Doutrina da Igreja
Catecismo Maior de São Pio X
São Pio X
Q301 – Q350
Q301
P. O que pedimos na quarta petição: o pão nosso de cada dia nos dai hoje? R. Na quarta petição: o pão nosso de cada dia nos dai hoje, pedimos a Deus o que nos é necessário cada dia, tanto para a alma como para o corpo.
Q302
P. O que pedimos a Deus pela nossa alma? R. Pela nossa alma pedimos a Deus o sustento da vida espiritual: isto é, suplicamos ao Senhor que nos conceda a Sua graça, de que temos continuamente necessidade.
Q303
P. Como se nutre a vida da nossa alma? R. A vida da alma se nutre especialmente com o alimento da divina palavra e com o Santíssimo Sacramento do altar.
Q304
P. O que pedimos a Deus para o nosso corpo? R. Para o nosso corpo pedimos o que é necessário ao sustento da vida temporal.
Q305
P. Por que dizemos: dai-nos hoje o nosso pão, e não antes: dai-nos hoje o pão? R. Dizemos dai-nos hoje o nosso pão, e não antes: dai-nos hoje o pão, para excluir todo desejo dos bens alheios; por isso rogamos ao Senhor que nos auxilie nos ganhos justos e lícitos, a fim de que obtenhamos o sustento com o nosso trabalho, sem furtos nem enganos.
Q306
P. Por que dizemos: dai-nos o pão, e não dai-me? R. Dizemos dai-nos em vez de dai-me para nos lembrar de que, assim como os bens nos vêm de Deus, se Ele nos os concede em abundância, fá-lo com o fim de que distribuamos o supérfluo aos pobres.
Q307
P. Por que acrescentamos quotidiano? R. Acrescentamos quotidiano porque devemos desejar o que nos é necessário à vida, e não a abundância de alimentos e de bens da terra.
Q308
P. O que mais significa a palavra hoje na quarta petição? R. A palavra hoje significa que não devemos ser demasiadamente solicitos pelo futuro, mas pedir o que nos é necessário no presente.
Q309
P. O que pedimos na quinta petição: e perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido? R. Na quinta petição: e perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, pedimos a Deus que nos perdoe os nossos pecados, assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu.
Q310
P. Por que os nossos pecados se chamam dívidas? R. Os nossos pecados se chamam dívidas porque, por causa deles, devemos satisfazer à divina justiça, ou nesta vida ou na outra.
Q311
P. Os que não perdoam ao próximo podem esperar que Deus lhes perdoe? R. Os que não perdoam ao próximo não têm nenhuma razão de esperar que Deus lhes perdoe, tanto mais que se condenam a si mesmos, dizendo a Deus que lhes perdoe, assim como eles perdoam ao próximo.
Q312
P. O que pedimos na sexta súplica: e não nos deixeis cair em tentação? R. Na sexta súplica: e não nos deixeis cair em tentação, pedimos a Deus que nos livre das tentações, seja não permitindo que sejamos tentados, seja dando-nos a graça de não sermos vencidos.
Q313
P. O que são as tentações? R. As tentações são um incitamento ao pecado que nos vem do demônio, ou dos maus, ou das nossas paixões.
Q314
P. É pecado ter tentações? R. Não, não é pecado ter tentações; mas é pecado consentir nelas, ou expor-se voluntariamente ao perigo de nelas consentir.
Q315
P. Por que Deus permite que sejamos tentados? R. Deus permite que sejamos tentados para provar a nossa fidelidade, para fazer crescer as nossas virtudes e para aumentar os nossos méritos.
Q316
P. O que devemos fazer para evitar as tentações? R. Para evitar as tentações, devemos fugir das ocasiões perigosas, guardar os nossos sentidos, receber frequentemente os santos sacramentos e fazer uso da oração.
Q317
P. O que pedimos na sétima petição: mas livrai-nos do mal? R. Na sétima petição: mas livrai-nos do mal, pedimos a Deus que nos livre dos males passados, presentes e futuros, e especialmente do sumo mal, que é o pecado, e da eterna condenação, que é a sua pena.
Q318
P. Por que dizemos: livrai-nos do mal, e não dos males? R. Dizemos: livrai-nos do mal, e não dos males, porque não devemos desejar ficar isentos de todos os males desta vida, mas somente daqueles que não são proveitosos à nossa alma; e por isso pedimos a libertação do mal em geral, isto é, de tudo aquilo que Deus vê ser mal para nós.
Q319
P. Não é lícito pedir a libertação de algum mal em particular, por exemplo, de uma doença? R. Sim, é lícito pedir a libertação de algum mal em particular, mas sempre nos submetendo à vontade de Deus, o qual pode também ordenar aquela tribulação para o bem de nossa alma.
Q320
P. Para que nos aproveitam as tribulações que Deus nos envia? R. As tribulações nos aproveitam para fazermos penitência das nossas culpas, para exercitarmos as virtudes e, sobretudo, para imitarmos a Jesus Cristo, nosso cabeça, ao qual é justo que nos conformemos nos sofrimentos, se queremos ter parte na sua glória.
Q321
P. O que significa Amém no fim do Pai-Nosso? R. Amém significa: assim seja, assim o desejo, assim o peço ao Senhor e assim o espero.
Q322
P. Para obter as graças pedidas no Pai-nosso, basta recitá-lo de qualquer maneira? R. Para obter as graças pedidas no Pai-nosso, é preciso recitá-lo sem pressa, com atenção e acompanhá-lo com o coração.
Q323
P. Quando devemos nós rezar o Pai-Nosso? R. Devemos rezar o Pai-Nosso todos os dias, porque todos os dias necessitamos do auxílio de Deus.
Q324
P. Qual é a oração que costumamos rezar depois do Pai-Nosso? R. Depois do Pai-Nosso, rezamos a saudação angélica, isto é, a Ave-Maria, por meio da qual recorremos à Santíssima Virgem.
Q325
P. Por que a Ave-Maria se chama saudação angélica? R. A Ave-Maria se chama saudação angélica porque começa com a saudação que o arcanjo Gabriel dirigiu à Virgem Maria.
Q326
P. De quem são as palavras da Ave Maria? R. As palavras da Ave Maria em parte são do arcanjo Gabriel, em parte de Santa Isabel, e em parte da Igreja.
Q327
P. Quais são as palavras do arcanjo Gabriel? R. As palavras do arcanjo Gabriel são: «Deus te salve, cheia de graça: o Senhor é convosco: tu és bendita entre as mulheres».
Q328
P. Quando foi que o Anjo disse a Maria estas palavras? R. O Anjo disse a Maria estas palavras quando foi anunciiar-lhe, da parte de Deus, o mistério da Encarnação que nela devia realizar-se.
Q329
P. O que pretendemos fazer ao saudar a Santíssima Virgem com as mesmas palavras do Arcanjo? R. Ao saudar a Santíssima Virgem com as palavras do Arcanjo, alegramo-nos com ela, fazendo memória dos singulares privilégios e dons que Deus lhe concedeu em preferência a todas as demais criaturas.
Q330
P. Quais são as palavras de santa Isabel? R. As palavras de santa Isabel são: «Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre».
Q331
P. Quando foi que santa Isabel disse essas palavras? R. Santa Isabel disse essas palavras, inspirada por Deus, quando, três meses antes de dar à luz são João Batista, foi visitada pela Santíssima Virgem, que já trazia no seio o seu divino Filho.
Q332
P. O que fazemos nós ao pronunciar estas palavras? R. Ao pronunciar as palavras de santa Isabel, alegramo-nos com Maria Santíssima pela sua excelsa dignidade de Mãe de Deus, e bendizemos a Deus e Lhe agradecemos por nos ter dado Jesus Cristo por meio de Maria.
Q333
P. De quem são as demais palavras da Ave-Maria? R. Todas as demais palavras da Ave-Maria foram acrescentadas pela Igreja.
Q334
P. O que pedimos nós com as últimas palavras da Ave Maria? R. Com as últimas palavras da Ave Maria, pedimos a proteção da Santíssima Virgem no decorrer desta vida, e especialmente na hora da nossa morte, na qual dela teremos maior necessidade.
Q335
P. Por que depois do Pai-Nosso dizemos de preferência a Ave-Maria, e não qualquer outra oração? R. Porque a Santíssima Virgem é a Advogada mais poderosa junto a Jesus Cristo e, por isso, depois de termos rezado a oração que Jesus Cristo nos ensinou, pedimos à Santíssima Virgem que nos alcance as graças que havemos pedido.
Q336
P. Por qual motivo a Santíssima Virgem é tão poderosa? R. A Santíssima Virgem é tão poderosa porque é Mãe de Deus, e é impossível que Ele não a atenda.
Q337
P. O que nos ensinam os Santos sobre a devoção a Maria? R. Sobre a devoção a Maria, os Santos nos ensinam que os seus verdadeiros devotos são por Ela amados e protegidos com amor de terníssima Mãe, e que por meio dela têm a certeza de encontrar Jesus e de alcançar o paraíso.
Q338
P. Qual devoção a Maria a Igreja nos recomenda de modo especial? R. A devoção que a Igreja nos recomenda de modo especial para com a Santíssima Maria é a recitação do santo Rosário.
Q339
P. É coisa boa e útil recorrer à intercessão dos Santos? R. É coisa utilíssima rezar aos Santos, e todo cristão deve fazê-lo. Devemos rezar particularmente aos nossos Anjos da Guarda, a são José, Padroeiro da Igreja, aos santos Apóstolos, aos Santos cujo nome levamos e aos Santos Padroeiros da diocese e da paróquia.
Q340
P. Que diferença há entre as orações que fazemos a Deus e as que fazemos aos Santos? R. Entre as orações que fazemos a Deus e as que fazemos aos Santos há esta diferença: a Deus O rogamos para que, como autor das graças, nos conceda os bens e nos livre dos males; aos Santos os rogamos para que, como advogados junto de Deus, intercedam por nós.
Q341
P. Quando dizemos que um Santo alcançou uma graça, o que queremos dizer? R. Quando dizemos que um Santo alcançou uma graça, queremos dizer que esse Santo obteve de Deus essa graça.
Q342
P. De que trata a terceira parte da Doutrina Cristã? R. Na terceira parte da Doutrina Cristã trata-se dos mandamentos de Deus e da Igreja.
Q343
P. Quantos são os mandamentos da lei de Deus? R. Os mandamentos da lei de Deus são dez:
Q344
P. Por que os mandamentos de Deus têm este nome? R. Os mandamentos de Deus têm este nome porque o próprio Deus os imprimiu na alma de cada homem, os promulgou no monte Sinai na antiga lei, esculpidos em duas tábuas de pedra, e Jesus Cristo os confirmou na nova lei.
Q345
P. Quais são os mandamentos da primeira tábua? R. Os mandamentos da primeira tábua são os três primeiros, que dizem respeito diretamente a Deus e aos deveres que temos para com Ele.
Q346
P. Quais são os mandamentos da segunda tábua? R. Os mandamentos da segunda tábua são os sete últimos, que dizem respeito ao próximo e aos deveres que temos para com ele.
Q347
P. Somos obrigados a observar os mandamentos? R. Sim, todos somos obrigados a observar os mandamentos, porque todos devemos viver segundo a vontade de Deus que nos criou, e basta transgredir gravemente um único deles para merecer o inferno.
Q348
P. Podemos nós observar os mandamentos? R. Podemos indubitavelmente observar os mandamentos de Deus, porque Deus não nos ordena coisa alguma impossível e concede a graça de observá-los a quem a pede como se deve.
Q349
P. O que se deve considerar em geral em cada mandamento? R. Em cada mandamento deve-se considerar a parte positiva e a parte negativa; isto é, aquilo que nos é ordenado e aquilo que nos é proibido.
Q350
P. Por que se diz no início: Eu sou o Senhor teu Deus? R. No início dos mandamentos se diz: Eu sou o Senhor teu Deus, para que reconheçamos que Deus, sendo o nosso Criador e Senhor, pode ordenar o que quiser, e nós, suas criaturas, somos obrigados a obedecê-Lo.