Evangelho do dia

sexta-feira, 26 de março · paramento vermelho

Jo 18, 1-19, 42

6ª feira da Paixão do Senhor

O Evangelho de hoje, lido com os Padres da Igreja.

Jo 18, 1-19, 42

Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para a outra banda da torrente do Cedron, onde havia um horto, no qual entrou com os seus discípulos. 2Ora Judas, o traidor, conhecia bem este lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com seus discípulos. 3Tendo, pois, Judas tomado a coorte e guardas, fornecidos pelos pontífices e fariseus, foi lá com lanternas, archotes e armas. 4Jesus que sabia tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e disse-lhes : "A quem buscais?" 5Responderam-lhe; "A Jesus de Nazaré." Jesus disse-lhes; "Sou eu." Judas, que o entregava, estava lá com eles. 6Apenas, pois, Jesus lhes disse: "Sou eu", recuaram e caíram por terra. 7Perguntou-lhes, novamente: "A quem buscais?" Eles disseram: "A Jesus de Nazaré." 8Jesus respondeu: "Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes." 9Deste modo se cumpriu a palavra que tinha dito: "Dos que me deste, não perdi nenhum." 10Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela, feriu um servo do pontífice e cortou-lhe a orelha direita, Este servo chamava-se Malco. 11Porém, Jesus, disse a Pedro: "Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai me deu?" 12Então a coorte, o tribuno e os guardas dos Judeus prenderam Jesus e maniataram-no. 13Primeiramente levaram-no a casa de Anãs, por ser sogro de Caifás, que era o pontífice daquele ano. 14Caifás era aquele que tinha dado aos Judeus este conselho: "Convém que um só homem morra pelo povo." 15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo, que era conhecido do pontífice, entrou com Jesus no pátio do pontífice. 16Pedro ficou fora à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do pontífice, falou à porteira e fez entrar Pedro. 17Então a criada porteira disse a Pedro: "Não és tu também dos discípulos deste homem?" Ele respondeu: "Não sou." 18Os servos e os guardas acenderam um braseiro e aqueciam-se ao lume, porque estava frio. Pedro encontrava-se também entre eles e aquecia-se. 19Entretanto o pontífice interrogou Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. 20Jesus respondeu-lhe: "Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, aonde concorrem todos os Judeus; nada disse em segredo. 21Por que me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que eu lhes disse; eles sabem o que tenho dito." 22Tendo dito isto, um dos guardas, que estavam presentes, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: "Assim respondes ao pontífice?" 23Jesus respondeu-lhe: "Se falei mal, mostra o que eu disse de mal; se falei bem, por que me feres?" 24Anás enviou-o maniatado ao pontífice Caifás. 25Eslava lá Simão Pedro, aquecendo-se. Disseram-lhe: "Não és tu também dos seus discípulos?" Ele negou e respondeu: "Não sou." 26Disse-lhe um dos servos do pontífice, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: "Não te vi eu com ele no horto?" 27Pedro negou outra vez, e imediatamente cantou o galo. 28Levaram então Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para se não contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. 29Pilatos, pois, saiu fora, para lhes falar, e disse: "Que acusação apresentais contra este homem?" 30Responderam; "Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos." 31Pilatos disse-lhes então: Tomai-o e julgai-o segundo a vossa lei." Mas os Judeus disseram-lhe: "Não nos é permitido matar ninguém." 32Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. 33Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-lhe: "Tu és o rei dos Judeus?" 34Jesus respondeu: "Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?" 35Pilatos respondeu:"Porventura sou judeu? A tua nação e os pontífices é que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste tu?" 36Jesus respondeu: "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente os meus ministros se haviam de esforçar para que eu não fosse entregue aos Judeus; mas o meu reino não é daqui." 37Pilatos disse-lhe então: "Logo, tu és rei?" Jesus respondeu: "Tu o dizes, sou rei. Nasci, vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a minha voz." 38Pilatos disse-lhe: "O que é a verdade?" Dito isto, tornou a sair, para ir ter com os Judeus, e disse-lhes: "Não encontro nele motivo algum de condenação. 39Ora é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis, pois, que vos solte o rei dos Judeus?" 40Então gritaram todos novamente: "Não este, mas Barrabás!" Ora Barrabás era um salteador. 19,1Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. 2Depois os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. 3Aproximavam-se dele e diziam-lhe: "Salve, rei dos Judeus" e davam-lhe bofetadas. 4Saiu Pilatos ainda outra vez fora e disse-lhes: "Eis que vo-lo trago fora, para que conheçais que não encontro nele crime algum" 5Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes: "Eis aqui o homem." 6Então os príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto gritaram: "Crucifica-o, crucifica-o!" Pilatos disse-lhes: "Tomai-o e crucificai-o, porque eu não encontro nele motivo algum de condenação." 7Os Judeus responderam-lhe: "Nós temos uma lei, e, segundo a lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus." 8Pilatos, tendo ouvido estas palavras, temeu ainda mais. 9Entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: "Donde és tu?" Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Então Pilatos disse-lhe: "Não me falas? Não sabes que tenho poder para te soltar, e também para te crucificar?" 11Jesus respondeu: "Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto. Por isso, o que me entregou a ti, tem maior pecado." 12Desde este momento, Pilatos procurava soltá-lo. Porém os Judeus gritaram: "Se soltas este, não és amigo de César, porque todo o que se faz rei, declara-se contra César." 13Pilatos, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no seu tribunal, no lugar chamado Lithostrotos (em hebraica Gabhatha). 14Era o dia da Preparação da Páscoa, cerca da hora sexta. Pilatos disse aos Judeus: "Eis o vosso rei!" 15Mas eles gritaram: "Tira-o, tira-o, crucifica-o!" Pilatos disse-lhes: "Pois eu hei-de crucificar o vosso rei?" Os pontífices responderam: "Não temos rei, senão César." 16Então entregou-lho, para que fosse crucificado. 17Tomaram pois, Jesus, o qual, levando a sua cruz, saiu para o lugar chamado do Crânio (em hebraico Gólgotha), 18onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos redigiu um titulo, que mandou colocar sobre a cruz. Estava escrito nele: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. 20Muitos Judeus leram este título, porque se achava perto da cidade o lugar onde foi crucificado. Estava redigido em hebraico, em latim e em grego." 21Os pontífices dos Judeus diziam, porém, a Pilatos: "Não escrevas: Rei dos Judeus, mas: Este homem disse: Eu sou Rei dos Judeus." 22Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi." 23Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. Tomaram também a túnica. Quanto à túnica, que não tinha costura, toda tecida de alto a baixo, 24disseram uns para os outros: "Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver a quem tocará." Cumpriu-se deste modo a Escritura, que diz: Repartiram as minhas vestes entre si, e lançaram sortes sobre a minha túnica (Ps. 22, 19). Os soldados assim fizeram. 25Junto à cruz de Jesus estavam sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, vendo sua Mãe, e, junto dela, o discípulo que amava, disse a sua Mãe: "Mulher, eis o teu filho." 27Depois disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe." E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa. 28Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: "Tenho sede." 29Havia sido ali posto um vaso cheio de vinagre. Então, os soldados, ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-lha à boca. 30Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: "Tudo está consumado." Depois, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. 31Os Judeus, visto que era o dia da Preparação, para que não ficassem os corpos na cruz no sábado, porque aquele dia de sábado era de grande solenidade, rogaram a Pilatos que lhes fossem quebradas as pernas, e fossem tirados. 32Foram, pois, os soldados, e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem ele havia sido crucificado. 33Mas, quando chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, 34mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. 35O que foi testemunha deste facto o atesta e o seu testemunho é digno de fé e ele sabe que diz a verdade para que também vós acrediteis. 36Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a Escritura: Não lhe quebreis osso algum (Ex. 19, 46 ; Nm. 9, 12). 37E também diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram (Zc. 12, 10). 38Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos Judeus, rogou a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. Foi, pois, e tomou o corpo de Jesus. 39Nicodemos, o que tinha ido primeiramente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés. 40Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com aromas, segundo a maneira de sepultar usada entre os Judeus. 41Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto, e no horto um sepulcro novo, em que ninguém ainda tinha sido sepultado. 42Por ser o dia da Preparação dos Judeus, e o sepulcro estar perto, depositaram lá Jesus.

Tradução: Matos Soares · domínio público

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Os Padres comentam

Beato Alcuíno de Iorque

Sobre o ribeiro de Cedron, i. é, dos cedros. É o genitivo em grego. Passa pelo ribeiro, i. é, bebe do ribeiro da Sua Paixão. Onde havia um horto, para que o pecado que foi cometido num horto, Ele o apagasse num horto. Paraíso significa horto de delícias.

Beato Alcuíno de Iorque · c. 735–804

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Teofilacto de Ócrida

Judas sabia que, no tempo da festa, nosso Senhor costumava ensinar aos Seus discípulos doutrinas altas e misteriosas, e que ensinava em lugares como este. E como era então uma época solene, pensou que ali O encontraria, ensinando aos Seus discípulos coisas relativas à festa.

Teofilacto de Ócrida · c. 1055–1107

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São João Crisóstomo

Mas por que João não diz: Depois de ter orado, entrou? Porque a sua oração foi um falar por amor dos seus discípulos. É agora noite; Ele vai e atravessa o ribeiro, e apressa-se para o lugar que era conhecido do traidor; assim não causando incômodo aos que estavam à espera dele, e mostrando aos seus discípulos que ia voluntariamente à morte.

São João Crisóstomo · Chrysostomus in Ioannem · c. 347–407

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