamente o matrimônio cristão é necessário estar livre de todo impedimento matrimonial dirimente, e prestar livremente o próprio consentimento ao contrato do matrimônio diante do próprio pároco ou de um sacerdote por ele delegado, e de duas testemunhas.

Q844

P. O que é necessário para contrair licitamente o matrimônio cristão? R. Para contrair licitamente o matrimônio cristão é necessário estar livre dos impedimentos matrimoniais impedientes, estar instruído nas coisas principais da religião e estar em estado de graça; do contrário, cometer-se-ia um sacrilégio.

Q845

P. O que são os impedimentos matrimoniais? R. Os impedimentos matrimoniais são circunstâncias que tornam o matrimônio inválido ou ilícito. No primeiro caso chamam-se impedimentos dirimentes; no segundo, impedimentos impedientes.

Q846

P. Dai-me alguns exemplos de impedimento dirimente. R. São impedimentos dirimentes, por exemplo, a consanguinidade até o quarto grau, o parentesco espiritual, o voto solene de castidade, a diversidade de culto entre batizados e não batizados, etc.

Q847

P. Dai-me algum exemplo de impedimento impediente. R. Impedimentos impedientes são, por exemplo, o tempo proibido, o voto simples de castidade, etc.

Q848

P. Os fiéis são obrigados a manifestar à autoridade eclesiástica os impedimentos matrimoniais que conhecem? R. Os fiéis são obrigados a manifestar à autoridade eclesiástica os impedimentos matrimoniais que conhecem; e é por isso que os párocos fazem as publicações.

Q849

P. Quem tem o poder de estabelecer impedimentos matrimoniais, de deles dispensar e de julgar sobre a validade do matrimônio cristão? R. Somente a Igreja tem o poder de estabelecer impedimentos e de julgar sobre a validade do matrimônio entre os cristãos, assim como somente a Igreja pode dispensar daqueles impedimentos que ela mesma estabeleceu.

Q850

P. Por que somente a Igreja tem o poder de estabelecer impedimentos e de julgar da validade do matrimônio? R. Somente a Igreja tem o poder de estabelecer impedimentos, de julgar da validade do matrimônio e de dispensar dos impedimentos que ela mesma estabeleceu, porque, no matrimônio cristão, não podendo o contrato ser separado do sacramento, também o contrato fica sujeito ao poder da Igreja, à qual unicamente Jesus Cristo conferiu o direito de fazer leis e decisões nas coisas sagradas.

Referência atual: Q801